<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615</id><updated>2012-01-23T21:47:19.295Z</updated><title type='text'>Palavras Urbanas</title><subtitle type='html'>As palavras são frágeis. Um dia acordamos, olhamos o tecto, olhamos a janela, e todas as boas palavras que sabíamos perderam o seu significado, foram gastas pelo uso, quebradas pela marcha de uma civilização toda ela eregida à custa de palavras gastas. As palavras são também fúteis sem as pessoas. E os olhares, os sons, o silêncio até, o ar, o que diz e o que ouve ou lê ou sente, constroem de novo palavras com significado</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>86</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-115393388114180552</id><published>2006-07-26T18:06:00.000+01:00</published><updated>2006-07-26T18:11:21.173+01:00</updated><title type='text'>Cerejas Como Palavras, o recomeço do Palavras Urbanas</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);"&gt;Depois&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt; de uma grande epopeia este blogue dedica o seu nonagésimo post - sim, foram 90!!! - a anunciar o seu fim. Ou antes, recomeço. &lt;a href="http://cerejascomopalavras.blogspot.com"&gt;Cerejas como palavras&lt;/a&gt;, em http://cerejascomopalavras.blogspot.com vai ser a continuação deste blogue, e é lá que a partir de agora encontrarão os meus textos. Espero lá por vocês...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-115393388114180552?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/115393388114180552/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=115393388114180552' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/115393388114180552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/115393388114180552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2006/07/cerejas-como-palavras-o-recomeo-do.html' title='Cerejas Como Palavras, o recomeço do Palavras Urbanas'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-114996454922839359</id><published>2006-06-10T19:33:00.000+01:00</published><updated>2006-06-10T19:35:49.243+01:00</updated><title type='text'>quarenta aniversários</title><content type='html'>&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Abri &lt;/strong&gt;os olhos lentamente, como se não quisesse ver.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quando&lt;/strong&gt; eu desperto de uma noite sem sonhos nunca sei quem sou, nem onde estou, nem o que é o mundo. É como nascer outra vez. Estava escuro e quente e confortável, e depois, a pouco e pouco, a realidade atraiu-me e persuadiu-me os sentidos. Quando abri os olhos só vi o tecto branco, por isso fechei-os outra vez e estiquei a minha mão direita e tacteei o tampo da mesa de cabeceira, pús os óculos e começo a lembrar-me do dia de ontem.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Naquele&lt;/strong&gt; dia acordei súbitamente com quarenta anos. No dia anterior tinha trinta e nove. É o problema com os aniversários. Andamos um ano inteiro a dizer que temos trinta e nove anos (ainda no outro dia, ao telefone:&lt;br /&gt;            – Pode, por favor responder aqui a umas perguntinhas? É um inquérito anónimo... ,&lt;br /&gt;            – Sim, sim, diga lá,&lt;br /&gt;            – Pode começar-me por dizer a idade, se faz favor) e nem nos vamos apercebendo que envelhecemos dia após dia, despertar após despertar. E quando acordamos já não temos trinta e tais, temos quarenta. É como se tivesse envelhecido dez anos em apenas um dia.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt; festa de aniversário não teve história; no restaurante do costume, os convidados do costume. Um bolo de morangos com chantilly e duas velas ao centro, uma com um 4 outra com um 0. Parabéns a Você. Palmas. Depois soprei as velas. Da pimeira vez que apaguei todas as velas do bolo de um só sopro apaguei seis velas. Estava orgulhoso e olhei a minha mãe nos olhos, sorrindo o maior dos meus sorrisos e disse&lt;br /&gt; – Viste, mamã, viste? Apaguei as velas todas com só um sopro! Viste?&lt;br /&gt;e ela, sempre compreensiva, afagando-me a cabeça, murmurou passivamente, enquanto me devolvia o olhar com os seus olhos tão mais velhos e sabidos que os meus,&lt;br /&gt;– Sim, filho, muito bem filho, apagaste todas de uma vez só, já és grande...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Trinta&lt;/strong&gt; e quatro anos depois apaguei duas velas, duas apenas, e foi como se fossem cem ou nenhuma; e os meus olhos, tão mais velhos e sabidos do que aqueles de há trinta e quatro anos atrás, focavam metade de um morango. Não tenho a certeza de ter sido uma festa deprimente, apesar dos comensais me terem constantemente recordado de como o tempo passa e desejado boa sorte na minha nova vida de quarentão. Mas no dia seguinte, ou, antes, naquele dia em que a história principia, senti sobre mim toda a ressaca de ter, inesperadamente, acordado uma década inteira mais velho. E senti também um vazio estranho. Não era a primeira vez. Decidi não me dar demasiado tempo para pensar. A infelicidade é uma dúvida permanente. A única forma de a evitar é não só não lhe responder mas nem sequer ouvir a pergunta.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Decidi&lt;/strong&gt; ir dar um passeio depois da taça matinal de Corn Flakes, para esquecer o assunto de vez. Meio do mês de Maio. É domingo, as lojas estão fechadas. Eram onze da manhã. Estavam trinta graus e as pessoas moviam-se lentamente, para cima e para baixo nas ruas, carregando sacos de pão ou jornais debaixo do braço. Os automóveis são efémeros, passam simplesmente. E havia um homem, um só, sentado numa cadeira na esplanada do outro lado da rua. Tinha uma camisa de meia manga às riscas verticais azuis e amarelas, uma bóina beige sob a face rectangular, e óculos quadrados de ares castanhas pousados no nariz ligeiramente adunco. Tinha setenta, oitenta anos. Quem sabe. Era o único ser estático entre a cidade cinética, em que todos se moviam alteravam.&lt;br /&gt;– Posso ajudá-lo?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;De&lt;/strong&gt; repente estava eu ali, de pé, em frente àquele homem tão parado que se sentava numa cadeira de esplanada. E senti o calor, não o que vinha de fora mas o que vinha de dentro de mim, eu a ruborescer, a flamejar, como quando em criança gritavam comigo sem que eu soubesse porquê, sabendo apenas que estava errado. Antes era tão mais fácil distinguir o certo do errado...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Disse&lt;/strong&gt; apenas&lt;br /&gt;– Sim.&lt;br /&gt;e sentei-me. Estava certamente à espera que o interlocutor arregalasse os olhos, que uma das rugas da sua testa se entreolhasse, que as pestanas e os lábios se retorcessem de espanto. Mas pelo ar dele já devia ter visto muito neste mundo. Fez-me apenas sinal de que falasse. E eu falei.&lt;br /&gt;– Tenho quarenta anos. Desde ontem. Não dei por nada, aconteceu de repente. E já não sonho como antigamente. Acordo como se nascesse sempre de novo, mas quando penso nisso apercebo-me de que não é verdade, já nasci há muito tempo, há quarenta anos e um dia para ser preciso. Mas é como se a vida ainda não tivesse começado, sabe? Um vazio, um vazio... Olho para trás a minha vida e ela não é nada. Já não sonho como antigamente, já deixei de sonhar, as minhas noites são só negras e só noites, não são nada. Já não sonho porque os sonhos não dão em nada. Não sei...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pausa&lt;/strong&gt;. Apercebi-me das minhas mãos que ora puxavam ora afastavam o cinzeiro de plástico verde que está em cima da mesa.&lt;br /&gt;– Não sei porquê... A vida não foi nada do que eu planeei... Não me lembro do que é que eu planeei, nem tão pouco sei se alguma vez planeei alguma coisa, mas se o fiz, ou mesmo se não o fiz, não foi isto que planeei... Antes eu tinha sonhos. Não faziam muito sentido, mas pelo menos tinha sonhos. Hoje acordo e não tenho nada. Hoje acordo e preciso... de... de me encontrar a mim mesmo, sim, talvez seja disso que preciso.&lt;br /&gt;– Certos homens encontram-se melhor no silêncio.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt; depois ele, o silêncio. O silêncio era quente e abafado, ou talvez fosse o ar, mas os dois confundiam-se. O silêncio era também o zumbido de uma mosca, um automóvel a ir abaixo, alguém no cimo da rua a gritar atrás de alguém abaixo da rua, o silêncio era um azulejo, azul e branco.&lt;br /&gt;– Certos homens. Alguns homens. Podemos encontrar-nos nos lugares mais estranhos. Às vezes viramos a esquina e encontramo-nos connosco próprios.&lt;br /&gt;– Talvez sim. Mas eu não quero esperar mais quarenta anos por nada. Assim acabava como... Não sei...&lt;br /&gt;– Como eu.&lt;br /&gt;– Bom...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Talvez&lt;/strong&gt; por me ter súbitamente apercebido de que era a uma pessoa e não a uma estátua que me dirigia, que tomei finalmente consciência da estranheza, ou antes da bizarria – digamo-lo com as letras todas – de discutir idades com uma pessoa de oitenta anos, quando eu próprio só tenho metade.&lt;br /&gt;– Sim, sim, como eu. Não se acanhe. Eu compreendo-o. E o que pensa fazer?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não&lt;/strong&gt; fazia a mínima ideia. Mas ele compreendia-me.&lt;br /&gt;– Não faço a mínima ideia. Talvez... Bom... Não sei. Se eu voltasse atrás e mudasse a minha vida. Mas isso é impossível, toda a gente sabe. Mas talvez possa mudar o que fiz de errado. Talvez possa pensar no que podia ter feito de diferente e fazê-lo...&lt;br /&gt;– E fazê-lo?&lt;br /&gt;– E fazê-lo de forma diferente. Agora. Começar de novo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ele&lt;/strong&gt; tinha o cotovelo direito sobre a mesa, o punho da mão fechado e apoiando o queixo, o braço esquerdo estendido sobre o tampo, como a estátua de bronze d’O Pensador de Rodin. E ficámos assim durante um momento, talvez alguns segundos, talvez alguns minutos, o calor dilata o tempo, não o saberia dizer ao certo, ele olhando o infinito, eu olhando-o a ele.&lt;br /&gt;– Talvez.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nunca&lt;/strong&gt; soube o que é o fim de uma conversa. Como todas as coisas as conversas têm fim. Vão-se esgotando a pouco e pouco. Mas eu nunca soube o que isso era. É tão mais fácil com a vida, por exemplo, que tem sintomas médicos específicos que caracterizam o fim; ou com os filmes, que sempre terminam com os créditos finais, para não falar das películas antigas que acabavam num ecrã negro com The End a letras brancas. Mas as conversas esvaziam-se sem que se perceba. Depois chegam os silêncios, daqueles tão perpétuos que entremeiam duas conversas diferentes. Ainda fiquei ali sentado por algum tempo. Depois levantei-me.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Parei&lt;/strong&gt; a meio da passadeira. Olhei para trás. Já não havia nenhum homem no café. Senti-me estranho. Pensei que aquele velho ia sentar-se ali para sempre. Um carro buzinou. Eu estava parado no meio da passadeira.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-114996454922839359?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/114996454922839359/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=114996454922839359' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/114996454922839359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/114996454922839359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2006/06/quarenta-aniversrios.html' title='quarenta aniversários'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-114711305122839536</id><published>2006-05-08T19:17:00.000+01:00</published><updated>2006-05-08T21:00:05.186+01:00</updated><title type='text'>olhos nos olhos</title><content type='html'>&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Ela&lt;/strong&gt; olhou-o nos olhos e ele baixou a cabeça. Beijaram-se. Se ela lhe tivesse dito alguma coisa era Não digas nada. Mas ela soube sempre que ele não iria dizer nada. O chão que ele via era como o céu nublado e os prédios sem cor. Era um chão de asfalto duro, de fragmentos de vidro, de balas, de lama feita de sangue e chuva.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No&lt;/strong&gt; príncipio, quando o céu era claro e ele ainda conseguia olhá-la de frente, tudo era mais fácil. No príncipio todos os ideais são claros e límpidos; são simples e directos. No príncipio ele lutava por eles, pelos ideais. Naquela altura já só lutava por si próprio.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Antes&lt;/strong&gt; de desaparecer entre dois pedaços de cimento ele ainda procurou a cara dela, mas nunca mais a encontrou. Ela tinha fugido na outra direcção, à procura desse lugar a que chamam Fim. Em tempos mais pacíficos tinham-lhe ensinado que nesse lugar se vivia feliz para sempre. &lt;strong&gt;Enquanto&lt;/strong&gt; corria ela olhava em frente. Para além da selva urbana decadente que caía em derrocada havia a cara dele perpetuamente presa ao céu infinitamente cinzento: a pele pálida e as bochechas rosadas, intensas, os lábios pequenos e bem desenhados, os olhos castanho claros últimamente tão cheios de medo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ele&lt;/strong&gt; era um rapaz ainda. Dúvido que tivesse dezoito anos. Eu deixei de contar as idades quando aprendi que as vidas terminam. Com a arma tremendo nas mãos, apontada ao indistinto horizonte inimigo, por entre o fogo e o fumo, enquanto do céu os aviões lançavam morte e destruição, caminhava ele desorganizadamente, tropeçando nos corpos perdidos no meio da rua. E foi então que nos encontrámos, o nosso espanto toldado pelo susto. Se eu me tivesse visto reflectido na sua púpila grande e assustada veria a imagem dele. Se alguém nos visse ali os dois, frente a frente, a vinte metros de distância, não nos distinguiria. Se não estivéssemos ali os dois a rua estaria deserta. Por um momento ficámos ambos parados, ele na minha mira eu na dele, à espera do som da bala e do fim. Tinha a respiração suspensa, convencida ela própria de que iria ficar assim para todo o sempre.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pressionei&lt;/strong&gt; o gatilho mas não me mexi até que o corpo dele caiu e se perdeu numa poça de sangue. Foi como se o meu próprio corpo se vergasse à lei da morte. Como se aquele sangue fosse o meu sangue.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No&lt;/strong&gt; príncipio ainda haviam ideais. A primeira bala perdida é suficiente para os ferir mortalmente. Extinguem-se em agonia, dobram-se sobre os joelhos, gritam de dor e calam-se para sempre.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Corri&lt;/strong&gt; para casa, onde quer que isso fosse. Cai fatigado ao pé de um lago e a mão de uma rapariga levantou-me a cabeça e os olhos dela olharam os meus como se sempre me tivessem olhado.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-114711305122839536?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/114711305122839536/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=114711305122839536' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/114711305122839536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/114711305122839536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2006/05/olhos-nos-olhos.html' title='olhos nos olhos'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-114522324615703830</id><published>2006-04-16T22:29:00.000+01:00</published><updated>2006-04-16T22:38:19.846+01:00</updated><title type='text'>Um livro aberto ao acaso</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Ele&lt;/strong&gt; soube que aquele tinha sido o maior erro da sua vida quando o marpassou a ser só mar, a areia só areia, o sol de fim de tarde só um sol morrendo na praia deserta. Não existiam nuvens no céu, e ainda era cedo para que nele brilhassem as estrelas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Foi&lt;/strong&gt; num daqueles dias de há muitos anos atrás, daqueles dias deinfância que nos vêm à memória com uma banda sonora melosa interpretada por uma orquestra de cordas, que Paulo viu a sua primeira poesia. Entrou na cozinha e viu o livro de setenta páginas esquecido no chão. Pegou-o com ambas as mãos, mãos pequenas como o corpo e como a idade. Abriu-o ao acaso e ainda hoje tem a certeza de que os livros de poesia foram escritos para serem abertos ao acaso.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas&lt;/strong&gt; Paulo vivia então os seus primeiros anos, e ignorava ainda as potencialidades sonoras da letra escrita. Apaixonou-se sim foi pelo livro em si, pela forma das letras e pela disposição dos versos, pela textura do papel, pela capa dura, pela mancha amarela na página cinquenta e seis, produto de uma qualquer leitura negligente. Noutras camas deitavam-se meninos e meninas agarrados aos seus ursos depeluche, naquela dormia Paulo, abraçado ao seu livro de poesia.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quando&lt;/strong&gt; no primeiro ano de escola os colegas se albafetizavam com contos ilustrados de Christian Andersen que vinham no livro da escola, ele praticava lendo o livro de poesia que levava consigo para todo o lado. E lia as muitas palavras que não compreendia. E antes de inquirir da proveniência dos bebés Paulo perguntou, numa daquelas tardes em que a mãe o trazia da escola, Mãe, o que é o amor? E a mãe, que apenas estava preparada, e mal, para a pergunta da praxe, engasgou-se e olhou o céu, e a rua e os prédios e os automóveis estacionados em segunda fila e disse qualquer coisa sobre o amor ser uma semente que crescia e se tornava numa ave, que voava como as cegonhas e sonhavacom uma viagem a Paris.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Está&lt;/strong&gt; claro que Paulo logo percebeu que o amor devia ser algo de mais complicado que uma semente que é uma cegonha que voa até Paris. Percebeu-o pela face lívida da mãe, e pela voz balbuciante. E nem a explicação que os dois progenitores, juntos, prepararam o melhor que souberam e lhe deram numa noite da semana seguinte o convenceu. Nem tão pouco o satisfez o dicionário, a que deu uso dois anos mais tarde. Foi construindo a sua própria definição, daqui e dali, lendo não sódas palavras, dos olhares e das melancolias dos outros mas também doseu próprio coração, que pulsava solitário e desesperado no corpoadolescente. E claro, lendo do seu livro também.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Era&lt;/strong&gt; um livro de poesias que não rimavam. O amor nem sempre rima comalguma outra palavra, como Paulo veio a aprender. Tinha decorado olivro por inteiro. E apesar de tudo nunca deixou de gostar de o abrir ao acaso e ler os poemas que já conhecia. Cresceu sempre com aquele livro. Naquele dia estava guardado no porta luvas do Ford azul, aquele que Paulo comprou em segunda mão com os salários do seu primeiro emprego e com uma ajuda preciosa do rendimento do pai. Estacionou o automóvel à beira da praia, lá ao fundo o azul do mar e o do céufundiam-se um no outro.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Estava&lt;/strong&gt; um dia de vento e não havia muita gente na praia. Ele descobriu-a facilmente. O longo cabelo esvoaçante, o olhar castanho cheio de palavras indíziveis. Naquele momento ele esqueceu todas as poesias do livro. E era como se tudo no mundo tivesse ganho sentido. Como se todas as coisas estivessem finalmente no lugar. Como se a poesia tivesse ganho corpo e saído da água, com os seus longos cabelos molhados.O que ele podia ter dito e não disse. A história que podia ter sido e não foi. Ele nunca vai saber porque é nunca leu aquela poesia que um dia apareceu ao acaso numa praia, como quem por acaso abre um livro. Mas soube naquele momento, enquanto o sol descia à altura do comum dos mortais e a praia se enchia de vazio que aquele tinha sido o maior erro da sua vida.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Até&lt;/strong&gt; à próxima vez.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-114522324615703830?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/114522324615703830/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=114522324615703830' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/114522324615703830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/114522324615703830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2006/04/um-livro-aberto-ao-acaso.html' title='Um livro aberto ao acaso'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-114370497846921828</id><published>2006-03-30T08:45:00.000+01:00</published><updated>2006-03-30T08:53:00.313+01:00</updated><title type='text'>o fim do príncipio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Os&lt;/strong&gt; começos são sempre complicados, pensou um homem, enquanto esperava que o comboio chegasse finalmente à estação. Depois do princípio as coisas cansam-se da existência, correm naturalmente para um fim. A eternidade é maçadora.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Existe&lt;/strong&gt; um relógio quadrado na estação. Gosto muito mais dos relógios redondos. Era muito mais poético dizer que existe um relógio redondo na estação. Esqueçam lá a história do relógio quadrado, não havia na estação relógios quadrados. Era um relógio redondo e o ponteiro das horas apontava para as doze, o dos minutos estava quase sobre o cinco, e o dos segundos caminhava incessantemente e sem destino, tiquetaque, tiquetaque. Parece que o tempo dura uma eternidade.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Este&lt;/strong&gt; homem que está aqui na estação tem um casaco preto, formal, uma gravata azul, uma camisa branca. Está aqui, parado, à espera que finalmente comece alguma coisa. Que chegue um comboio, com barulhos de motor, ruídos de locomoção. A bem dizer a história só devia começar quando o comboio cá chegasse. Está ali um personagem, pronto a entrar num comboio, sem destino que se adivinhe. E o comboio não chega, a história não começa. O homem está a perder a paciência, se não aparece nada guinchando sobre aqueles carris ali nos próximos tempos ele é bem capaz de ir a uma outra história qualquer.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Às&lt;/strong&gt; vezes acontece uma destas cenas enfastiantes. Não me resta grande coisa a não ser falar de relógios redondos. O homem está a começar irritado. Pelo olhar ameaçador, em chegando o supracitado transporte, este texto é bem capaz de se tornar um policial. Não existe mais ninguém na estação e está um sol abrasador, o homem suando debaixo de casaco e camisa e gravata. &lt;strong&gt;Quem&lt;/strong&gt; é que aqui o foi enfiar, envergando casaco e camisa e gravata. Se calhar era melhor usar apenas uma t-shirt, roupa casual.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Estou&lt;/strong&gt; a começar a entrar em estado de desespero.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Começam&lt;/strong&gt; a chegar mais pessoas à estação. Um casal de namorados, de mão dada, descendo as escadas para a plataforma sem pressas, olhando-se um ao outro, beijando-se um ou outro de poucos em poucos metros. Um jovem adulto, alto e esguio e pálido, ligeiramente curvado para a frente, com olhos negros, olhos que já não se descaem profundamente em sonos há pelo menos três dias. Uma família inteira, um rapaz de cinco anos com um boné ligeiramente descaído para o lado, uma rapariga de dez com um aparelho nos dentes e tédio na face, um pai e uma mãe de mãe idade, carregados de malas, uma castanha, outra azul, mais algumas mochilas, e ainda um canário amarelo dentro de uma gaiola dourada. Vá-se lá saber o que faz um casal de namorados, um jovem com olhos carregados de vigílias, uma família média e um canário na mesma história.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há&lt;/strong&gt; um comboio lá ao fundo. Eu sei porque já vi muitos comboios chegar. Esta é a trigésima sexta vez que começo uma história com homens que esperam por comboios em estações com relógios redondos. O que me leva a pensar que, em abono da originalidade, se calhar o relógio devia ser quadrado. Os últimos trinta e seis enredos perderam-se sem entrar no comboio. É sintomático e leva-me a pensar que talvez as conclusões não sejam tão simples assim. Mas os finais são certamente. Qualquer começo tem o seu final, quer seja ou não Casaram-se e viveram felizes para sempre.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt; homem da história, aquele que pensava que os começos são sempre complicados, esse é que já não está aqui. De entre os que aqui estão à espera de comboios não existe nenhum que pense que os começos são complicados.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Esta&lt;/strong&gt; é a explicação para que eu agora ande aqui a correr escada acima, a sair da estação e a entrar no centro comercial, procurando entre a multidão de comerciantes, consumidores e simples transeuntes, todos simples figurantes, diga-se de passagem, à procura de um homem que vista casaco preto, camisa branca e gravata azul. Vejo-o num restaurante fast food mexicano, com os seus olhos fixos nos olhos verdes de uma mulher em vestido vermelho dizendo, Por favor, vem comigo, não posso partir sem ti. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Eu&lt;/strong&gt; sento-me numa das mesas vagas, olho o casal por cima do menú, e rezo para que a mulher diga, Eu quero ir contigo ou qualquer outra coisa que faça disto um começo e não um final.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-114370497846921828?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/114370497846921828/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=114370497846921828' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/114370497846921828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/114370497846921828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2006/03/o-fim-do-prncipio.html' title='o fim do príncipio'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-114293138077460725</id><published>2006-03-21T08:47:00.000Z</published><updated>2006-03-21T08:58:04.570Z</updated><title type='text'>Solidão</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;Devia ser meia-noite, pelo menos. Lua cheia lá fora. A porta à frente dele era a porta da sua casa. Ele abriu-a e olhou todo o comprimento do vestíbulo de entrada. Pendurou a gabardine no cabide. Não estava molhada. O céu estava descoberto. Via-se a lua por inteiro.&lt;br /&gt;O som dos seus passos resoou dentro do seu corpo, que não era corpo, era uma casa vazia.&lt;br /&gt;Era só o som dos seus passos e o silêncio.&lt;br /&gt;A última porta à esquerda de quem entrava, era a porta do seu quarto. A porta à frente dele era a porta do seu quarto. Bateu na porta de madeira com os nós dos dedos, cerrados num punho. Perguntou, Está aí alguém?&lt;br /&gt;Abriu a porta. Sentou-se na borda da cama. Fechou os olhos.&lt;br /&gt;Não estava ninguém.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-114293138077460725?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/114293138077460725/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=114293138077460725' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/114293138077460725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/114293138077460725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2006/03/solido.html' title='Solidão'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-114202762803651573</id><published>2006-03-10T21:52:00.000Z</published><updated>2006-03-10T21:53:48.050Z</updated><title type='text'>Coisas Simples 7</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Era &lt;/strong&gt;noite e estava frio lá fora. Não haviam nuvens no céu. Se não fossem estas luzes, que ladeiam a rua de ambos os lados, que estão nos faróis dos automóveis que vão e dos que chegam e dos que continuam a vaguear sem destino, e também as que iluminam os placares publicitários, se não fossem essas luzes o céu estaria estrelado. Talvez a história fosse outra, pensou um homem de calças de ganga, e camisola negra, de algodão. O cabelo curto e os olhos eram também negros. Eram olhos sem estrelas, como o céu sobre a cidade. Tinha umas salientes maçãs do rosto, uma face magra e lívida, como se sugada por forças ínvisiveis. A barba estava por fazer. Nos lábios, duas linhas ténues que eram como se não existissem, um cigarro extinguia-se.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt; homem fechou os olhos e depois expirou o fumo e depois abriu os olhos e viu o prédio. Parou de chover. Era agora, não valia a pena esperar mais. Quando, em noites como esta, se encontrava completamente sóbrio, sentia sempre receio de qualquer coisa que não sabia bem o que era. E olhava bem, e certificava-se várias vezes que estava completamente só. E às vezes quase desejava não estar só. O que era um erro, obviamente. Pensou nisso e arrumou a questão. O olhar duro preso ao prédio do outro lado da rua.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Havia&lt;/strong&gt; um vento frio que às vezes soprava com força e abanava as copas das árvores. Na mão direita o homem tinha uma mala negra. Uma mala que podia conter qualquer coisa. Abriu-a com um simples movimento coordenado das suas duas mãos, como se já a tivesse abrido muitas vezes. A primeira coisa que tirou foi um par de luvas negras.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Sentiu&lt;/strong&gt; a adrenalina crescer e sorriu. Gostava daquilo. Tinha completo domínio do movimento do seu corpo, do movimento dos seus dedos magros calçando as luvas negras, envolvendo a pega da mala negra. Nestes momentos gostava do desafio da situação, da incerteza do fúturo, em contraste com o total controlo que tinha de si próprio. A adrenalina vencia sempre sobre o seu medo e sobre a sua moral. Quando era pequeno costumava acreditar no pai Natal, embora ele nunca lhe tivesse trazido o que ele pedira. Até aos seis anos acreditou em Deus, até começar a fazer de tudo para não ter que ir à catequese aos sábados de manhã. Até aos oito anos ainda acreditou na mãe. Mas nunca acreditou na moral.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Nunca&lt;/strong&gt; percebeu porque é haviam coisas que eram boas e coisas que eram más. Porque não eram simplesmente coisas. Porque é que as pessoas faziam o que lhe diziam que era mau e o obrigavam a actuar segundo o que lhe diziam que era bom. Ele tinha a sua própria consciência das coisas. As coisas, as coisas verdadeiras, como o céu e a chuva, são coisas complicadas. A moral é, simplesmente, demasiado simples para as coisas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Mas&lt;/strong&gt; ele não pensava nisto. Ele agora não queria pensar nisto. Sentia uma energia própria destas ocasiões brotar-lhe no corpo. Agora não tinha sombras, não tinha temores que o apagavam na escuridão. Tinha apenas um objectivo. Concreto e simples. Sólido. Sabia exactamente o que tinha a fazer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;Atravessou a estrada com passos firmes e largos. Pôs o joelho direito no chão, a flectiu a perna esquerda. Abriu a mala negra. Nela estava tudo o que precisava. Concentrou os seus dois olhos negros no buraco da fechadura.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-114202762803651573?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/114202762803651573/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=114202762803651573' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/114202762803651573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/114202762803651573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2006/03/coisas-simples-7.html' title='Coisas Simples 7'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-114051374616339931</id><published>2006-02-21T09:20:00.000Z</published><updated>2006-02-21T15:17:07.210Z</updated><title type='text'>biografia de alguém famoso</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Havia &lt;/strong&gt;outras pessoas na sala de espera, sentadas em cadeiras de plástico verdes sobre ladrilhos rombos, pretos e brancos. Havia um relógio redondo e um ponteiro grande que avançava setenta segundos por minuto, defeito de há muitos anos, vá-se lá saber quando tinha avariado. Havia pessoas que atravessavam os corredores com caras pesadas, haviam gritos que vinham das salas de parto.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que&lt;/strong&gt; seja menino, pensou ele. Acendeu mais um cigarro, segurou entre os dedos que tremiam, soprou uma núvem de fumo e nicotina. Desculpe senhor, mas não pode fumar aqui dentro. Ele olhou, viu a senhora da recepção, olhos nos olhos. As palavras ressoaram-lhe na cabeça, como se estivesse de ressaca. Ele olhou-a.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não&lt;/strong&gt; era alta nem baixa, os cabelos se naturais teriam madeixas grisalhas, mas estava pintado de castanho, experimentava uma nova dieta todas as semanas, começava às segundas, desistia às terças, tinha dedos gordos e brancos, tinha uma face rechonchuda e branca, tinha um olhar magro e castanho com que olhava pessoas nos olhos e lhes dizia, Desculpe senhor, mas não pode fumar aqui dentro, e depois ficava a olhar as pessoas nos olhos porque elas não respondiam e depois lembrava-as, com uma voz impaciente, Já disse que não pode fumar aqui dentro, e voltava para dentro, Pessoas que fumam em salas de espera por amor de Deus, estou farta de pessoas que fumam e de salas de espera.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ele&lt;/strong&gt; olhou-a e depois olhou o nada que ficou quando ela saiu da sala, a parede branca e áspera. Levantou-se, saiu, lá fora havia o vento e a chuva, e ele apagou o cigarro numa poça de água e ficou a olhar as nuvens cinzentas e carregadas que tanto podiam ser um mau presságio como apenas nuvens cinzentas e carregadas. A cidade, erguendo-se encosta acima, era luzes que se perdiam na manta escura da noite. E ali maldizeu todas as esperas e todas as pessoas e todas as noites, e algumas outras malditas coisas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Voltou&lt;/strong&gt; para dentro com o cabelo e a gabardina molhados, os sapatos molhados, a paciência pingando gota a gota sobre o chão frio e calado. Havia outras pessoas na sala de espera, estavam todas sentadas, excepto aquele que, quando presenta ocupava a segunda cadeira a contar da esquerda, que ia à casa de banho de cinco em cinco minutos. Havia um relógio que aponta as dez horas e os trinta e seis minutos, quando na verdade são só quatro e dezanove, agora que falo nisso era um relógio que talvez fosse quadrado. Haviam corredores vazios e depois alguém que entrava e trazia uma grávida numa maca, aos gritos e as levava para uma das salas, e depois havia corredores vazios outra vez, corredores que nunca tinham silêncio nem sossêgo e se enchiam de brados sofridos.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Merda&lt;/strong&gt;, disse entredentes, depois disse Merda, foi a mesma coisa mas não foi a mesma coisa porque o disse mais alto e toda a gente olhou para ele. Esperava em pé, encostado a uma parede. A parede era fria, mas era como se fosse quente e era melhor do que se não fosse nada, era um apoio e era o seu único apoio, que não aquece nem arrefece.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hora&lt;/strong&gt; após hora após hora, esteve ali em pé, encostado à parede. Até o manco ponteiro dos minutos andava, ao seu ritmo próprio e lento, mas andava, coxeando de número a número. Um a um, foram-se os esperadores, o último foi o da casa de banho, outros vieram. As cadeiras verdes e de plástico eram sempre as mesmas, os ladrilhos eram sempre os mesmos. Ele sentou-se por fim, mas não por muito tempo. A enfermeira apareceu na sala e chamou o seu nome e ele saltou e caminhou até à sala, as pernas tremendo-lhe e parcamente sustentando-o na posição vertical, proeza que o hominídeo nunca mais quis deitar fora, depois de alcançar pela primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Apertou&lt;/strong&gt; a mão direita da mulher, ela tinha os olhos húmidos de lágrimas, ele apertou a mão dela e perguntou É menina, com um secreto desejo de que não fosse, e ela disse, É menino, e ele sorriu, ela então sorriu também, mas era um sorriso triste, O que foi?, e ela disse, numa voz trémula, como a luz de uma vela acendida na noite ventosa que lá fora se tornava dia, Não tem braços, e ele olhou o filho, e pegou-lhe, e disse Não tem braços, e teve medo, e sentiu horror da criança. Teve tanto medo que no dia seguinte a mulher não o encontrou na cama, e na cama nunca mais o encontrou, um dia no metro, dezasseis anos depois, teve quase a certeza que era dele aquela face entre a multidão da hora de ponta, aquela que o olhava assustado, mas essas suspeitas nunca pôde confirmar.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt; carreira de celebridade do filho começou uma semana depois, apareceu numa reportagem da TVI, depois cresceu e dedicou-se à música, tornou-se uma estrela internacional, aplaudido pelos fãs e nas boas graças da crítica, mesmo a mais exigente. Deixou a mãe a viver numa mansão mas ainda a vem visitar uma vez por mês, que a fama não lhe fez mossa ao ego simples, e até lhe comprou um automóvel novo como o pai veio a saber pelos jornais.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-114051374616339931?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/114051374616339931/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=114051374616339931' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/114051374616339931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/114051374616339931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2006/02/biografia-de-algum-famoso.html' title='biografia de alguém famoso'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-113778603769321288</id><published>2006-01-20T19:36:00.000Z</published><updated>2006-01-21T19:53:16.743Z</updated><title type='text'>Stairway to Heaven</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;"There's a lady who's sure all that glitters is gold&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;And she's buying a stairway to heaven&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;And when she gets there she knows if the stores are closed&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;With a word she can get what she came for."&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;Led Zeppelin, &lt;a href="http://www.brave.com/bo/lyrics/stairhea.htm"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Stairway to Heaven&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Uma&lt;/strong&gt; mulher caminhava pela rua acima. Eram sete da manhã. O vento era um sopro frio em que corropiavam as cores da última folha de Outono. Caminhava quase sempre com o olhar preso ao chão. Mas quando o sol brilhou por entre a massa nebulosa que envolvia o céu e a cidade debaixo dele, ela olhou para cima e então teve a certeza que tudo o que luz é ouro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Palmilhara&lt;/strong&gt; aquela rua, de baixo para cima, em todas as manhãs de que se lembrava, e sabia que a rua levava a outras ruas, e que todas se perdiam no aglomerado cinzento que era a cidade. Caminhava sem pressas, com o vagar de quem não tem nada para descobrir. Os pensamentos vagabundeavam por um labirinto de sonhos sem saída, histórias paralelas, palavras que se entrecruzavam. Foi por isso que não viu o céu encher-se de noite, nem as nuvens se dissolverem. O sol voltou a brilhar eram sete da manhã, o céu era azul e claro e resplandecia, e ela teve a certeza de que tudo o que luz é o ouro. E fechou os olhos e inspirou fundo, muito fundo, e abriu os olhos e então viu que se tinha perdido das ruas que, angustiadas, se contorciam com dores, ladeadas por prédios impassíveis, rectos e frios. Havia verde, muito verde, a relva, linhas de cor compulsivas que escorriam orvalho, as folhas nas árvores que não se apagavam com o sopro do Inverno, e havia flores brotando por entre o verde.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Ela&lt;/strong&gt; sabe porque está ali. Ela sabe porque se perdeu. Sente o seu corpo e a sua alma observadas por todo o mundo, suspenso nas suas acções e movimentos, como se assistisse o último minuto do mais emocionante jogo de fútebol, ou a cena da reviravolta num filme emocionante. No fim do caminho de terra que já foi uma estrada de alcatrão, está um homem, sentado, encostado a uma árvore. Tem uma face secada pelo tempo. Umas rugas definilhem-lhe a largura do sorriso, outras marcam a expressão que teria se engelhasse a testa. E quantas vezes sorriu, e quantas vezes engelhou a testa. Os olhos vivem ainda, mais do que tudo o resto no seu rosto, como se aquele homem soubesse ter ainda uma missão que estava para durar. À sua frente havia um rio, de leito não muito largo mas de corrente forte e traiç&lt;/span&gt;&lt;a name="conteudo"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;oeira e, flutuando no rio mas preso  à margem por uma corda e uma estaca, uma pequena barca. Ela sabe o que tem que fazer, e caminha até ao homem.&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;O &lt;/strong&gt;homem não precisou de se virar para saber que ela estava ali, como se há muito tempo não fizesse outra coisa que não esperar por ela. E então disse-lhe, A palavra, e a mulher estava desorientada, a mão esquerda pronta para abrir a bolsa, a mão direita preparada para tirar a carteira dentro dela, e ele pede-lhe uma palavra, Uma palavra?, perguntou a mulher, e o homem deu-lhe uma resposta que podia soar rude em qualquer outra boca mas naquela não soava, Foi o que eu disse. A mulher olha em frente. A outra magem está escondida no nevoeiro, mas ela sabe ao que veio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Uma&lt;/strong&gt; palavra. Ele precisa de uma palavra. Uma palavra que signifique o tudo e o nada ao mesmo tempo, uma palavra só que abra as primeiras portas e as portas derradeiras, e as portas que não são portas. Ela podia sentir a palavra a pulsar-lhe nas veias, mas não a sabia pronunciar, nem tão pouco escrever, e por isso colocou a mão sobre o ombro do homem e ele voltou-se e ela olhou-o e ele soube o que ela queria dizer. Levantou-se e estendeu o braço e os dedos da mão e apontou-lhe a barca. Ela sentou-se, com cuidado para não molhar os sapatos. Ele retirou a corda que prendia a barca a terra. Ela procurava o seu destino na névoa. Ele pegou nos remos de madeira. Aos braços lançava-os para a frente e para trás, com perfeita noção do esforço preciso que precisava colocar em cada movimento para ter a máxima eficácia. A barca parecia impertubável pela corrente, como se as forças da natureza não tivessem influência no seu movimento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Quando&lt;/strong&gt; chegou à outra margem a mulher procurou o caminho por onde veio, mas agora era este que estava desaparecido na neblina. Depois olhou o barqueiro. Sem uma palavra ele começou a remar de volta. Ela sabia que não ia precisar de uma viagem de regresso. Ela sabia o que queria. Quando olhou viu-a. Era uma torre sem fim. Para chegar até ela era só seguir o mesmo carreiro de terra batida que sempre seguira até àquele rio sem nome. Sempre o mesmo caminho, claro como se não houvesse nenhum outro. E, porém, nunca o tinha visto antes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt; sol rejubilou numa placa de metal que encimava a porta de entrada da torre. Então a mulher teve a certeza que, se nem tudo o que luz é ouro, pelo menos é bonito. Bastava-lhe. Ela tinha também a certeza que era a mesma coisa. Havia na placa uma palavra. As palavras têm sempre muitos sentidos dísparos. E esta, que estava escrita em português, era uma palavra só dela?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;A &lt;/strong&gt;torre guardava uma escada longa, longa como a torre, sem fim que se esperasse, mas com um céu que se adivinhava. Uma escada em espiral, a ascensão última depois de tantos quilómetros de caminho plano, tantos quilómetros que não são possíveis de contar. Começa-se pelo primeiro degrau. Depois o segundo. O corpo solta-se como se fosse um só com a alma e voa porque, como se sabe, as almas são as coisas mais leves do mundo, as consciências é que lhes pesam e as prendem à terra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt; apesar de ter acordado tantas vezes sempre na mesma cidade sem saber que um dia a rua que sempre percorria daria a uma floresta, a um homem e ao seu rio e a uma escada tinha agora quase a certeza de ter preparado todas essas manhãs para este momento.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-113778603769321288?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/113778603769321288/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=113778603769321288' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/113778603769321288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/113778603769321288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2006/01/stairway-to-heaven.html' title='Stairway to Heaven'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-113637920315439175</id><published>2006-01-04T12:45:00.000Z</published><updated>2006-01-04T12:53:23.166Z</updated><title type='text'>Novo blogue e um "poeta nocturno"</title><content type='html'>&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt; meu novo blogue, menos literário, chama-se &lt;a href="http://pelomundoadentro.blogspot.com"&gt;pelo mundo adentro&lt;/a&gt;... Têm uns minutos que he possam dispensar? Ele agradece...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt; depois para falar de um tal de &lt;a href="http://dn.sapo.pt/2006/01/04/artes/morreu_o_poeta_nocturno.html"&gt;António Gancho&lt;/a&gt;... Parece que era poeta e louco... Pergunto eu, não o somos todos um pouco???&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Gostei&lt;/strong&gt; dos &lt;a href="http://geocities.yahoo.com.br/poesiaeterna/poetas/antoniogancho.htm#Sobre%20Uma%20Manhã%20Qualquer"&gt;poemas&lt;/a&gt; dele, que descobri agora, pela sua morte, quando o artista mais é apreciado - destinos! -, que até fazem muito sentido, pelo menos para mim - talvez seja defeito meu, que descubro sentidos em tudo e insignificância em coisa nenhuma...- e mesmo que não fizessem são belos, e espontâneos, e isso é quase tudo o que se pode pedir a um poema.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-113637920315439175?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/113637920315439175/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=113637920315439175' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/113637920315439175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/113637920315439175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2006/01/novo-blogue-e-um-poeta-nocturno.html' title='Novo blogue e um &quot;poeta nocturno&quot;'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-113451351815546790</id><published>2005-12-13T22:36:00.000Z</published><updated>2005-12-13T22:38:38.166Z</updated><title type='text'>Coisas Simples 6</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Primeiro&lt;/strong&gt; foi o nada. Depois o alguma coisa. O Universo nasceu e cresceu e fez-se grande. Por razões desconhecidas grandes blocos sólidos, com atmosferas gasosas começaram a gravitar de blocos ainda maiores em órbitras excêntricas. Sem que ninguém saiba porquê, num desses blocos criou-se a água. E depois vieram os primeiros seres vivos. E os segundos. Sem que ninguém saiba quando, apareceram uns seres vivos que decidiram chamar excêntricas às órbitas dos blocos. E planetas aos blocos e às atmosferas respectivas. Esses seres vivos não são coisas simples.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Primeiro&lt;/strong&gt; foi o negro. Depois abri os olhos e era tudo branco outra vez. Olhei os meus olhos reflectidos na lâmina da faca. O metal de uma lâmina é frio e insensível e corta. Mas quando eu olho o metal eu vejo os meus olhos nele. O metal é humano e existe. O metal não é uma coisa simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu&lt;/strong&gt; gosto das coisas que não são simples. Talvez só as coisas que não são simples existam verdadeiramente. E então talvez eu ame mais as coisas que existem sobre as que não existem. Mas os nossos sonhos. Os nossos sonhos não são simples. E quando acordamos eles desaparecem e são mais nada que o ar. E o ar já é tão nada que é díficil imaginá-lo como alguma coisa. É até díficil sonhá-lo. Mas a existência é uma coisa complicada. Agora eu não quero pensar mais acerca da existência.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu&lt;/strong&gt; levanto-me e caminho até à sala. Havia uma faca sobre a mesa da cozinha. Agora fecho o meu punho sobre o seu cabo negro. O negro também é uma cor. As cores são ilusões de óptica. Não são coisas simples.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há&lt;/strong&gt; um piano na sala. Há um longo piano de cauda na sala. Eu não sei tocar piano. Os meus dedos pesam sobre as teclas do piano. As teclas são mais pesadas do que parecem. A pressão nas teclas fez soar um acorde sem harmonia nem doçura. Porque eu não sei tocar piano. Mas há um piano na sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu&lt;/strong&gt; não o sei tocar e ele é meu. E eu vivo aqui. Eu vivo nesta sala onde existe um piano. O que me leva a pensar se eu realmente vivo aqui e se aquele piano é realmente meu. Porque eu não compreendo aquele piano. E se algo pode ser de alguém, então só pode ser de alguém que compreende esse algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Comprei&lt;/strong&gt; o piano numa tarde de Novembro como esta. Não sei, nem nunca soube, se o piano era um bom piano. Foi caro. Estava a poupar para comprar um automóvel. Naquela tarde chovia e eu olhei para a rua ladeada de prédios. Havia placas nomeando churrascarias, oculistas, ourivesarias, clubes de vídeo. Pessoas que subiam e desciam a rua. Um semáforo e uma passadeira. Um contentor do lixo que era verde e de metal. E então eu decidi que devia comprar um piano. Dos de cauda. Dos dos filmes e dos concertos de orquestra. E dos dos sonhos que deixam de existir quando acordamos. O piano foi caro. Mas isso não é importante. O automóvel também era caro e também não era necessário. Se eu ia gastar o meu dinheiro, podia gastá-lo num piano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Às &lt;/strong&gt;vezes penso que gostava de tocar piano. Eu não conheço ninguém que toque piano. Eu gostava de conhecer alguém que tocasse piano. E então pedíria, Toca piano para mim. Às vezes penso que gostava de ouvir tocar piano. Ou então diria, Ensina-me a tocar piano. E então tocaríamos piano a quatro mãos. Ou, quando estivesse sozinho, podia tocar piano para mim mesmo e imaginar que éramos mais que duas mãos.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Penso&lt;/strong&gt; A casa é grande e vazia. Mas a casa tem um piano. E o som preenche os espaços vazios. Mas ninguém sabe tocar piano e a casa é grande e vazia. Às vezes gosto de me deitar no chão e sonhar com alguém que sabe tocar piano ou com o som do piano ou com o nada. Mas não gosto de acordar e ver o sonho desvanecer-se e saber que nada existiu.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quando&lt;/strong&gt; imagino fecho os olhos. Foi do nada que se criou o tudo. Ou o que agora é tudo e amanhã só alguma coisa. Isso não é importante. O que é importante é a evolução do nada nas coisas que vemos e tocamos e sonhamos. E eu todos os dias acordo e espero que não seja um sonho. Mas é sempre um sonho. Um dia eu comprei um piano. Mas acordo todos os dias e nunca há nada no mundo real à minha espera. Amanhã não quero acordar e descobrir que não há no dia nada do que eu sonhei à noite.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-113451351815546790?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/113451351815546790/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=113451351815546790' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/113451351815546790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/113451351815546790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/12/coisas-simples-6.html' title='Coisas Simples 6'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-113338491869337865</id><published>2005-11-30T21:05:00.000Z</published><updated>2005-11-30T21:08:38.706Z</updated><title type='text'>Coisas Simples 5</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt; primeira coisa que descobriu quando abriu os olhos foi que o tecto era branco. Noutra ocasião isso não teria qualquer importância. Naquele instante era a única coisa que sabia. O que sabemos é sempre importante. O quanto sabemos nem tanto. O tecto era branco. E liso.&lt;br /&gt;Não se lembrava do nome. Não sabia porque estava ali. O tecto era branco. Um tecto branco é uma coisa que existe. Sabe bem saber que existe. Talvez não existisse. Mas aquele homem que agora olhava o tecto branco não era desses que questionavam a existência das coisas. Há algo de especial em saber que a realidade é real assim. Sem mais perguntas, sem impertinências. O tecto é branco, pensou, e sentiu-se real. O tecto era branco. Naquele instante era a única coisa que ele sabia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt; tecto é branco, pensou novamente. E depois concluiu que Os tectos brancos cansam. Fechou as pálpebras. O escuro. Temos os olhos fechados. Nós não vemos nada de olhos fechados. Mas o escuro que vemos de olhos fechados é tão real como o tecto branco. O zumbido de uma mosca. A mosca pousou sobre o parapeito. Ou sobre o braço de alguém. Depois ouviram-se passos no corredor. Eram passos distantes. Depois tornaram-se passos próximos. Alguém entrou na sala, percorreu o corredor. Disse qualquer coisa. Era um homem. Tinha voz grave, texturada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Chamo-me&lt;/strong&gt; Joaquim, pensou o homem, o que estava deitado e sabia que o tecto era branco. Veio como uma revelação. Sem que se saiba bem porquê. Em conveniente momento, diga-se. Assim podemos distinguir o homem de voz grave do outro que sabe que o tecto é branco. Ficamos é sem saber se esta conveniência é desígnio de algo que nos é superior ou se é simples coincidência. E esta designação, a de simples coincidência, é, em verdade um paradoxo, porque as coincidências não são simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os&lt;/strong&gt; passos voltaram a soar. Devia ser o homem da voz grave, que voltava a onde viera. Pausa. Depois novamente o som da sola dos sapatos sobre os ladrilhos do chão. Uma porta abriu-se e fechou-se. Não se ouviram mais passos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já&lt;/strong&gt; sei muita coisa, congratulou-se Joaquim. E era verdade. Há poucos minutos atrás não sabia nada. Depois que o tecto era branco. Depois que há silêncios frios neste mundo. Depois que neste mundo sobram também as moscas. E que estas zumbem. E que ainda habita por aqui alguém que caminha. O que nos lembra que existem sapatos e pessoas que os calçam e solos em que se caminha. E ainda que esse alguém tem uma voz grave. Agora descobria Joaquim que se chamava Joaquim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tentou&lt;/strong&gt; lembrar-se. Onde estou?, pensou. Onde quer que seja, este lugar existe. Tenho a certeza. Talvez nada exista. Mas isso não é relevante. Pelo menos para mim. Onde estou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não&lt;/strong&gt; conseguia mexer os braços. Nem tão pouco rodar a cabeça no pescoço. O cansaço prendia-lhe os movimentos. E depois havia outros impedimentos físicos. Algo que ele não sabia o que era, porque não podia ver. Mas eu explico. Era um complicado sistema de longos tubos de plástico transparente e de fios que brotavam de braços. Os fios ligavam-se por sua vez a um monitor. E uma máscara de oxigénio cobria-lhe a boca.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-113338491869337865?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/113338491869337865/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=113338491869337865' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/113338491869337865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/113338491869337865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/11/coisas-simples-5.html' title='Coisas Simples 5'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-113294125690691209</id><published>2005-11-25T17:49:00.000Z</published><updated>2005-11-25T17:54:16.920Z</updated><title type='text'>O Caso</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Ele&lt;/strong&gt; fez da boca um sorriso que não era um sorriso. Fez da boca um esgar sádico e prepotente. Era verdade que palavras como sádico e prepotente não constavam do seu dicionário, mas isso nunca lhe impedira de ser sádico e prepotente. O seu dicionário era, de resto escasso em vocábulos. A sua biblioteca resumia-se a uns escassos livros de capa dura, ornamentando uma prateleira. Um de Albert Camus, outro de Dostoievsky e ainda um Guia de Restaurantes de Mil Novecentos e Noventa e Sete. Nenhum deles lido, à excepção do último, do Guia, que me ocorre agora ter tido uso em algumas ocasiões. O que se passou a seguir é história sabida. O homem puxou dos pulmões o ar; o oxigénio, o dióxido de carbono, o azoto fizeram vibrar as cordas vocais retesadas; as partículas atmosféricas vibraram, formando o que parece que se chama ondas sonoras; e um ouvido que era alheio ao homem de poucas letras vibrou também, em sintonia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Na&lt;/strong&gt; sala não havia a luz filtrada por persianas, nem a cadeira de couro, nem a mesa de madeira maciça, nem dois sapatos em cima dela, nem nenhum dos factores que contribuem para que nos apercebamos, num filme, que estamos perante um escritório de detectives. Eu tomava conta do caso. Não é confidencial. Também não é notícia de jornal. Talvez tenha sido abafada por instâncias superiores. Ou talvez já não seja notícia para ninguém. Ou talvez seja tabú.&lt;br /&gt;O crime é mais de tortura do que de assassínio. Vem-se arrastando de há tempos a esta parte. De há largos tempos a esta parte. Há quem diga, à boca pequena e de escárnio, que a vítima nasceu para ser assim martirizada até à morte. A vítima, embora de baixa estatura, era larga em recursos. Sempre em metamorfose permanente. Era usual que a vítima se deitasse sobre a palma de umas quantas mãos que a seguravam e a olhavam atentamente. Os corpos que as mãos possuíam tinham por vezes as costas recostadas em cadeiras de esplanada, outras vezes em confortáveis sofás. Alguns desses corpos deitavam-se sobre colchões de mola. Nessas ocasiões podia suceder que, passado umas horas, as mãos pousassem a vítima numa mesa de cabeceira e apagassem do candeeiro a luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vulgarmente&lt;/strong&gt; o caso é conhecido por Assassínio da Língua Portuguesa. As provas abundam. Infelizmente os suspeitos também e as penitenciárias não têm vaga para tanta gente. E mesmo que tivessem tem-se verificado existir um vazio legislativo no que respeita a esta matéria. Não sei se o irmão galego desta Língua anda melhor e mais feliz que ela, mas, falando a verdade, o caso não me diz respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt; verdade é que, apesar de tantas vezes ter sido anunciado o óbito da Língua, esta parece renascer das cinzas. Como se criasse vida da morte. E ainda enche as livrarias. Ou as bibliotecas, para quem se queixa que o papel impresso anda caro e de que a vida não está fácil. E, em lugar de falecer, agonizada, tem-se dito que evolui. Apesar de se ter perdido o pê agá para o éfe a Língua parece ter resistido incólume.  Ainda hoje vagueia por aí. Já não na ponta da pena de um Luís Vaz de Camões mas talvez no teclado do computador pessoal de José Saramago ou José Luis Peixoto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pedem-me&lt;/strong&gt; que trate do caso. Estou agora a pensar se o caso precisa de tratamento. Ou se a Língua se limita a desdobrar para satisfazer todas as necessidades. E que nunca se observará o consumar do Assassínio, mesmo que a própria vítima apareça estropiada em público, por ignorância ou falha, voluntárias ou não. Mesmo que entrem palavras estrangeiras pela fronteira, clandestina. E mesmo que tardemos mais em torná-las nossa propriedade – utilizando-a com uma ortografia e sonoridade nossas – do que elas em nos invadir. E mais do que pensar assim, tenho nisso grande esperança, porque em sendo a nossa Língua tomada por legiões lexicais que lhe são estranhas, ou em sofrendo homícidio por negligência perde Fernando Pessoa a pátria. O que, por ser um dos poetas que a poesia tem de melhor, ou antes, por uma outra razão muítissimo mais válida, que é a dele ser um poeta, seria, evidentemente, de lamentar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-113294125690691209?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/113294125690691209/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=113294125690691209' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/113294125690691209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/113294125690691209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/11/o-caso.html' title='O Caso'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-113241911691135678</id><published>2005-11-19T16:48:00.000Z</published><updated>2005-11-19T16:51:56.946Z</updated><title type='text'>Coisas Simples 4</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;A &lt;/strong&gt;janela estava aberta há muito tempo. Talvez ninguém tenha reparado ainda. Mas ontem choveu. Quatro dedos tocam as gotas de chuva no parapeito de madeira da janela. Os dedos eram brancos. Os dedos eram frágeis. E longos como os de um pianista. Ou como uma pessoa que tem os dedos longos. E os estica para alcançar a lua. Mas nunca a alcança. A lua sempre foi demasiado distante. Aqueles que já esticaram os seus braços com esse intento sabem do que estou a falar. Estava lua cheia e era uma noite de Novembro. Mas mesmo as luas cheias são distantes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os&lt;/strong&gt; dedos eram brancos e eram de Maria. Maria pensava em como Todas as noites de Novembro são iguais. Pensava-o como se não pensasse. Porque não lhe importava se por acaso todas as noites de Novembro fossem realmente iguais. Nem tão pouco lhe importava que provavelmente o não fossem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt; casa era grande. Ou talvez não fosse grande, mas era muito maior que Maria. A casa estava vazia. As casas grandes e vazias são apavorantes. As divisões parecem prolongar-se sem fim, num silêncio escuro e sem nome. Parece-se demasiado com o futuro, pensava Maria. A Maria não incomodava o escuro. A Maria não incomodavam os olhos e a visão. Incomodavam-lhe os sons, os gemidos, os estertores agitados de uma casa que dormitava sobre um passado inquieto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Maria&lt;/strong&gt; fechou a janela. Estava frio lá fora. A brisa fere como as verdades nuas. Agora a janela estava fechada. Recomeçou a chover. Maria encosta a sua mão à parede. Maria sentia a parede. Depois a mão perde-se no ar. No nada. Não, nada não. Era uma entrada. Maria entrou na sala. O chão era frio e Maria tinha os pés descalços. Toda a sua espinha se retorceu num arrepio. Maria seguiu em frente, pé ante pé. Maria sabia onde estava o banco. Estava dezoito passos a seguir à entrada da sala. Maria tocou o banco com a mão, girou sobre ele, sentou-se. Aconhegou-se no banco negro. Esticou os dedos. Os dedos eram brancos. Os dedos eram frágeis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt; longos como os de um pianista. As teclas são brancas para as oito notas principais. As teclas são negras para os meios tons entre as notas. Excepto entre o mi e o fá, que têm apenas meio tom entre si. Maria não sabe porquê. Maria sabe as teclas de memória. As brancas e as negras. E as músicas. As de Mozart, de Bach, de Schubert, e as de outros menos famosos que estes.&lt;br /&gt;Mas quando Maria tocava ela não se preocupava com nada deste mundo. E preocupava-se com muito pouca coisa do outro. Quando Maria tocava piano apenas tocava piano. As notas fluiam numa cadência tão óbvia que parecia ser a única coisa a bater certo no mundo. Nada no mundo é mais real do que isto, pensava Maria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os&lt;/strong&gt; pés moviam-se nos pedais. Os dedos nas teclas. A pressão era controlada minuciosamente. E as mãos deslizavam para a esquerda e para a direita no teclado. Percutiam-se as cordas. Piano, piano, meioforte, pianíssimo. Para lá da melodia era o abismo. O ruído ou o silêncio. Ou o que quer que fosse o abismo. O mundo era Maria, um banco preto de altura regulável, um longo piano de cauda, negro e luzidio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aquele&lt;/strong&gt; piano de cauda era a única extravagância de Maria. A bem dizer era o único objecto que Maria realmente alguma vez sentira necessidade. Ele era estritamente necessário. Talvez não fosse uma extravagância. Ela sabia que se podia perder no piano para toda a eternidade. Ficar ali, jejuando de comida e de bebida. Ficar ali sem dormir nem sonhar mais do que aquele momento eternamente presente de cordas sucessivamente presas e soltas que vibravam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt; único senão era que todas as músicas tinham um fim. As músicas de Maria geralmente entrelaçavam-se entre si numa só. Mas esta música também tinha um fim. Talvez como todas as coisas. Ou talvez não fosse um fim mas um novo príncipio. Talvez como todas as coisas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-113241911691135678?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/113241911691135678/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=113241911691135678' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/113241911691135678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/113241911691135678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/11/coisas-simples-4.html' title='Coisas Simples 4'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-113164545974076166</id><published>2005-11-10T17:55:00.000Z</published><updated>2005-11-15T23:49:38.010Z</updated><title type='text'>Coisas Simples 3</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Era&lt;/strong&gt; uma pessoa de hábitos. Adormecia sempre virado para a direita, mas acordava sempre para a esquerda. Colocava sempre os dois pés nos chinelos beges ao mesmo tempo. Sempre tivera chinelos beges. Rodava a maçaneta da porta do quarto com uma mão. Com a outra afagava o cão de pêlo negro e luzidio que sempre o esperava do outro lado. O cão esperava sempre do outro lado. Também naquele dia acordou. Para o lado esquerdo, como sempre. Calçou ambos os chinelos beges, rodou a maçaneta da porta do quarto com uma mão. Mas não havia nenhum cão de pêlo negro e luzidio esperando-o do outro lado.&lt;br /&gt;Se aquele homem alguma vez antes tivesse sonhado, teria julgado que aquilo era um sonho. Mas aquilo não era um sonho. O cão jazia, negro e prostrado a meio do chão do vestíbulo. O vestíbulo era muito, muito comprido. O vestíbulo costumava ser exíguo. Mas naquele dia era muito muito comprido.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As&lt;/strong&gt; suas mãos tremeram, como só a frustração pode fazer tremer umas mãos. Deitou-se no chão do corredor. O chão era frio e impassível. O chão não fala. Quando uma pessoa olha para o chão não vê nuvens, nem sóis, nem Primaveras. Duas lágrimas, transparentes como todas as lágrimas sinceras, brotaram-lhe dos dois olhos. Assustou-se, porque nunca antes tinha chorado. Ou talvez tivesse chorado antes. Mas se tinha chorado não se lembrava, e por isso era como se nunca tivesse chorado.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há&lt;/strong&gt; quatro anos que aquele cão o esperava fora do quarto. Ele não se lembrava de mais nenhuma data importante, excepto a de um dia de há quatro anos atrás. Era um fim de tarde. Chovia nesse fim de tarde. O cão espreguiçava-se em frente a uma porta de um prédio. O cäo pensava Esta porta de prédio é igual a todas as portas de prédios. Ou talvez não pensasse. Mas aquela porta de prédio era diferente de todas as portas de prédio. O homem chegou e olhou o cão. O pêlo negro e luzidio estava húmido e pingava. O cão ergueu a cabeça e olhou o homem olhos nos olhos. O homem nunca tomara decisões repentinas, muito menos em fins de tarde com chuva. Mas aquele não era um fim de tarde como todos os fins de tarde. Por isso o homem entrou no prédio, sacudiu o guarda-chuva preto na rua, olhou o cão olhos nos olhos e convidou-lhe a entrar. O cão entrou e sacudiu-se e encheu a entrada do prédio de gotas que eram transparentes como são transparentes as lágrimas sinceras.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ele&lt;/strong&gt; era um daqueles homens a quem nunca apeteceu perguntar porquê. Não era que ele não conhecesse a palavra. Simplesmente evitava-a quando podia. Ele preferia não perguntar porquê e continuar a chorar sem razão. Porque preferia assim nem ele sabe nem se incomodou a perguntar.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt; história do cão era diferente. Os cães não choram. Os cães ganem, latem, mostram nos olhos a sua dor. Mas os cães não choram. Este nunca teria chorado, porque sempre viveu numa espera quieta por algo que não sabia bem o que era. Os habitantes da rua de baixo sabiam quem ele era. Costumava espreguiçar-se em frente ao café. Por vezes deitava-se à sombra de uma das mesas da esplanada. Outras vezes preferia outros lugares. Gostava muito de se esticar na melancolia morna da calçada da rua aquecida por um sol de Verão.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt; café fechava às nove. O café só servia almoços. O café era pequeno. No fim do dia o dono do café costumava trazer uns quantos ossos e deixava-os para o cão de pelo negro e luzídio. O cão aproveitava roía bem os ossos. Por um lado aproveitava bem o que de comestível nos ossos. Por outro dava-lhe prazer cravar ali os dentes. Fazia-o como um jogo. Procurava algo que sabia não encontrar e encontrava satisfação nisso. Muitas vezes deixava os ossos do lado e vinha estender-se na calçada ou sob as mesas da esplanada. Ou noutros lugares, que às vezes preferia.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um&lt;/strong&gt; dia o café não abriu. Fechou às nove, como sempre, mas o dono não apareceu no dia seguinte. Nem no dia a seguir a esse. Nem no dia a seguir. Pelo menos que o cão visse. Na porta um papel branco. Escrito com letras maiúsculas saídas de uma caneta de feltro azul, Para trespasse.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nem&lt;/strong&gt; no dia a seguir. E o cão decidiu tentar a sorte na rua acima. Na rua acima não havia nenhum café. Por isso o cão decidiu esperar por aquilo que não sabia o que era em frente a uma porta de entrada de um prédio. O cão não gostava disso porque pensava As portas de entrada dos prédios são todas iguais. Ou talvez não pensasse. Mas aquela não era.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt; homem não tinha mais lágrimas para chorar. Quando choramos há sempre um momento em que paramos. E em que a realidade nos aparece. E parece-nos tão dura que muitas pessoas a questionam. Não esta. Esta nunca a questionava. Ele levantou-se. Depois afagou o pêlo do cão. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;O cão estava morto. O homem não sabia o que se faz com um cão morto. O homem nunca se lembrara de pensar que o cão podia morrer. O homem preferia não o fazer.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ele&lt;/strong&gt; pensou Tenho que ir trabalhar. Já passava meia hora da hora a que ele costumava saír de casa. Essa era a oitava hora, e agora eram oito e meia. Ele estava surpreendido por descobrir o quão pouco importante isso era. Decidiu não tomar o pequeno almoço. Nem tomar um duche. Nem fazer a barba, como todas as manhãs. Vestiu-se apenas e depois saiu e esperou o autocarro.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt; homem entrou no autocarro. Olhou o condutor. O condutor tinha o olhar fixo nos passageiros que entravam. Mas o condutor não os olhava. Olhava mais além, como um ponto indefenido. O homem escolheu um lugar ao acaso. A única condicionante era que ficasse junto de uma janela pela qual visse os cães spreguiçarem-se na rua. Os prédios pareciam mover-se, o mundo parecia andar para trás. Mas o homem sabia que era o autocarro que se movia e não tinha muita esperança de estar errado. O autocarro parou novamente.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pela&lt;/strong&gt; janela o homem viu um cão rafeiro perder-se na esquina da rua. Viu uma lata de refrigerante vazia. Um saco de plástico esvoaçante e amarelo. A parede clara mas suja de um prédio. Uma paragem de autocarro. E depois um corpo humano estendido no chão. O homem amava o cão que desaparecera atrás de uma esquina. Mas o homem não amava o homem que estava estendido no chão. O homem esperou que o condutor fizesse a chamada. Deve ter ligado para a ambulância, pensou. Depois esperou mais um pouco. O autocarro estava parado há alguns minuto. Disse,&lt;br /&gt;– Importa-se de pôr o autocarro a andar?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alguns&lt;/strong&gt; passageiros concordavam que não havia razão para delongas e não queriam chegar atrasados. Outros não concordavam. Porque o homem podia ter algo de grave. Ou porque tinham curiosidade. Ao homem que olhava cães pela janela do autocarro isso não importava. Ele só queria que alguém ouvisse a raiva, a impotência na sua voz enquanto dizia&lt;br /&gt;– Importa-se de pôr o autocarro a andar?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Havia&lt;/strong&gt; quem pensasse que ele era egoísta. Era verdade. As pessoas que amam com aquela urgência de quem pode amar para sempre mas quer amar tudo naquele momento... As pessoas que amam são muitas vezes muíto egoístas.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-113164545974076166?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/113164545974076166/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=113164545974076166' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/113164545974076166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/113164545974076166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/11/coisas-simples-3.html' title='Coisas Simples 3'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-113105453738365741</id><published>2005-11-03T21:45:00.000Z</published><updated>2005-11-15T20:35:18.080Z</updated><title type='text'>Coisas Simples 2</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Eram&lt;/strong&gt; oito e trinta e dois da manhã quando um homem chegou à central de autocarros. Vestia uma gabardina de um verde esmaecido. A gabardina estava seca. A marca da sola dos seus sapatos aparecia em relevo na terra húmida. Choveu ontem à noite, pensou. A água acumulava-se em poças de água dispersas pelo largo espaço de alcatrão. Era óbvio que tinha chovido ontem à noite. Mas a ele não lhe importava se a conclusão era óbvia.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Antes&lt;/strong&gt; de entrar no veículo olhou para a direita. Inspirou o ar fresco matinal. Sentia-se nervoso. Mas aquele momento era mais um entre todos os momentos dos últimos treze anos. Sentou-se no lugar de condutor. Abraçou com as duas mãos o largo volante. Depois pôs o autocarro a trabalhar. Olhou pelo espelho retrovisor. Com a mão direita pôs a alavanca das mudanças em marcha atrás. Manipulava a alavanca com gestos mecânicos. Meteu a primeira. O condutor tinha quase a certeza que podia fazer o percurso de olhos vendados. Fazia rodar o volante por entre as mãos sem pensar se virava à esquerda ou à direita. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt; primeira paragem. As portas abriram-se com um som de alívio. As pessoas que esperavam na paragem entraram. O condutor gostava de ver entrar as pessoas. Não era como se olhasse cada pessoa nos olhos. Não era como se lhes decorasse as rugas na testa ou os contornos dos lábios ou a forma do nariz. Cada pessoa é em si própria uma pessoa. Muitas pessoas é, no seu todo, outra pessoa. Ou talvez seja uma palavra qualquer. Apenas uma palavra qualquer dita por uma boca qualquer para ser escutada por um ouvido qualquer. Ou para se perder num vazio qualquer. O condutor não pensava nisso. O condutor apenas gostava de ver entrar as pessoas. Um condutor deve ter pensamentos concretos. Esperar que todos os passageiros entrem. Fechar as portas. Arrancar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt; segunda paragem. O condutor pressionou o botão. As portas abriram-se com um suspiro profundo. O condutor gostava de ver entrar as pessoas. Mas fazia-o com um olhar melancólico. Ele olhava mais além. Num ponto indefinido. Quando voltou a fechar as portas pensou Está a chover. Accionou os limpa pára-brisas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt; terceira paragem. As portas abriram-se com um som taciturno. O condutor olhou para a sua direita. Atrás das pessoas que entravam, um homem. As pálpebras do homem cerraram-se em silêncio. Depois o seu corpo caiu sobre si mesmo. No meio da calçada. O condutor procurou o telemóvel. Ligou o cento e doze. Depois olhou os passageiros pelo espelho. Depois olhou novamente o homem caído no chão. Era a primeira vez em treze anos que acontecia algo assim. É a primeira vez em treze anos que me acontece algo assim. O homem caído parecia ter uns setenta anos. Os cabelos eram completamente brancos. Os seus óculos largos de haste castanha e lentes rectangulares tinham voado trezentos sessenta e seis centímetros adiante. As unhas das mãos eram curtas demais. As mãos estavam cravadas de rugas e veias. Vestia uma camisa com linhas de tons pastel intersectando-se em quadrados.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt; condutor começou a aperceber-se de um rumor de protesto. Atrás de si. Sentiu todo o corpo aquecer. As suas faces ruboresceram. Alguém disse, numa voz rancorosa,&lt;br /&gt;– Importa-se de pôr o autocarro a andar?,&lt;br /&gt;os outros protestavam num múrmurio. O condutor esperou, com as faces ruborescidas. Nove minutos e trinta e seis segundos. O gutural som da sirene da ambulância chegava urgente aos ouvidos do condutor. Nove minutos e quarenta e sete segundos. A luz azul da sirene apareceu no espelho retrovisor. Depois arrancou.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Sabia&lt;/strong&gt; que um seu colega estaria a conduzir outro autocarro brevemente para aquela mesma paragem. Sabia que na quarta paragem outras pessoas o esperavam, ansiosas e agitadas. Não sabia porque não tinha arrancado com o autocarro. Parecia-lhe óbvio. Tão óbvio quanto impossível de explicar. O óbvio é uma coisa complicada. Penso nisso mais tarde.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-113105453738365741?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/113105453738365741/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=113105453738365741' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/113105453738365741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/113105453738365741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/11/coisas-simples-2.html' title='Coisas Simples 2'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-113075197129970876</id><published>2005-10-31T09:45:00.000Z</published><updated>2005-10-31T09:46:51.926Z</updated><title type='text'>Pensamento</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;Se há fim no Universo não é ali.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-113075197129970876?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/113075197129970876/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=113075197129970876' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/113075197129970876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/113075197129970876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/10/pensamento.html' title='Pensamento'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-112920141594455121</id><published>2005-10-13T12:02:00.000+01:00</published><updated>2005-10-13T12:03:35.953+01:00</updated><title type='text'>Coisas Simples 1</title><content type='html'>&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Muitas&lt;/strong&gt; figuras públicas dizem que gostam de coisas simples. As coisas simples são coisas fúteis. Eu não gosto de coisas fúteis, eu não gosto de coisas simples. Muita gente gosta de coisas complicadas, mas não o sabem dizer. Não existem palavras simples de dizer: as palavras complicadas referem-se a coisas simples, e as palavras simples a coisas complicadas. Eu gosto de coisas complicadas, da chuva a bater na janela, de árvores nuas, nos meses de Inverno, da silhueta tosca dos bancos de madeira.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Estou&lt;/strong&gt; a comer uma macã numa manhã de Novembro. Comer macãs em manhãs de Novembro é uma coisa complicada. Eu gosto de coisas complicadas. Olho pela janela. A rua acaba por se dissolver no nevoeiro. Dúvido que exista alguma coisa para lá desta rua. Não é uma rua comprida, nem larga, mas é a maior rua que se pode ver da minha janela.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por&lt;/strong&gt; trás de cada uma das janelas de cada um dos prédios da minha rua existe uma história. Todas as histórias são complicadas, porque nenhuma história é só uma história. Uma história a passear na rua encontra-se com muitas outras histórias, para, dá dois dedos de conversa. E as histórias multiplicam-se, cruzam-se, aprendem, desenvolvem, morrem mas não se desvanecem na memória perpétua do leitor. Por trás de cada uma das janelas de cada um dos prédios da minha rua existe uma pessoa. Existem muitas pessoas na minha rua. Mas nenhuma dessas pessoas está ao meu lado. Nenhuma sentada sobre aquele pequeno banco vacilante. É por isso que, por mais longe que estenda o meu braco não toco nenhuma mão humana. Toco apenas o ar, ínsipido na sua insignifiância.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt; ar é tão nada que é díficil imaginá-lo como alguma coisa. É tão ínvisivel, tão frio, tão repleto de segredos indesvendáveis. É como se não existisse. As coisas que não existem oprimem-me, sufocam-me. Eu amo todas as coisas que não existem. Sinto os dentes cravarem-se na macã. Sinto a polpa rígida esmorecer em sumo. Depois arremeco o que sobra da macã para o caixote. Sinto tudo de forma tão real que chego a imaginar que nada do que sinto existe.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há&lt;/strong&gt; uma faca sobre a mesa da cozinha. O cabo é negro e simples. A lâmina, longa e afiada, de aco inoxidável, espelha a minha cara. Olho-me nos olhos. Os meus olhos são castanhos. Já me tinha esquecido da cor dos meus olhos. A cor dos meus olhos é apenas uma coisa que eu vejo na lâmina de uma faca, não é importante. A cor dos meus olhos é aquilo que me define. Aquilo que me define não é importante. Nunca ninguém se interessou pela cor dos meus olhos.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Antigamente&lt;/strong&gt; eu costumava pensar nas coisas que existem como as únicas reais. Agora já não me interessa saber se as coisas que não existem são reais ou não. São as que eu amo. Nunca amei as coisas reais. As coisas que não existem têm mais existência que as coisas que existem, porque eu as amo.Se eu inclinar um pouco a lâmina, a minha face desaparece. A lâmina enche-se do branco do tecto e da parede. O branco não é uma coisa simples. Fecho os meus olhos. O negro não é uma coisa simples. Há quem diga que o negro não existe, porque é o que resta quando todos os olhos se fecham, quando todas as luzes se apagam, quando a cor se ausenta. Há quem diga que o negro não exist e é por isso que acredito no negro.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-112920141594455121?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/112920141594455121/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=112920141594455121' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/112920141594455121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/112920141594455121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/10/coisas-simples-1.html' title='Coisas Simples 1'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-112806414374688823</id><published>2005-09-30T08:06:00.000+01:00</published><updated>2005-09-30T08:09:03.750+01:00</updated><title type='text'>Pensamento</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;As coisas más são sempre menos importantes do que parecem.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-112806414374688823?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/112806414374688823/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=112806414374688823' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/112806414374688823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/112806414374688823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/09/pensamento.html' title='Pensamento'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-112706828815027175</id><published>2005-09-18T18:05:00.000+01:00</published><updated>2005-09-18T19:31:28.156+01:00</updated><title type='text'>parte 1</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Tinha&lt;/strong&gt; cabelo curto e negro como os olhos, como a noite, e uma fé inabalável em Deus.  Às vezes podía-se vê-la pela janela de uma casa de madeira, o seu cabelo ao vento, enquanto ela se sentava em frente ao lago, as pernas encolhidas, os joelhos de encontro ao queixo, os olhos profundos fitos na água. Não estava ali no dia em que o pai morreu, quando as suas primeiras rugas se desenhavam sob a franja curta e os seus olhos estavam vermelhos e húmidos das lágrimas e a garganta rouca, mas no dia seguinte sim, com uma expressão melancólica e a cabeca baixa e os seus dedos rocando ao de leve a água fresca do lago. E então num murmúrio baixo, rezou e agradeceu a Deus tomar o seu pai a Seu lado e depois olhou novamente o céu e depois a água e depois o nada. As pessoas são díficeis de entender.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Nunca&lt;/strong&gt; se via ninguém naquele lago a não ser ela, nem sei mesmo se existia alguém a viver na casa de madeira que a pudesse ver pela janela e provavelmente era por isso que a encontrávamos ali. Mas um dia apareceu um homem também, que vagueava à deriva por carreiros de terra batida e sentou-se ao pé dela à beira do lago; e depois continuou vagueando e ambos permaneceram em silêncio. Ela voltou no dia seguinte, ele não.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;Mas ele voltou a aparecer. Sentou-se ao pé dela, depois agarrou o seu pulso, cerrou a mão e quebrou-lhe o nariz, depois percorreu o seu corpo com as mãos, depois olhou-a nos olhos, depois sentou-se novamente, sem nunca largar os pulsos dela e depois perguntou-lhe,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;- Porque&lt;/strong&gt; é que acreditas em Deus?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;- Porque&lt;/strong&gt; as pessoas são díficeis de entender.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-112706828815027175?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/112706828815027175/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=112706828815027175' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/112706828815027175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/112706828815027175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/09/parte-1.html' title='parte 1'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-112405999643471196</id><published>2005-08-14T23:51:00.000+01:00</published><updated>2005-08-14T23:53:16.446+01:00</updated><title type='text'>...</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Acordou&lt;/strong&gt;, sobressaltado. Tinha tido um desses sonhos obscuros que por vezes assaltam as noites de rompante, sem aviso. Todas as luzes se tinham apagado e restava apenas a débil chama de uma vela. E todo o amor do mundo existia apenas à sua luz: depois desaparecia num negro mar de sombras onde se advinham as formas dos corpos. Sentiu os lábios aquecerem com a proximidade da chama. E, enquanto pensava, com amargura que todo o sentimento humano se podia extinguir simplesmente naquele preciso instante apenas com o sopro dos seus lábios, acordou, sobressaltado. Por vezes, pensava Homero enquanto calçava os chinelos, podemos prever os dias pela forma como acordamos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Sentia&lt;/strong&gt; os seus passos pesarem cadenciados sobre o piso de madeira. Estacou momentaneamente, a meio caminho no hall entre o quarto e a cozinha. Tinha a certeza de ter ouvido um ruído. Sentiu-se impelido a abrir a porta de entrada. Do lado de lá o mundo parecia ter-se esvaído no ar. Sobrava a atmosfera: umas quantas nuvens esponjosas e brancas, um vibrante céu azul, um sol redondo brilhando intensamente. As situações inesperadas, como esta, sujerem sempre cautela, medo e desconfiança. Porém, naquele instante específico, o absurdo avivou a curiosidade de Homero, que decidiu lançar-se à deriva no ar. Homero sentiu pesar no seu corpo pesar a força gravítica que não o atraía agora a um segundo corpo, como seria de esperar, mas antes à ausência dele. A queda parecia interminável, mas finalmente terminou no local onde ainda ontem devia ter estado o centro da Terra.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Homero&lt;/strong&gt; não estava só. Aliás, encontravam-se ali várias pessoas discutindo calorosamente. Como uma delas lhe explicou amavelmente. a história do mundo terminava ali. À falta de novas ideias para executar, encerrava-se ali o mundo. De qualquer forma, considerava um homem com ar pensativo, não há dúvida de que este mundo saiu uma bela obra. Bastante interessante do ponto de vista artístico. A bom dizer, pensava Homero, estes discursos não pareciam fazer grande sentido, mas, como aliás o seu bom espírito crítico não deixou de lhe lembrar, nenhuma parte daquele dia parecia de resto explicável com os dados que aquilo que se supunha realidade oferecia até agora.&lt;br /&gt;            – Portanto deixem-me ver se eu entendo: isto da Terra não passa de uma grande história inventada por uns quantos artistas agora, que perderam todos a inspiração, ela termina, assim, sem mais nem menos, nem sequer um E viveram felizes para sempre?&lt;br /&gt;            – Bom, sim, podemos por a questão nesses termos…&lt;br /&gt;            – Mas e então e aventuras, hã, aventuras? Têm a certeza que isto é o melhor que conseguem fazer?... Romance, tentaram o amor? Nunca se torna repetitivo o amor… Um confronto talvez! Um confronto duro, brutal, lendário, por causas! Não?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Como&lt;/strong&gt; resposta recebia apenas negativos acenos de cabeça. Homero esticou a mão e agarrou um pedaço de nada. Depois olhou o céu. O dia nunca se apagaria agora. Nenhuns lábios se voltariam a beijar. Nenhumas palavras se voltariam a encontrar. Homero sentiu-se perdido. A partir desse dia decidiu deixar a escrita e dedicar-se ao sonho.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-112405999643471196?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/112405999643471196/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=112405999643471196' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/112405999643471196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/112405999643471196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/08/blog-post.html' title='...'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-112300549606705570</id><published>2005-08-02T18:57:00.000+01:00</published><updated>2005-08-02T18:58:16.076+01:00</updated><title type='text'>A paragem</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Um&lt;/strong&gt; dia parei, à berma de uma estrada qualquer. Pensei, todas as estradas são uma qualquer. Depois pensei, não me lembro do dia em que comecei a viajar. Eu não era propriamente um viajante: o viajante, mesmo que não tenha um ponto de partida preciso tem sempre um local de chegada definido. Acreditava eu então que viajava pelo prazer de viajar, mas naquele dia, em que parei à berma de uma estrada qualquer, apercebi-me de que não era bem assim. Só quando nos esquecemos do príncipio e do meio das coisas sem fim é que temos noção de que, afinal, talvez nem gostemos delas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Deitei-me&lt;/strong&gt; num pedaço de relva e comecei a tentar lembrar-me. Foi nessa altura que descobri uma coisa assustadora: não me lembrava de nada. Procurei na carteira mas não havia uma fotografia, um papel rabiscado, um bilhete que marcasse o local de partida. Chamaram-me muita coisa ao longo da vida mas, neste momento preciso, nada do que me chamaram se parece com o meu nome.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Estava&lt;/strong&gt; perpetuamente preso num mundo estrangeiro, pensei. Por mais que procurasse, por mais que viajasse, não encontrava a minha língua, a minha família, os meus amigos. É assim que nos perdemos.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Deitado&lt;/strong&gt; num pedaço de relva vi o sol extinguir-se e espelhar-se na lua. Procurava nas estrelas uma explicação, um sentido. Naquela noite nem as palavras faziam sentido. Sozinhas pareciam não existir e por mais que as tentasse juntar apareciam-me sempre desconexas, absurdas. &lt;strong&gt;Tentei&lt;/strong&gt; dormir, mas os meus olhos não se fecharam. Decidi-me a ficar à espera.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ela&lt;/strong&gt; apareceu, como se fosse a lua, ou um pedaço de noite. Disse:&lt;br /&gt;– Aqui é o teu lar.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não&lt;/strong&gt; percebi o que ela quis dizer, mas naquele momento o entendimento pareceu-me muito pouco importante.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-112300549606705570?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/112300549606705570/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=112300549606705570' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/112300549606705570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/112300549606705570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/08/paragem.html' title='A paragem'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-112181545634188544</id><published>2005-07-20T00:22:00.000+01:00</published><updated>2005-07-20T18:20:46.130+01:00</updated><title type='text'>A minha avó era uma bailarina</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Maria&lt;/strong&gt; pousa a mão sobre o mármore frio da bancada da cozinha. O ar está cheio de aromas quentes e doces. No forno o bolo de laranja cresce, torna-se esponjoso e apetitoso. Maria retira-o usando uma apenas a mão que protege com a pega. Estamos no Outono – pela janela observam-se as cores, quentes e nostálgicas como o olhar de um velho preso ao passado. Maria senta-se num banco de madeira e descansa a cabeça contra a parede, e deixa-se ficar naquele estado de letargia que está entre o dormir e o permanecer acordado. A engrenagem da memória é uma coisa complicada: tanto pode estar bem oleada e engatar facilmente como principiar morosamente a rebuscar episódios mais ou menos distantes, que até podem parecer pertencer a outras vidas. Com as pálpebras cerradas, Maria começa a lembrar-se, de forma lenta e díficil da sua mãe. Era uma figura efémera, quase sombra nos jogos de luz, e dela pouco mais sabia do que contavam as fotografias, ainda por cima desapropriadas das cores e amarelecidas pelo tempo, e do que diziam um ou outro familiar disperso. A única coisa que sabia ao certo da mãe era que ela acalentava o sonho de ser bailarina. Nunca ouvira o pai falar dela. Supunha que tinham alguma relação com isso os longos suspiros que o seu pai dava até há onze anos atrás, quando ainda era vivo, diante de uma garrafa de vinho tinto. E hoje, agora, sem que nada o fizesse prever, Maria lembra-se da sua mãe. No escuro da sua mente aparece a mãe de Maria, a mesma das fotografias embora parecesse mais velha, desfocada e iluminada por uma luz esmaecida que escorria da janela daquela mesma cozinha. Sentada ali mesmo, no mesmo banco de areia. Os seus olhos estavam imersos num imenso nada, presos. Eram secos, impossível serem mais secos, queriam chorar e não podiam. A cozinha estava afundada em brumas, a mão apoiava pensativamente o seu queixo, todo o seu corpo estava dobrado para a frente. O lábio inferior tremia-lhe. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Do&lt;/strong&gt; silêncio vazio da casa, em que destoava sinistramente o ruído do frigorífico a trabalhar, brotou o som grotesco da porta de madeira a abrir-se, das passadas largas do pai de Maria caminhando em direcção à cozinha. Cambaleava um pouco. O álcool turvava-lhe a vista.&lt;br /&gt;– O jantar não está pronto?&lt;br /&gt;Sente-se o silêncio sepulcral.&lt;br /&gt;– Que merda é esta?&lt;br /&gt;Segredos subitamente sós saem do desassossegado sossego. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt; som das costas das mãos do pai de Maria caindo pesadamente sobre a face da sua mãe eram brutais. A cabeça da mãe de Maria tombou com a violência, primeiro para um lado, depois para o outro, e repetiu-se o acto. Depois ficou tombada, no silêncio renovado de significado renovado. Ela deixou-se ficar ali, esquecida. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt; marido saiu, ia certamente comer à taberna. A mãe de Maria abandonou a cozinha, deu um beijo na testa da filha pequena que assistira a tudo, sentada no último degrau da escada de madeira que ligava os dois pisos, e saiu, de vez, daquela casa. Era uma noite fria de Inverno, mas mesmo que fosse Verão aquela seria sempre uma noite fria de Inverno.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Maria&lt;/strong&gt; ergueu a cabeça, de súbito, alerta. Saiu da cozinha, súbiu a escada de madeira, entrou no quarto da filha. Os passos ressoam por toda a casa, os sons multiplicam-se em ecos nas paredes brancas e frias. Maria pega na filha ao colo e leva-a; saiu daquela casa para nunca mais voltar. Um dia contar-lhe-á as histórias da avó bailarina. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt; bolo ficou queimado, esquecido no forno.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-112181545634188544?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/112181545634188544/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=112181545634188544' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/112181545634188544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/112181545634188544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/07/minha-av-era-uma-bailarina.html' title='A minha avó era uma bailarina'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-112130103497332624</id><published>2005-07-14T01:28:00.000+01:00</published><updated>2005-07-14T12:05:43.336+01:00</updated><title type='text'>Noite de Inverno</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Senti-me&lt;/strong&gt; subitamente sozinho:&lt;br /&gt;não que até então eu estivesse acompanhado e de súbito fosse deixado só;&lt;br /&gt;não que eu só então tivesse descoberto o significado de estar sozinho;&lt;br /&gt;não que até aí pensasse na solidão mais como na companhia do que como a amargura de uma série de nãos numa noite de Inverno &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;(lá fora neva); &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;não que subitamente senti-se, e nesse instante de principiar a sentir, me senti-se sozinho;&lt;br /&gt;não que a manta de ilusões cristalizadas, de formas poliédricas e regulares e espelhadas se tivesse repentinamente quebrado em mil estilhaços;&lt;br /&gt;não que os sons se tenham esgotado abruptamente;&lt;br /&gt;não que me tenha apercebido, pela primeira vez, de que não interessa o que faço se ninguém me olha;&lt;br /&gt;não que me tenha apercebido que ninguém me olha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lá &lt;/strong&gt;fora corre uma aragem fria. Ponho a minha cabeça de fora, recebo nos poros da pele a sensação gélida e cortante do frio extremo. Abro os olhos. Lá fora existem muitas pessoas, as pensativas sentadas em bancos de madeira caiados de verde, as que injuriam o automobilista que as ultrapassou, as que esperam pacientemente, talvez alguém, talvez a alvorada, as que conversam numa cumplicidade de olhares e toques, sem palavras&lt;br /&gt;(como se fossem inúteis ou fúteis, ou não existissem),&lt;br /&gt;as que chegam aos magotes e as que saem aos magotes, de e para algum sítio que se perde nas fronteiras negras do céu negro, as que inspiram cada pedaço de ar como se fosse o primeiro. Apercebo-me súbitamente da vida lá fora, &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;(não faço parte dela).&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Sinto-me&lt;/strong&gt; enclausurado. As paredes aproximam-se e sufocam-me. Redúzido a uma partícula de pó imaterial, puramente conceptual, viajo na crina das palavras ditas pelos lábios de todo o mundo, e das não ditas pelos lábios que em todo o mundo se tocam e se fundem num acto de amor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;(fundem-se os corpos e as ideias,&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;cai o pano&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;sobre a noite de inverno do outro lado da janela)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-112130103497332624?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/112130103497332624/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=112130103497332624' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/112130103497332624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/112130103497332624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/07/noite-de-inverno.html' title='Noite de Inverno'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-112067587182519489</id><published>2005-07-06T19:45:00.000+01:00</published><updated>2005-07-06T19:51:11.836+01:00</updated><title type='text'>Um dia arrancou;</title><content type='html'>&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Finalmente&lt;/strong&gt;, deixava as estradas entupidas&lt;br /&gt;(– Deve ter havido alguma acidente)&lt;br /&gt;e entrava no parque de estacionamento do centro comercial. Por cima uma vara branca e rubra marcava a altura máxima dos veículos destinados a entrar. Estendeu o braço para a maquineta amarela. Carregou num botão verde, em troca a máquina emitiu um pequeno cartão verde claro. Recebeu-o. A cancela abriu, e ele entrou. Mais uns quatro ou cinco carros, em que ia reparando à vez, deambulavam pelo parque em busca de um lugar – mas nada, o estacionamento estava lotado, as caixas marcadas com tinta branca no chão estavam todas ocupadas. Virou à direita. Nada. Virou à esquerda. Depois novamente à esquerda. Nada. Pelo canto do olho viu, em frente, à direita um lugar vazio. Tentou virar, mas foi obrigado a parar. Um peão estava a atravessar a passadeira. Quando este chegou ao seu destino já a merecida posição que o ocupante do veículo vira tinha sido ocupada por um automóvel verde. Num instinto que era uma mistura de fúria cega e de desilusão impulsiva, saiu do carro em passo rápido, decidido, irado para pagar a meia hora que passara às voltas no parque, e depois deixou rapidamente o lugar, lançando-se numa corrida solitária e desenfreada por caminhos casuais e desconhecidos. Sentiu o espírito libertar-se abruptamente e iluminar-se todo, como se antes daquele momento estivesse estado encarcerado naqueles labirintos urbanos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ligou&lt;/strong&gt; o rádio, mas para ouvir música. Se dava notícias, informações de trânsito ou spots publicitários ou se simplesmente o locutor se excedia na sua narração, o condutor rapidamente esticava o seu indicador para avançar para a estação seguinte. A música é uma boa companheira de viagem, pensou. Não quis entrar na autoestrada. Meteu-se antes pelas estradas nacionais que nunca tinha percorrido. Abriu completamente as janelas, mas o ar lá fora estava mole, pesado, parado, quente, não arrefecia em nada o interior abafado do veículo.&lt;br /&gt;Pelo vidro do pára-brisas sucediam-se paisagens: montes altos e de formas singulares que se sucediam e se apagavam no céu, planícies repletas de oliveiras, rios correndo debaixo de antigas pontes de pedra, mantos verdes onde crescem plantas das mais variadas cores e formas, ao longe pequenas aldeias de casas caiadas de branco e telhados vermelhos. Já divagava por esses caminhos de asfalto há quase duas horas. O ponteiro da gasolina continuava estranhamente anunciando um depósito meio-cheio, mas o condutor sentia o carro leve. Decidiu-se a parar na bomba de gasolina mais próxima, pelo sim, pelo não. Mas é precisamente quando toma esta decisão que a viatura se recusa a andar mais e vai abaixo. Duas ou três tentativas bastaram para frustrar o homem e convencê-lo que, dentro do automóvel, nada podia fazer. Limitou-se a empurrá-lo, usando de todas as suas forças, para a berma da estrada deserta, por forma a não perturbar os demais que pudessem vir a passar por ali. Depois seguiu a pé os sinais brancos rectangulares, com letras pretas, que indicavam povoações na proximidade, até encontrar uma vila, uma aldeia, uma casa que fosse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Calculava&lt;/strong&gt; ter andado aí uns dois quilómetros até encontrar, finalmente, sinais de vida humana. Aproximou-se de uma casa ao acaso, tocou a campainha.&lt;br /&gt;– Quem é?,&lt;br /&gt;perguntou alguém, de lá de dentro, e depois, mais próxima da entrada, repetiu&lt;br /&gt;– Quem é?,&lt;br /&gt;ao mesmo tempo que abria a porta. É mesmo caso para perguntar Quem é, pensou a senhora, enquanto mantinha a preocupação de deixar a mão esquerda na maçaneta, nunca o vi por aqui, donde será que ele vem? Deve ter vindo de Lisboa certamente, concluiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt; homem esse, sentiu o seu corpo aquecer e a face ruborescer, enquanto tentava recordar-se de quem era e porque razão estava ali.&lt;br /&gt;– Desculpe mas o meu carro ficou sem gasolina sabe-me dizer qual é a bomba mais próxima?,&lt;br /&gt;disse-o sem vírgulas, sem pausas, sem espinhas, reparando no olhar suspeito com que a mulher o focava. Este ar um pouco atrapalhado do homem traquilizou a mulher, que retirou finalmente a céptica mão da maçaneta.&lt;br /&gt;– Agora só na cidade, e isso ‘inda fica a uns dez quilómetros daqui, não vai chegar até lá empurrando o carro. Porque não chama o reboque?&lt;br /&gt;– Tem razão, realmente... Diga-me então que sítio é este... E já agora, há por aí uma cabine telefónica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quando&lt;/strong&gt; o homem saiu dali devia estar a sentir-se menos confuso, pelo menos era isso que perspectivara, mas lentamente, ao sair do efeito da decisão momentânea e repentina que tomara horas antes, e ao não encontrar uma explicação racional para o facto de estar ali, achou-se mais desorientado do que em qualquer outra altura jamais se achara. Num tom de voz baixo lamentou o facto de, quando reconhecemos o que os nossos olhos veêm como realidade, quando estamos no estado que poderíamos denominar normal, termos sempre que arranjar uma explicação racional para as nossas atitudes. É quase como se a presença das outras pessoas nos obrigasse a reflectir sobre o que fazemos, e ainda por cima nos limitasse a forma de o praticar. Isto porque não podemos alegar seguir os nossos instintos, o que nos parece extremamente lógico nestas situações: a explicação tem que ser racional sobre a ópticas dos outros.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-112067587182519489?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/112067587182519489/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=112067587182519489' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/112067587182519489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/112067587182519489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/07/um-dia-arrancou.html' title='Um dia arrancou;'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-111930016379957506</id><published>2005-06-20T21:42:00.000+01:00</published><updated>2005-06-20T21:46:06.520+01:00</updated><title type='text'>Adormeceu</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Um&lt;/strong&gt; dia acordas, lá ao fundo o sol afoga-se nas águas quentes do mediterrâneo. Não percebes, de imediato, porque acordas quando a noite já quase chegou. Ergues o teu corpo, estendes o braço, e tocas a água, tão límpida. A maré está a súbir e alcançou-te. Não te lembras quem és, apenas do que não és. Com a mão direita encontras uma concha. Tacteia-la e aprendes a conhecer as estrias que a percorrem. Inspiras fundo, e enches os teus pulmões de maresia. Fechas os olhos. As tuas costas tombam para trás. Está calor, muito calor. Lentamente, os teus membros cedem ao torpor. O toque fresco e súbtil do mar vem acariciar-te os pés. Não sabes exactamente onde estás, tens apenas a leve sensação de que isso não é importante. Apetece-te deixares-te assim, quieto nas quietudes da praia. Uma ou duas gaivotas cortam o céu. Ouves o burburinho do mar que vem e vai, e parece-te distante. Alguns grupos de pessoas conversam. A pouco e pouco o céu incendeia-se e escurece, e as pessoas vão deixando a praia. Tu permaneces. A água já te abraça os joelhos. Sentes-te leve como a pena de uma ave caindo suavemente sobre a areia. Sentes o planeta rodar. Sentes, numa brisa mais forte, a textura da areia. Sentes tudo o que te rodeia levitar. Adormeces, mas não reparas. A linha que separa o sonho da realidade aparece-te tão ténue que não podes deixar de pensar que talvez não exista.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-111930016379957506?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/111930016379957506/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=111930016379957506' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/111930016379957506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/111930016379957506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/06/adormeceu.html' title='Adormeceu'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-111913403282926588</id><published>2005-06-18T23:12:00.000+01:00</published><updated>2005-06-18T23:38:50.623+01:00</updated><title type='text'>...poderia ter sido uma história de amor (II)</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Por&lt;/strong&gt; entre a camada esponjosa de nuvens, o sol espreguiça os seus longos braços luminosos por sobre o mar e ilumina: o mar envolve a areia num abraço carnal, seguro, mas o sol e a lua andam fugidos ou desencontrados, buscam-se no céu, mas na manhã em que um aparece a outra foge, e na noite em que um se vai a outra regressa. Na areia junto ao mar moldam-se as formas dos pés de um homem e dos pés de uma mulher; sentaram-se ali, naquele monte de areia; e agora, a maré subia e inundava as palavras dessa história por contar.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Havia&lt;/strong&gt; sete noites que a poetisa estava em casa. O seu rosto era pálido, de um branco quase doentio, uma tonalidade frágil, como uma boneca de porcelana. Os seus olhos castanhos fixavam o tecto com o olhar profundo de quem sente vida nas coisas mortas. Havia sete noites que não escrevia. Nessa noite não escrevera ainda.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não&lt;/strong&gt; se sentia bem, nem sequer se sentia melhor do que nos dias anteriores, e porém sentiu-se de tal maneira atraída por esse mar que levitava lá ao fundo que não resistira ao chamamento: saiu de casa nessa noite. A noite estava fria; as ruas desertas. Aquela era uma pequena vila piscatória que se enchia de turistas no Verão e de silêncio no Inverno. A poetisa chegara à praia; descalçou os chinelos que trazia, embrulhou-se melhor no casaco. Andou à beira-mar. Sentou-se na areia.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sorriu&lt;/strong&gt;. Tinha uma certeza - ou melhor um sentimento subjectivo e sem sustentação, mas na altura não lhe parecia haver qualquer diferença - de que alguém iria ali estar ainda naquela noite. Depois olhou. Talvez... e deixou-se enlear num desse agradáveis mantos de ilusões, como quem lê um romance ou vê uma pintura.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Havia&lt;/strong&gt; tantas palavras por dizer, tantos versos por escrever! Com um ramo de madeira, começa por escrevinhar um poema. O último verso deixa-o. Por escrever.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-111913403282926588?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/111913403282926588/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=111913403282926588' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/111913403282926588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/111913403282926588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/06/poderia-ter-sido-uma-histria-de-amor.html' title='...poderia ter sido uma história de amor (II)'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-111903468069588729</id><published>2005-06-17T19:47:00.000+01:00</published><updated>2005-06-18T23:37:46.106+01:00</updated><title type='text'>...poderia ter sido uma história de amor ( I )</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Os&lt;/strong&gt; raios de sol que, esparsos, furam já as nuvens tornam a crista de cada onda numa lâmina esbranquiçada e refulgente. A praia está vazia. E na areia restam as marcas de uma história a dois: as pegadas de um par de pés grandes e ligeiramente encurvados para dentro e um outro de pés súbtis, femininos, pequenos as pegadas cravadas na areia húmida, são lentamente apagadas pela maré crescente; e além aquele monte de areia que ainda marcava o local em que eles se sentaram, esvai-se numa onda mais afoita e extensa.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há&lt;/strong&gt; sete noites, um poeta esperançado, estava sentado à sua secretária: a folha de papel à sua frente permanecia vazia. Pela janela via os edifícios baixos e brancos alongarem-se até à praia. Uma ou outra vivenda chegava mesmo a invadir a areia, mas essas não se viam da janela. Depois via o mar agigantado: como se se tivesse lançado num salto de conquista e depois tivesse estacado, indeciso. Esperava o poeta que desse mar saltassem versos inspirados; que esse mar possuísse em si todas as palavras necessárias do mundo na ordem perfeita; que esse mar tivesse em si o sal e os peixes nadando e os versos sobejando. E há sete noites que o poeta se mantinha acordado - a folha permanecia vazia.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt; eis que, nessa noite, um poeta desiludido deixa o apartamento; a noite está fria. Corre no ar uma brisa cortante. Decidido, o poeta aconchega-se mais no seu blusão, e avança na direcção da praia. Descalça os sapatos, e caminha com os pés nús pela areia molhada, e senta-se num pequeno monte de areia, provavelmente obra de uma qualquer criança no fim da tarde. Olha o mar. Despe o blusão e entra na água do mar, com a t-shirt e as calças. Sai ensopado; os versos pingam-lhe dos fios de cabelo, escorrem-lhe pelas costas. Olha o céu, pejado de estrelas cintilantes. E depois olha a areia, e vê (é um poema esculpido com um pequeno pedaço de madeira; mas! falta-lhe um verso!; aproxima-se; pega no pau) e escreve.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Em&lt;/strong&gt; breve nascerá o sol, e iluminará todas as coisas de uma forma diferente. O poeta está certo disso; levanta-se e sai,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;um poeta esperançado.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-111903468069588729?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/111903468069588729/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=111903468069588729' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/111903468069588729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/111903468069588729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/06/poderia-ter-sido-uma-histria-de-amor-i.html' title='...poderia ter sido uma história de amor ( I )'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-111764868817493846</id><published>2005-06-01T18:57:00.000+01:00</published><updated>2005-06-01T19:01:11.703+01:00</updated><title type='text'>Era um talvez sim...</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;...peremptório, como um&lt;strong&gt; não.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-111764868817493846?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/111764868817493846/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=111764868817493846' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/111764868817493846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/111764868817493846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/06/era-um-talvez-sim.html' title='Era um talvez sim...'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-111645551469687309</id><published>2005-05-18T23:27:00.000+01:00</published><updated>2005-05-19T18:06:00.833+01:00</updated><title type='text'>Sinfonia No. 1 em D maior</title><content type='html'>&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Um &lt;/strong&gt;rubor mais intenso preencheu as faces de um rosto tão criança. Suava todo paixão e arte. De infantil só não tinha as mãos finas e brancas, de dedos longos, de pianista - porventura disformes, mas tão belas, aquelas mãos! - que estendia pelas teclas brancas e pretas do piano com um talento instintivo. O mestre tinha os olhos fixos no pequeno Hans e na música improvisada que abandonava a cauda distante e negra do piano com uma melódica suavidade. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As&lt;/strong&gt; mãos de Hans continuavam a dança sobre aquele doce céu de baunilha e chocolate, as mãos também elas cantantes e melódicas, flutuando, enchendo o ar de notas tão fluídas e naturais que pareciam existir desde a criação do Mundo. Tanto que o Conselheiro abandonou de imediato a sala, desajeitado e trouxe Sua Sereníssima e Altíssima Majestade para ouvir aquele harmónico rio que descia pelo comprido piano de cauda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sua&lt;/strong&gt; Sereníssima e Altíssima Majestade infelizmente não entendia nada de música, tinha um ouvido desgraçado, e uma inabilidade inata para tudo o que exigisse esforço. Estava ali disposto a aplaudir o que o Conselheiro aplaudisse. De resto apenas se vangloriava nas cortes estrangeiras de ser o grande mecenas dos grandes artistas, muitos dos quais, afinal, achava maçadores, mas que tolerava porque o Conselheiro lhe segredava ao ouvido, Óptimo músico não acha? Os nossos serões musicais são certamente invehados em toda a Europa, e então ele fazia um sorriso cansado e enfastiado e respondia que sim, que sim, que eram realmente muito bons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas&lt;/strong&gt; aquilo era diferente, completamente diferente. E mesmo a Sua Sereníssima e Altíssima Majestade pareceu a música divina. Era realmente maravilhosa. E com que destreza fazia do repetido martelar das cordas música aquele rapaz! As teclas brancas perdiam-se na alvura das suas mãos, prolongamento inevitável...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sim&lt;/strong&gt;, sim, disse Sua Sereníssima e Altíssima Majestade, sim, sim, temos que o ter cá, na corte, trate disso, e o mestre sorriu, sim, sim, agora todos os teatros do país abririam as suas portas ao púpilo, e ele próprio granjearia da fama que como pianista nunca conseguira obter. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-111645551469687309?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/111645551469687309/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=111645551469687309' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/111645551469687309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/111645551469687309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/05/sinfonia-no-1-em-d-maior.html' title='Sinfonia No. 1 em D maior'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-111581520853489116</id><published>2005-05-11T12:21:00.000+01:00</published><updated>2005-05-11T13:46:21.636+01:00</updated><title type='text'>Diálogo a uma só voz sobre viver cada dia como se fosse o primeiro</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;- Sabe&lt;/strong&gt;, a Mónica estava mesmo decidida a viver os seus dias como se fossem o último, sabe?&lt;br /&gt;Dizia-o, com a sua voz rouca e lacrimejante, um senhor alto, com as costas curvas pelo esforço de olhar a realidade cá em baixo com os seus castanhos olhos miúdos. Não falava para ninguém, apenas para toda a gente. Vinha todo vestido de negro, que ostentava como única flor o seu sorriso nostálgico, saudoso, desses que acontece quando nos perdemos nas fabulosas memórias de um passado que nunca existiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt; tinha sido aquele o seu último dia da sua vida terrena. Encontraram-na havia duas noites, deitada no chão, com os braços estendidos sob o chão frio de azulejos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mónica&lt;/strong&gt; acordou, logo de manhã, sentiu-se vazia. De uma prateleira baixa do armário tirou uma caixa vermelha e abriu-a sobre a cama. Tirou as cartas de tarôt e virou-as uma&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;(carta da morte)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;a uma,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;(carta da morte)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;virou-as todas com o mesmo gesto e sempre saía a mesma figura,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;carta da morte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Era&lt;/strong&gt; aquele o seu último dia. Sabia-o. E decidiu vivê-lo como se fosse o último. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Tinha&lt;/strong&gt; tudo escrupolsamente planeado desde os cinco anos: sempre soubera que curso ia tirar, com quem ia casar e em que idade, quando compraria a casa... E socorrera-se sempre dos métodos de adivinhação para evitar os imprevistos que surgissem. Acabara de escrever a autobiografia de toda a sua vida aos dezoito anos, e estava convicta de que não teria que mudar nem uma linha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Mas&lt;/strong&gt; não planeara isto: um dia, sentia-se vazia, um dia, uma, duas, tantas cartas de tarôt!, um dia, carta da morte, um dia morreria só numa casa gelada e quase sem janelas, só um quarto, uma sala, uma cozinha, pouco mais. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Não&lt;/strong&gt; se ouvia na rua o som de uma alma que fosse. Ninguém a percorria com o rosto fechado, dentro de um kispo azul, de um sobretudo verde ou de uma parka vermelha, olhando o céu cinzento e revolto. Apenas o metódico rufar da chufa caíndo sobre o telhado dos prédios, sobre o capôt dos automóveis mal estacionados, sobre o alcatrão da estrada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Era &lt;/strong&gt;aquele o seu último dia. Sabia-o. E decidiu vivê-lo como se fosse o último.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;"Mónica&lt;/strong&gt; teve uma vida preenchida. Deu a volta ao mundo a bordo de um veleiro. Tornou-se uma actriz famosa. Frequentou os locais mais respeitados. Ficou milionária com apenas trinta e dois anos." Era o que se lia na obra que contava a sua vida. Mas não! A verdade aparecia-lhe agora assim, horrenda: morreu só, trancada num quarto. Sabia agora que tinha que preencher rapidamente a sua vida com o conteúdo das trezentas e setenta e seis páginas daquele livro; acelerar a vivência de mais cinquenta e sete anos e resumi-la a um dia só.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Pensou&lt;/strong&gt; no que ia fazer naquele dia todo o dia; e esse pensamento consumiu-a. Viu chegar a lua com angústia e desnorte. Nesse dia a lua iluminava bem toda a rua, e penetrava magníficamente na cozinha pela única janela de todo o apartamento. Com os pés descalços, e envergando apenas a camisa de noite que nunca tinha chegado a despir, Mónica entrou na cozinha, sentindo o chão gelado sob os seus pés, e decidiu tomar um comprimido para dormir. Esqueceu de ler a posologia, porém, e tomou duzentos e cinquenta e três comprimidos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Foi&lt;/strong&gt; aquele o seu último dia da sua vida terrena. Encontraram-na naquela noite, deitada no chão, com os braços estendidos sob o chão frio de azulejos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-111581520853489116?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/111581520853489116/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=111581520853489116' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/111581520853489116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/111581520853489116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/05/dilogo-uma-s-voz-sobre-viver-cada-dia.html' title='Diálogo a uma só voz sobre viver cada dia como se fosse o primeiro'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-111399869277223489</id><published>2005-04-20T12:51:00.000+01:00</published><updated>2005-04-20T13:04:52.776+01:00</updated><title type='text'>Norge</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Ele&lt;/strong&gt; pensava que já tinha visto tudo ali, e que ali não havia mais nada a ver. Pensava assim há já algum tempo, quando decorou todas as pedras da calçada, quando começou a desenhar de cabeça a trajectória curvilínea da estrada, quando sabia o número de lugares de estacionamento e memorizou as matrículas de todos os automóveis que customavam passar por ali; conhecia as cores do céu no príncipio do dia, no fim da tarde, nas noites de lua cheia e de lua nova. Assim, aquele local, de que era prisioneiro por estranhos caprichos de um certo narrador, apresentava-se-lhe como o mais enfastiante dos lugares, por ser facilmente memorizável.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Realmente&lt;/strong&gt; conhecia tudo naquela rua; sabia até retratar perfeitamente as feições de um homem velho que por vezes passava as suas tardes sentado num banco verde, de madeira. Conhecia até a sua voz, sem nunca ter conversado com ela. Naquele dia decidiu-se, e aproximou-se do idoso, e interpelou-o, e disse-lhe:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;- Não há nada de novo aqui.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;O &lt;/strong&gt;velho sorriu, um sorriso triste e gasto, mas aberto e franco, respondeu-lhe:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;- Sobe para aqui para cima do banco. Estás a ver, talvez, daí, um ninho, lá ao fundo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Não&lt;/strong&gt; teve outra hipótese senão admitir vê-lo e desconhecê-lo. E o velho tornou:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;- Tu nem a ti te conheces quanto mais esta rua!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Então,&lt;/strong&gt; pela primeira vez, pensei de mim para comim que talvez não fosse personagem mas escritor, e que talvez seja eu que me prendo a esta rua limitada pelo meu olhar limitado. Olhei a rua de novo e, súbitamente, tudo me era estranho e diferente...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-111399869277223489?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/111399869277223489/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=111399869277223489' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/111399869277223489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/111399869277223489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/04/norge.html' title='Norge'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-111399780916581994</id><published>2005-04-20T12:43:00.000+01:00</published><updated>2005-04-20T12:50:09.166+01:00</updated><title type='text'>Nada a dizer</title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-111399780916581994?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/111399780916581994/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=111399780916581994' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/111399780916581994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/111399780916581994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/04/nada-dizer.html' title='Nada a dizer'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-111239735365211809</id><published>2005-04-02T00:01:00.000+01:00</published><updated>2005-04-02T00:15:53.656+01:00</updated><title type='text'>Uma palavra apenas</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Era&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;uma vez&lt;/strong&gt; um escritor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Olhou&lt;/strong&gt; pela janela: a cidade estende-se pela rua larga em que frutificam os vendedores ilegais, com a sua mercadoria estendida sobre grandes lenços azuis, vermelhos, amarelos, cada um vendendo o que tem para vender. Os turistas regateiam os preços, depois sorriem e pagam, ou desviam-se simplesmente. A tarde está velha, quase noite, e o sol está com sono. Ao escritor tudo naqueles rostos, naqueles gestos, naquelas palavras quase gritadas lhe lembrava a perfeição das imperfeições.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;À&lt;/strong&gt; sua frente o escritor tinha uma folha em branco, completamente em branco. Foram assim os grandes romances clássicos antes de serem escritos. Era um escritor que gostava de escrever à mão, com a sua habitual caneta, companheira fiel de tantas e tantas obras. Era escritor de muitos êxitos. O seu último livro já ía na segunda tiragem, ao fim de menos de dois meses: dezasseis mil exemplares tinham sido ontem entregues nas livrarias. Mas este escritor aspirava a algo mais: queria escrever o livro dos livros, o livro final, aquele que tem nele escrito tudo o que precisa de ser escrito, aquele que esgota todas as mensagens. Sonhara com esse livro toda a sua vida, e tinha já completado setenta e seis anos sem o conseguir escrever. Olhou novamente o sol caindo sobre a linha do horizonte e soube imediatamente que era naquele dia que o ia fazer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Corajosamente&lt;/strong&gt; olhou a folha, lívida, aterrorizada, temendo já a tinta que mancharia a sua alva brancura. Depois pegou na caneta, concentrou-se. Na sua cabeça ferviam ideias, emoções, retalhos de livros que leu ou estava para ler ou escreveu. Sabia finalmente o que tinha que escrever.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;O &lt;/strong&gt;seu livro rei de todos os outros tinha apenas uma palavra; tudo o mais eram folhas completamente vazias, em branco. Mas ele sentia-se finalmente feliz e completo. Tinha escrito a maior obra de todas as obras.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Viveu&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;feliz para sempre&lt;/strong&gt;; morreu uma hora depois.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-111239735365211809?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/111239735365211809/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=111239735365211809' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/111239735365211809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/111239735365211809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/04/uma-palavra-apenas.html' title='Uma palavra apenas'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-111209319196665383</id><published>2005-03-29T11:34:00.000+01:00</published><updated>2005-03-29T11:46:31.970+01:00</updated><title type='text'>Acordou.</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Acordou.&lt;/strong&gt; A primeira coisa que viu foi o tecto branco. Depois olhou para o lado, para a mesa de cabeceira, tentando focar as imagens que lhe apareciam com uma forma indistinta. Olhou para o outro lado e viu a cama, larga, os lençóis brancos com um vazio tão vazio que se sabia que aquele lugar pertencia a alguém que não lá estava.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Não&lt;/strong&gt; se lembrava de nada da noite anterior; nem da noite anterior nem de qualquer outra noite, nem de qualquer outro dia. Apenas sentia a seu lado um nada tremendo, um vácuo, um abismo de lençóis brancos, que afagava com a mão, como que em busca do que lá não estava. Sentia no ar um doce perfume de rosas, uma fragrância quase melódica, quase música por si própria.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Não&lt;/strong&gt; tinha dúvidas: ele amara. Ainda ontem ele amara, e hoje não sabia nem quem, nem como. Ele próprio já não se sabia: toda a sua vida passada caíra no esquecimento do vazio. Lembrava apenas as Leis do Mundo e da Vida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Preparava-se&lt;/strong&gt; para se sentir triste, e triste deixar-se deitado, mergulhado em tempos de felicidade de que não tinha recordação. Mas, depois, súbitamente apaziguado pela certeza quente de ter amado e de ter sido amado, descobriu-se ainda feliz por sentir ainda o amor de ter amado um dia.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-111209319196665383?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/111209319196665383/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=111209319196665383' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/111209319196665383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/111209319196665383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/03/acordou.html' title='Acordou.'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-111175059511313734</id><published>2005-03-25T11:32:00.000Z</published><updated>2005-03-25T11:39:10.600Z</updated><title type='text'>O Leitor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt; Leitor consumia os livros do príncipio ao fim, página a página, letra a letra. Devorava lentamente os caractéres, com volúpia. Ingeria gulosamente as metáforas e engolia, sem necessidade de bebericar o copo de água ao lado, todas as palavras, mesmo as mais intrincadas. Era um Leitor de apetite voraz: no fim da leitura sobrava apenas a capa, dura e intragável.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt; Leitor levantou-se e foi dar uma volta ao bairro para fazer a digestão.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-111175059511313734?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/111175059511313734/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=111175059511313734' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/111175059511313734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/111175059511313734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/03/o-leitor.html' title='O Leitor'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-111075032389011539</id><published>2005-03-13T20:51:00.000Z</published><updated>2005-03-13T21:45:23.896Z</updated><title type='text'>Mas</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;- Mas&lt;/strong&gt;,&lt;br /&gt;&lt;em&gt;         mas o quê? Já não sei... Parece tudo tão relativo.... Mesmo a rectidão das linhas dos prédios, mesmo o sol, mesmo a terra, mesmo o céu, nada é absoluto. E eu não sei. Penso noutra coisa, conto as luzes na cidade, as luzes no céu. E eu não sei, o que se sabe é relativo. O que se sabe é o que é, mesmo que não seja. Por isso não sei. E de repente mesmo um acto tão simples como contar estrelas parece impossivelmente abstracto. Tornam-se indefinidos os contornos da realidade, como num sonho. A realidade parece a percepção que temos dela e eu não sei mais. Então penso, mas o quê? Eu sei o que ia dizer, mas não sei exactamente porquê... Nesta infinita cadeia de acasos criou-se o mundo, criaram-se os animais e os homens, criou-se a língua, criou-se o meu ser, e tudo propiciou sempre este, mas. As escolhas parecem tropeçar umas nas outras, como as peças de dominó que caem sobre as peças seguintes. Valerá a pena?,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;- Mas o quê?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;- Mas nada... &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;e depois: tudo vale a pena, se a a alma não for pequena.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;-Mas,&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-111075032389011539?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/111075032389011539/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=111075032389011539' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/111075032389011539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/111075032389011539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/03/mas.html' title='Mas'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-111012982318144799</id><published>2005-03-06T16:59:00.000Z</published><updated>2005-03-06T17:23:43.186Z</updated><title type='text'>Time is money - and so what???</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt; tempo é relativo, mas toma absolutamente conta de nós. Devíamos, enfim, esquecermos o mundo a quatro dimenões, e contentarmo-nos com estas três em que nos movimentamos conscientemente, estas três dimensões espaciais; porque o tempo nos absorve e consome, sem que nós alguma vez consigamos recuá-lo ou apressa-lo. Tanto mais que esta sublime dimensão parece regozijar-se do nosso infortúnio: quando queremos que o tempo passe depressa os ponteiros do relógio são lentos, enfastiantes, demoram-se; quando queremos que o tempo seja vagaroso os ponteiros parecem saltar até posições horárias intermédias, tornando-se a uma da tarde nas três da tarde sem que pareça terem havido duas horas pelo meio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Esta &lt;/strong&gt;dimensão fez-nos seus escravos - para mais, temo bem que tudo seja afinal, um ciclo imenso, e que o tempo seja a mais gigantesca das ilusões humanas. Porque, pensando duas vezes, quem se lembrou de descobrir no ciclo de rotação da Terra sobre si mesma o dia, e na viagem do planeta à volta do Sol um ano? Quem, senão o homem se lembrou de se oferecer a estranha noção de que tudo passa, e de que o futuro chegará? Afinal, é apenas o mundo que se lembrou de andar a girar, a ziguezaguear por esse universo fora; e nós vimos nisso o futuro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Este&lt;/strong&gt; texto tende a tornar-se confuso como o tempo o é. Mas eu tento explicar de outra perspectiva: o futuro existe mesmo? Einstein provou que o tecido do tempo é permeável, e que podemos apressar o tempo, brincar com ele da mesma forma que ele brinca connosco. E que até, se conseguíssemos o impossível, poderíamos chegar a recuar ao passado. Proponho porém (enquanto nem todos possamos dominar a dimensão temporal e dela aproveitar-mo-nos) a abolição de todo o tempo, da areia que escorre nas ampulhetas à pedra que marca os sinais da sombra, os sinais do sol, da água das clepsidras aos caprichosos ponteiros de um grande relógio redondo. Proponho que façamos tudo com vagar, com a noção indefinida, animal e primitiva da vida. Sem agendas. Sem compromissos.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-111012982318144799?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/111012982318144799/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=111012982318144799' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/111012982318144799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/111012982318144799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/03/time-is-money-and-so-what.html' title='Time is money - and so what???'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110977927676180178</id><published>2005-03-02T15:48:00.000Z</published><updated>2005-03-02T16:02:17.583Z</updated><title type='text'>dores em minúsculas</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;dor dói;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;quarto escuro,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;vultos, sombras,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;adivinhas do mundo;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;olhos cegos, mundo cego;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;silhuetas recortadas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;na luz inexistente;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;passos que ecoam&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;profundamente&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;eternamente&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;constantemente&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;perpetuamente&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;sem cessar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;afinal, calas-te?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;porquê?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;calas-te?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;está escuro,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;ilumina;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;o fim corta as vozes entrecortadas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;o medo e a solidão&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;são sentimentos escuros;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;acendam a luz, falem;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;e ela é acendida e falam, mas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;a luz é mais escura que o escuro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;e o som mais mudo que o silêncio,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;e tu, aí,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;e tu, calas-te?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110977927676180178?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110977927676180178/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110977927676180178' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110977927676180178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110977927676180178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/03/dores-em-minsculas.html' title='dores em minúsculas'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110960336307615523</id><published>2005-02-28T15:06:00.000Z</published><updated>2005-02-28T15:09:23.083Z</updated><title type='text'>Amar</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Eu&lt;/strong&gt; quero amar, amar perdidamente! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Amar &lt;/strong&gt;só por amar: aqui...além...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;mais este e aquele, o outro e toda a gente...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Amar!&lt;/strong&gt; Amar! E não amar ninguém! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Recordar?&lt;/strong&gt; Esquecer? Indiferente! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;render ou desprender? É mal? É bem? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Quem&lt;/strong&gt; disse que se pode amar alguém&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;durante a vida inteira é porque mente. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Há&lt;/strong&gt; uma primavera em cada vida: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;é preciso cantá-la assim florida, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;pois se Deus nos deu voz foi prá cantar &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt; se um dia hei de ser pó, cinza e nada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;que seja minha noite uma alvorada, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;que me saiba perder...p'ra me encontrar... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;Florbela Espanca&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110960336307615523?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110960336307615523/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110960336307615523' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110960336307615523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110960336307615523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/02/amar.html' title='Amar'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110960293877580463</id><published>2005-02-28T14:59:00.000Z</published><updated>2005-02-28T15:02:18.776Z</updated><title type='text'>Entrei no café com um rio na algibeira</title><content type='html'>&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Entrei&lt;/strong&gt; no café com um rio na algibeira &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;e pu-lo no chão, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;a vê-lo correr &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;da imaginação... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt; seguir, tirei do bolso do colete&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;nuvens e estrelas &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;e estendi um tapete &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;de flores &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;a concebê-las. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Depois&lt;/strong&gt;, encostado à mesa,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;tirei da boca um pássaro a cantar &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;e enfeitei com ele a Natureza &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;das árvores em torno &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;a cheirarem ao luar &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;que eu imagino. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;E &lt;/strong&gt;agora aqui estou a ouvir&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;a melodia sem contorno &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;deste acaso de existir -&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;onde só procuro a Beleza&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;para me iludir dum destino.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;José Gomes Ferreira&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110960293877580463?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110960293877580463/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110960293877580463' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110960293877580463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110960293877580463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/02/entrei-no-caf-com-um-rio-na-algibeira.html' title='Entrei no café com um rio na algibeira'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110960249570141236</id><published>2005-02-28T14:51:00.000Z</published><updated>2005-02-28T14:54:55.710Z</updated><title type='text'>A minha aldeia</title><content type='html'>&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Minha&lt;/strong&gt; aldeia é todo o mundo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Todo&lt;/strong&gt; o mundo me pertence. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Aqui&lt;/strong&gt; me encontro e confundo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;com gente de todo o mundo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt; que a todo o mundo pertence. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Bate&lt;/strong&gt; o sol na minha aldeia &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;com várias inclinações. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Ângulo&lt;/strong&gt; novo, nova ideia; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;outros graus, outras razões.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Que&lt;/strong&gt; os homens da minha aldeia &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;são centenas de milhões.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Os&lt;/strong&gt; homens da minha aldeia &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;divergem por natureza. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt; mesmo sonho os separa, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;a mesma fria certeza &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;os afasta e desampara, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;rumorejante seara &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;onde se odeia em beleza. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Os&lt;/strong&gt; homens da minha aldeia &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;formigam raivosamente &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;com os pés colados ao chão. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Nessa &lt;/strong&gt;prisão permanente &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;cada qual é seu irmão. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Valência&lt;/strong&gt; de fora e dentro &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;ligam tudo ao mesmo centro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;numa inquebrável cadeia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Longas&lt;/strong&gt; raízes que imergem, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;todos os homens convergem &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;no centro da minha aldeia. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;António Gedeão&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110960249570141236?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110960249570141236/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110960249570141236' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110960249570141236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110960249570141236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/02/minha-aldeia.html' title='A minha aldeia'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110960215737209764</id><published>2005-02-28T14:47:00.000Z</published><updated>2005-02-28T14:49:17.376Z</updated><title type='text'>Porque os outros se mascaram mas tu não</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Porque&lt;/strong&gt; os outros se mascaram mas tu não &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Porque &lt;/strong&gt;os outros usam a virtude &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Para &lt;/strong&gt;comprar o que não tem perdão. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Porque&lt;/strong&gt; os outros têm medo mas tu não. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Porque&lt;/strong&gt; os outros são os túmulos caiados &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Onde&lt;/strong&gt; germina calada a podridão. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Porque&lt;/strong&gt; os outros se calam mas tu não. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Porque&lt;/strong&gt; os outros se compram e se vendem &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;E &lt;/strong&gt;os seus gestos dão sempre dividendo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Porque &lt;/strong&gt;os outros são hábeis mas tu não. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Porque&lt;/strong&gt; os outros vão à sombra dos abrigos &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt; tu vais de mãos dadas com os perigos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Porque &lt;/strong&gt;os outros calculam mas tu não. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Sophia de Mello Breyner Adresen&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110960215737209764?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110960215737209764/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110960215737209764' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110960215737209764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110960215737209764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/02/porque-os-outros-se-mascaram-mas-tu-no.html' title='Porque os outros se mascaram mas tu não'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110926761546470348</id><published>2005-02-24T17:41:00.000Z</published><updated>2005-02-24T17:55:23.693Z</updated><title type='text'>A noite é silenciosa</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt; noite é silenciosa, "e fez Deus separação entre a luz e as trevas"; a noite é silenciosa e nela tudo parece relativo. Crescem as sombras, os temores, os amores, sob a luz pálida do luar. Os caminhos parecem ganhar um destino, subitamente. Tudo é cheio dos nossos múltiplos eus que nos transbordam e ganham presença no que não é dito. De repente os nossos piores receios e os nossos mais profundo desejos tomam uma forma misteriosa e que nos é supeiror. Ficamos ali, sós, cogitando sobre tudo o que é a vida e a morte é - ou melhor: sobre tudo que é a vida e sobre tudo o que não é.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Lá&lt;/strong&gt; fora, por trás destas paredes, frias e alvas, esconde-se um mundo inteiro, uma série infinita de rostos, rostos, e por trás desses rostos há pessoas que pensam e estão sós como nós - como eu, que pronome mais solitário. Apagamos - apago a luz e deito-me e inundo-me de um nada que é muito do que o nada é. E durmo sob a noite;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;A noite é silenciosa.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110926761546470348?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110926761546470348/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110926761546470348' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110926761546470348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110926761546470348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/02/noite-silenciosa.html' title='A noite é silenciosa'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110910836149360229</id><published>2005-02-22T21:20:00.000Z</published><updated>2005-02-22T21:54:02.713Z</updated><title type='text'>Os versos</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Em &lt;/strong&gt;cima da mesa está uma vela - vê-la? A cera é de um encarnado vivo, a cor do sangue, gemendo e derretendo sob o calor da chama. Tem cuidado, não vá um desses longos suspiros apagar a vela; não pressiones o pavio entre os dedos nem sopres deliberadamente, porque esta vela quer-se acesa, como em vigília permanente. Não olhes com esses olhos, o lento marchar do fogo não agonia, é belo. Olha outra vez - vês?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt; chama é pequena e amarela e alumia um poema, mas de uma forma singularmente frágil, porque as letras e as palavras se perdem na brancura da folha de papel. O oxigénio é consumido e a cera vermelha derrete em pequenas gotículas que escorregam lânguidamente com o vagar de quem toda a noite; lá fora a abóboda celeste é novamente um tecto infinito para olhares contemplativos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;No &lt;/strong&gt;fim, num daqueles fins das histórias de encatar,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;"e viveram felizes&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;para sempre"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;a vela doura e ilumina dois versos do poema, a última, em que culminam momentos e sentimentos num grito de extâse. Lê-os, lê os versos:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;"&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;itmayb&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;elovemaybehate,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;youaretheonewhoknows .&lt;/span&gt;"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110910836149360229?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110910836149360229/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110910836149360229' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110910836149360229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110910836149360229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/02/os-versos.html' title='Os versos'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110858083492919587</id><published>2005-02-16T19:05:00.000Z</published><updated>2005-02-16T19:07:14.936Z</updated><title type='text'>Aquele Inverno</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Garantiam-me&lt;/strong&gt; que o silêncio gélido da manhã um dia passaria, que melhores dias viriam, que as nuvens eventualmente se dissipariam, que a chuva pararia de cair, mas a verdade é que aquelas manhãs eram sempre iguais, assim, escrevendo no vidro embaciado da janela mensagens de sentido oculto até para mim. No fundo, nem eu sabia se estava preparado para algo diferente, para um sorriso, ou sequer para um ligeiro sentimento de alegria. Naquele marasmo em que me tinha enfiado tudo era igual e ínsipido, e qualquer outro aroma era passível de me chocar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Escolhia&lt;/strong&gt; sempre o mesmo lugar no mesmo autocarro, que tomava todos os dias; às vezes sorria, mas fingia não sorrir, só para não deixar as outras pessoas desalentadas&lt;br /&gt; – Lá vai alguém que sorri, quem me dera poder sorrir assim,&lt;br /&gt;e acabava por me habituar a uma tristeza que não me pertencia a mim mas aos outros passageiros, aqueles seres tristes de semblante carregado, escondendo a rotina por trás dos jornais tablóides.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Um&lt;/strong&gt; dia vi-a, pela janela, que, excepcionalmente, não estava embaciada. Foi um momento fugaz, desapareceu, o autocarro virou a esquina, mas chegou para me fazer sorrir, o que nitidamente perturbou grande parte da minha vizinhança – não suportavam o mais leve rumor de felicidade que destoasse naquele silêncio pétreo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Apesar&lt;/strong&gt; de tudo, nunca ninguém chorou naquele autocarro, tenho a certeza, provavelmente porque ninguém tinha nada para chorar, só aquele infinito sentimento de que está tudo na mesma – inevitavelmente e à falta de gestos que mudassem esse estado, estava realmente tudo igual.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Naquele&lt;/strong&gt; dia o autocarro estava prestes a arrancar, eu sentado no mesmo lugar de sempre, e as expressões faciais como sempre fechadas, sérias, impávidas e solitárias. Mas ela entrou no autocarro. Sentou-se à minha frente, e sorriu. Indubitavelmente, aquele gesto irritou todos os restantes passageiros.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;– Como&lt;/strong&gt; se atreve?&lt;br /&gt;era a pergunta congelada nas bocas eternamente fechadas de todos eles. Eu, saturado daquele ar moribundo que possuía por complacência, olhei-a nos olhos e sorri também. Foi um sorriso tímido, e sei que ela reparou nisso. Já perdera o hábito, e era-me díficil atravessar o constrangimento de sorrir naquele autocarro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;– Não&lt;/strong&gt; fazes isso há muito tempo, hã?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;– Não.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Um&lt;/strong&gt; último olhar, pesado e invejoso, procurou as minhas costas, enquanto eu abandonava o autocarro, de uma vez por todas. Um dia ou outro, tinha que abandonar aquele autocarro porque, decididamente, o Inverno não é para mim. Deixei no vidro embaciado um poema, um poema que não sabia escrever, e ela ficou abandonada áquelas palavras mudas de passageiros taciturnos que cobiçavam o seu cândido e ingénuo sorriso. Correram no vento boatos que a negra expressão da tragédia mundana fez desvanecer um dia esse seu sorriso, mas tenho esperança, para bem deste mundo, que não sejam mais que boatos correndo no vento.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110858083492919587?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110858083492919587/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110858083492919587' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110858083492919587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110858083492919587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/02/aquele-inverno.html' title='Aquele Inverno'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110857595385846083</id><published>2005-02-16T17:44:00.000Z</published><updated>2005-02-16T17:45:53.863Z</updated><title type='text'>esSAY about life</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;beLIeVE&lt;/strong&gt; the world&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Still&lt;/strong&gt; has somethING&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;to&lt;/strong&gt; SHOW you;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;BElieve&lt;/strong&gt; there is a flower,&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;a&lt;/strong&gt; red, a YELLow, a blue flower&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;blosSoming&lt;/strong&gt; in the end of the strEEt.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;            if you think you're alone,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;                                            look around.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110857595385846083?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110857595385846083/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110857595385846083' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110857595385846083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110857595385846083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/02/essay-about-life.html' title='esSAY about life'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110788101675612941</id><published>2005-02-08T16:24:00.000Z</published><updated>2005-02-08T16:43:36.756Z</updated><title type='text'>A quiromante</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt; vento sopra baixinho as melodias com que a minha mãe me costumava serenar o sono. As montanhas pálidas quase se desfazem no céu de um azul muito claro, rasgado pelo voo altivo de um pássaro negro. É um mau presságio. Sinto no ar o cheiro aziago da morte misturando-se com o odor doce das clementinas&lt;br /&gt;– Olha as clementinas boas, o saco cheio a um euro, um euro só,&lt;br /&gt;apregoadas no outro lado da rua. Não é a primeira vez que tenho pressentimentos nefastos, por isso cruzo os braços e neles descanso a cabeça, como que num gesto de submissão perante a fatalidade do destino.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Fico&lt;/strong&gt; ali, parada, observando os espíritos transeuntes que passeiam no quotidiano. Remexendo num contentor, um sem-abrigo, com a face embrutecida pela vida, os dedos grossos remexendo o lixo dos outros, sem esperanças, sem vontades, como se apenas um desejo último de sobrevivência o mantivesse vivo; passa ao lado, absorta, uma mulher, com um ar confiante e introspectivo, um leve sorriso despontando nos seus lábios de tempos a tempos; depois um outro homem, envergando uma gabardina ocre, cabisbaixo, olhando o chão que pisa, derrotado; e a figura oposta, saindo da estação de metro, com um ar plenamente feliz, o rosto iluminado, quase pulando de alegria, um rapaz novo – é díficil adivinhar o que de tão bom lhe sucedeu, se ganhou a lotaria, se ganhou no amor, se ganhou ao terror de si mesmo, enfim, quem saberá, a alegria é tão mais insondável e misteriosa do que a tristeza...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Vejo&lt;/strong&gt;, com os olhos. Um homem, ligeiramente curvado sobre si mesmo, olha tudo à sua volta desconfiado, como se tivesse receio de ser reconhecido a caminhar na minha direcção. Veste um fato impecável, e usa uma gravata azul clara com riscas brancas. Talvez tenha vindo ou talvez vá a uma entrevista de emprego. Conheço-o; já cá vieram outros como ele. Tentou o psiquiatra, mas não resultou; os amigos não o conseguiram recompor; a mulher talvez tenha até pedido o divórcio; por fim, goradas todas as tentativas, todas as hipóteses automáticas, todas as formas racionais de abordar o assunto, estou cá eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;– Porque&lt;/strong&gt; não experimentar?, ter-se-á ele perguntado, Porque não? Pior não ficará, não me custa tentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt; ali vem ele, quase fazendo pouco da sua própria desgraça, experimentando ainda alguma relutância em me consultar. Mas, por fim, abeira-se de mim, cumprimenta-me educadamente – mantendo a cabeça, erguida, continua a despistar possíveis testemunhas –, pede-me ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Peço-lhe&lt;/strong&gt; a mão e ele estende-ma. A minha visão carrega já o peso do tempo, preciso de óculos para observar as linhas que se intersectam. A quiromancia é uma ciência milenar; em mim, pelo uso e pela prática, é um instinto. Foi a minha mãe que me ensinou a arte, como a mãe dela a ensinara a ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Peço-lhe&lt;/strong&gt; a mão e ele estende-ma. Através das lentes, leio: a linha da Cabeça, a linha do Coração, a linha da Sorte, a linha da Saúde. (Há qualquer coisa de profundamente atraente em intrometer-nos na vida alheia lendo-a numa mão.) A linha da Vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Percebi&lt;/strong&gt; na pupila do homem que ele reparara: a minha cara tornava-se pálida, os meus olhos arregalavam-se, a minha expressão era, toda ela, tomada pelo terror. Gostava de lhe dizer, Eu não sei, eu não vejo nada, mas quando alguém como eu diz isso é tomado por uma fraude. Mas se dissermos algo abstracto, algo que tenha uma enorme probabilidade de ser real, apesar de nada nos indicar que seja, então acreditam-nos. De momento, porém, o meu problema não é não ler nada na palma desta mão, antes ver nela demasiado bem. Domino-me, recomponho-me. As coisas vão começar a correr melhor, digo-lhe, A sua mulher ainda o ama, e arranjará emprego em breve. Ele suspeita, evidentemente. Está na sua natureza. Para mais, tem razão, eu não lhe digo a verdade. Eu sei-a mas não lha digo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Recuso-lhe&lt;/strong&gt; a nota que ele me entrega. Sei que é o mínimo que posso fazer. Ele insiste mais uma vez, eu nego-lhe uma vez mais. Então, sempre com o seu ar desconfiado, afasta-se, a passos largos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Atravessa&lt;/strong&gt; a estrada, olhando sempre em frente. Um autocarro à direita. O poder da adivinhação é uma coisa terrível.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110788101675612941?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110788101675612941/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110788101675612941' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110788101675612941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110788101675612941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/02/quiromante.html' title='A quiromante'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110754917061225296</id><published>2005-02-04T20:29:00.000Z</published><updated>2005-02-04T20:32:50.613Z</updated><title type='text'>O voto nulo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Entrou &lt;/strong&gt;na escola de cabeça baixa, entregado a pensamentos dúbios. Já não se lembrava de a escola alguma vez ter servido outro propósito que não o cumprimento do dever cívico. Depois ergueu a cabeça e olhou a parede em frente, de um cor-de-rosa esmorecido. A escola parecia-lhe sempre um lugar desolado, talvez porque sem os miúdos. Talvez faltem ali as camisolas coloridas e alegres, um jogo de bola, uma corrida, talvez. Sorriu, e olhou o chão alcatroado novamente. Imaginou a escola repleta de crianças, ali e agora, naquela tarde de eleições.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt; rosto cerrou-se quando entrou na sala, e se apresentou na mesa de voto; e depois, quando se aproximou da urna. Ao lado esquerdo, ao lado direito, em frente, todos os lados eram-lhe vedados. Com o boletim de voto em frente, vazio, esperando a fricção da caneta com o papel, sentiu um vazio, um aperto, como se, de súbito, se descobrisse distante daquele jogo de silêncio e ruído, que culminava, finalmente, ali, naquele acto. Lá fora o arco-íris, imaginava, um céu de fogo, nuvens de formas dúbias, rapazes correndo, raparigas brincando, um espectáculo multicolor, personagens de histórias de encantar de visita à escola, agora arranjada e bonita, nos canteiros florindo flores vistosas que emanam cheiros deliciosos, no jardim um banco, um recanto apetecível, nas janelas desenhos. E desenhou isso naquele papel diminuto, com as siglas alinhadas numa coluna, os respectivos quadradinhos diante, munindo-se para a tarefa de não mais do que aquela esferográfica negra. Que desplante, chamar-lhe voto nulo!... O que é nulo afinal?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Resoluto&lt;/strong&gt;, colocou a sua obra na urna, escura e democrática, na sua pose metálica, encerrando os augúrios dos votantes, e, agora, também os sonhos de menino. Naquela noite ainda, sob o luar radiante, mãos atarefadas, contando os votos, mãos exaustas, encararam com desprezo este boletim, nem reparam – um arco-íris, o capuchinho vermelho, desenhos nas janelas – nem reparam na singela e ingénua beleza do desenho, e ele perde-se numa pilha de outros papéis. Valor estatístico: nulo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110754917061225296?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110754917061225296/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110754917061225296' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110754917061225296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110754917061225296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/02/o-voto-nulo.html' title='O voto nulo'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110699889138211250</id><published>2005-01-29T11:29:00.000Z</published><updated>2005-01-29T11:41:31.383Z</updated><title type='text'>Carpe Diem</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Ao&lt;/strong&gt; príncipio um ano vai ser muito grande, mas no fim foi sempre muito pequeno.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;  &lt;strong&gt;Seize&lt;/strong&gt; the day,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;    aproveita o dia,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;  ele não volta mais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt; manhã acorda enevoada,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;  (dom Sebastião, esse&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;   aproveitassem os seus dias, esse&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;  não volta mais)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;envolta em segredos e mistérios, mistificações do real. Não, para quem quer o caminho é sempre em frente, pelas ruelas mais escondidas, pelos caminhos mais sinuosos, para quem quer, há que arriscar, seguir o instinto mal iluminado, escondido nas entranhas perversas do tempo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;No&lt;/strong&gt; fundo há um só caminho. Aquele.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt; &lt;strong&gt;Podes&lt;/strong&gt; segui-lo,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;  podes não o seguir;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt; mas se escolheres não o seguir,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;  não te queixes de não o teres seguido,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;  porque aquele era o único caminho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Aquele &lt;/strong&gt;&lt;u&gt;é&lt;/u&gt; o único caminho livre de ócio. O único livre da rotina. No fim desse caminho jaz o sabor último, o aroma único do fim dos caminhos. Mas ao príncipio é muito grande, é um caminho que sobe uma encosta; mas, ainda assim, por mais díficil de superar que pareça, omisso na manhã enevoada, nunca deixa de ser o único caminho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110699889138211250?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110699889138211250/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110699889138211250' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110699889138211250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110699889138211250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/01/carpe-diem.html' title='Carpe Diem'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110684478053922191</id><published>2005-01-27T15:30:00.000Z</published><updated>2005-01-29T11:29:14.600Z</updated><title type='text'>Auschwitz - "O trabalho liberta"</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Acordou&lt;/strong&gt;, com a testa húmida. Os olhos, frios, inundados de um terror que há sessenta anos padecia de insónias fixaram a parede branca escura nas sombras do quarto. Tentou respirar normalmente, recuperar um batimento cardíaco regular. Esforçou-se por não ver os homens magros, farrapos de homens, que sob o olhar atroz de alguns soldados alemães iam e vinham, e trabalhavam no que mais ninguém queria trabalhar. Não queria mais olhar os velhos que arrastavam o seu corpo, as suas histórias de anciãos, para uma sala, que se enchia de gás tóxico e que ia desvanecendo os seus espíritos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Mas&lt;/strong&gt;, há sessenta anos, selaram aquele campo sujo de sangue, de ódio, de vidas humanas ceifadas sem direito e sem foice, que se mantinha sob o irónico lema "o trabalho liberta". O perdão é impossível. Deus talvez perdoe a todos, mas o homem tem limitações na sua capacidade de perdoar. Como todas as noites, acordou, com a testa húmida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Há&lt;/strong&gt; quem queira esquecer. Não esqueçam. O homem não tem que e não deve ter que aprender outra vez com sacríficio dos que inocentes, gritavam, urravam silêncios bem alto, silêncios que ninguém nunca escutava.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110684478053922191?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110684478053922191/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110684478053922191' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110684478053922191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110684478053922191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/01/auschwitz-o-trabalho-liberta.html' title='Auschwitz - &quot;O trabalho liberta&quot;'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110656737868120066</id><published>2005-01-24T11:47:00.000Z</published><updated>2005-01-29T11:28:56.826Z</updated><title type='text'>A discussão</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Na&lt;/strong&gt; janela vejo as silhuetas ganharem vida, a contra-luz. Vejo os seus gestos irados, em poses acusatórias ou de exagero. A raiva transcende-se. O seu aroma inconfundível espalha-se pelo ar, nós respira-mo-lo, revolta-nos também. A estrada está ainda húmida. Inevitavelmente uma das silhuetas desaparece. Nenhuma se apercebe de que espio os seus movimentos e os registo ciosamente, como movido pelo interesse de desvendar o homem. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Eu&lt;/strong&gt; sei que, algures noutra sala, a silhueta está sentada, num qualquer sofá, e vai parecer muito sozinha, assim, no canto. A luz é demais, por isso ele apaga-a e a sua sombra de silhueta confunde-se com as sombras da sala e confunde-se também com o silêncio&lt;br /&gt;(um silêncio incómodo, cheio de múrmurios de perguntas sem resposta, cheio de frases perdidas, de verdaades discutíveis mas tão necessárias)&lt;br /&gt;que se esgota na noite lá fora, cá fora, onde eu observo. A silhueta dobra-se sobre si mesma, convencida da sua razão. Mas, da janela que eu vejo, outra silhueta dobra-se também sobre ela mesma, tão ou mais segura de possuir a verdade. É um paradoxo, e ambas as silhuetas sabem que só uma delas pode ter razão. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt; noite arrefeceu. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;No&lt;/strong&gt; seu quarto, envolta em sombras e silêncio, a silhueta quer explodir. A raiva subverte os olhos que temos postos no mundo. Nessas alturas vemos o mundo de forma diferente, vê-mo-lo inconsequente, sem resultado, impossível, sem refúgio. Não vale a pena tentar escapar. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;(estou a ver a silhueta, levantando-se da cadeira, saindo do quarto, batendo com a porta, saindo de casa, batendo com a parta, puxar de um cigarro, entra na noite fria, a porta fecha-se lentamente, acende o cigarro) &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt; silhueta está na noite, nesta noite, aqui fora. Está a tentar fugir. Mas não vale a pena. Por mais que siga por ruelas escondidas lá está a raiva, esperando-o ao virar da esquina; por mais que procure caminhos obscuros, lá está a culpa, sua sombra; por mais que desespere em becos sem saída, lá está a ira, muito evasiva nas justificações, indo ao seu encontro. O cigarro perde a sua chama e a silhueta permanece fechada em si própria. Acende outro cigarro. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;(à janela agora, a silhueta, aquela a contra luz, já tem o jornal fechado sobre a mesinha de centro, e dorme agora um pesadelo, com a cabeça encostada no sofá) &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Os&lt;/strong&gt; cigarros sucedem-se, as horas sucedem-se, a sonolência dos sentidos turva já os pensamentos e a sua fuga permanece infrutífera. Sempre no mesmo silêncio, sempre a noite, cada vez mais gelada. Na próxima esquina, a casa. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;(apaga o cigarro, sai da noite fria, a porta fecha-se lentamente, entra em casa, batendo com a porta, entra no quarto, acende a luz, deita-se na cama, estou a ver a silhueta, apaga a luz) &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt; silhueta pensa, absorta novamente no escuro e no silêncio. Está segura de si. Decide esperar. Na sala e no quarto, esperam, um pelo outro. É, talvez o mundo seja mesmo absurdo. Esperam um pelo outro mas nenhum deles poderá entregar-se, senão os dois ao mesmo tempo, porque o outro verá nisso uma fraqueza. Demais a mais a silhueta que, à janela, a contra luz, dormita sobre as preocupações, jamais fraquejará. E por isso esperam os dois. A luz do quarto apaga-se, acende-se, apaga-se outra vez; eu vejo a luz da janela, apagar-se, acender-se, apagar-se novamente. E assim se remexem as luzes na sua cadência própria, e assim remoem as silhuetas o seu rancor.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110656737868120066?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110656737868120066/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110656737868120066' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110656737868120066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110656737868120066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/01/discusso.html' title='A discussão'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110624963962322672</id><published>2005-01-20T19:30:00.000Z</published><updated>2005-01-20T19:33:59.623Z</updated><title type='text'>De olhos bem fechados</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;“Mais um grito de esperança inconsequente vem&lt;br /&gt;do fundo da noite envolver a cidade”&lt;br /&gt;Daniel Filipe in “A invenção do amor”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;De&lt;/strong&gt; olhos bem fechados absorvo os odores, os sabores, as luzes da cidade. De olhos bem fechados a cidade perde a sua dura nudez, a miséria esconde-se em longos silêncios, becos sem saída, e ganha uma forma poética que nunca se atreve a assumir sob a força de uns olhos abertos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;De&lt;/strong&gt; olhos bem fechados os meus sentidos captam almas que eu nem sonhava existirem na cidade. Captam palavras perdidas caminhando ruas, selando negócios, começando e terminando histórias de amor, captam a essência da cidade, aquilo que, filtrados os ódios milimetricamente calculados ou as amizades estrategicamente pensadas, sobra como fulcral.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;De&lt;/strong&gt; olhos bem fechados, vejo os sons que ouço virarem a esquina e esconderem-se de olhares estranhos,&lt;br /&gt;            - Sim...&lt;br /&gt;            e a resposta, vendo que ninguém os olha e sem suspeitar que eu os vejo ouvindo e sentindo, deixa-se surpreender,&lt;br /&gt;            - Sim?...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Afinal &lt;/strong&gt;é uma só a palavra que dobra a esquina - mas duas as bocas que a murmuram, duas as bocas que se encostam, que cantam sons inaudíveis sob o luar, sob o crescente canto de anjos no céu. E no beijo se embaraçam as almas uma na outra, e cresce o amor e o canto dos anjos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;            «I see friends&lt;br /&gt;            shaking hands,&lt;br /&gt;            saying “How do you do?”»&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Num&lt;/strong&gt; automóvel apressado, músicas novas atropelam as antigas. As letras, vazias pelo muito que foram escutadas, pelo muito que foram vendidas, parecem de súbito sinceras e credíveis, vistas pelos meus bem fechados olhos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;            «But what they’re&lt;br /&gt;            really sayn’ is&lt;br /&gt;            I love you»&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;As&lt;/strong&gt; luzes da cidade, as luzes dos faróis dos carros, as luzes das janelas dos prédios, as luzes dos candeeiros que alumiam a estrada, a luz dos placards publicitários, as luzes da cidade, todas, dançam alegremente até se perderem no escuro dos meus olhos bem fechados. Iluminam o cantar dos anjos e com ele se perdem no horizonte escuro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt; beijo termina. Outro começa, noutra cidade, com outras luzes, outros sons, outros sabores, outros odores. E também esse terminará. Numa qualquer rua escura, escondida, olhos fechados, olhos abertos, lábios colados, lábios selados, em qualquer rua iluminada, aberta, o Mas este beijo, este, desta cidade, tenho a certeza que é só o príncipio. Tenho a certeza de que mais sins se seguem,&lt;br /&gt;            (- Sim, aceito.)&lt;br /&gt;tenho a certeza de que mais beijos se darão, tenho a certeza de que ele lhe apertará a mão numa cama de hospital, tenho a certeza de que ela o amparará na queda e o consolará na tristeza, tenho a certeza de que o seu amor será desses que se pensa eternos porque a vida se cansa antes do sentimento.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;De &lt;/strong&gt;olhos bem fechados posso ter essa certeza, porque de olhos bem fechados se esconde de mim a crueldade fria da cidade, e então resta apenas essa certeza animal de que a alma é dominada pelo sentimento. A minha certeza tem a fraqueza de pensar que se abrir os olhos verei o amor já morto, e por uma vez, por esta única vez, estou determinado a não deixar que isso E por isso me deixo ficar assim. De olhos bem fechados.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110624963962322672?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110624963962322672/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110624963962322672' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110624963962322672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110624963962322672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/01/de-olhos-bem-fechados.html' title='De olhos bem fechados'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110613872837290708</id><published>2005-01-19T13:43:00.000Z</published><updated>2005-01-19T18:55:09.553Z</updated><title type='text'>i suppose</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Sentado &lt;/strong&gt;numa mesa de um café de perna traçada, um jovem olhava o céu com um ar distante. Aproximava-se, pela calçada, um velho muito marcado. Era um velho muito curvado e gasto, a testa cravada de sortes e azares e tempos e lugares. Todo o seu rosto, de resto, denunciava o cansaço de uma viagem mais longa do que se poderia descrever em poucas linhas: sob os olhos, pequenos e fechados, tinha grandes papos, na cabeça repousavam desgrenhados os cabelos brancos, a boca, pequena entre a barba, estava murcha e selada. Caminhava com um passo manco em direcção ao café, trazendo flores na cabeça.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Abeirou-se&lt;/strong&gt; do jovem e com um sorriso manso brotando nos seus lábios finos e secos, ofereceu uma flor,&lt;br /&gt;les roses&lt;br /&gt;les bluets,&lt;br /&gt;tirando do cesto uma rosa, e segurando-a, com os seus dedos magros, em frente à cara do jovem. O jovem não parecia, de súbito, tão distante. Olhou o velho com um sorriso terno. Na cadeira ao lado uma mulher segreda-lhe umas palavras ao ouvido com uma voz sussurada. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Sorriem&lt;/strong&gt; todos, o velho, tão velho, lembra o passado, o jovem, sorrindo, é presente, e a senhora,&lt;br /&gt;whose name is Afterwards,&lt;br /&gt;é o futuro. O velho curvado sobre o jovem, e o jovem deleitando-se a ouvir as palavras da mulher. No ar misturam-se os aromas: há o perfume das flores, há o perfume das rosas, há o perfume da mulher, há o perfume do café quente sobre a mesa. A senhora quer uma flor, a senhora gosta de flores, e diz baixo ao &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;ouvido do jovem, eu quero uma flor, e então o jovem, com uma nota presa entre o indicador e o polegar, compra ao velho a rosa e coloca-a nos cabelos negros da mulher, que resplandece agora, que vive agora&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110613872837290708?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110613872837290708/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110613872837290708' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110613872837290708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110613872837290708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/01/i-suppose.html' title='i suppose'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110613858305629041</id><published>2005-01-19T13:39:00.000Z</published><updated>2005-01-19T12:43:03.056Z</updated><title type='text'>poema de e.e. cummings</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;suppose&lt;br /&gt;Life is an old man carrying flowers on his head.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;young death sits in a café&lt;br /&gt;smiling, a piece of money held between&lt;br /&gt;his thum and first finger&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(i say “will he buy flowers” to you&lt;br /&gt;and “Death is young&lt;br /&gt;life wears velour trousers&lt;br /&gt;life totters, life has a beard” i&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;say to you who are silent. – “Do you see&lt;br /&gt;Life? He is there and here,&lt;br /&gt;or that, or this&lt;br /&gt;or nothing or an old man 3 thirds&lt;br /&gt;asleep, on his head&lt;br /&gt;flowers, always crying&lt;br /&gt;to nobody something about les&lt;br /&gt;roses&lt;br /&gt;les bluets&lt;br /&gt;                        yes,&lt;br /&gt;                                    will He buy?&lt;br /&gt;Les belles bottes – oh hear&lt;br /&gt;, pas chéres”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;and my love slowly answered I think so. But&lt;br /&gt;I think I see someone else&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;there is a lady, whose name is Afterwards&lt;br /&gt;she is sitting beside young death, is slender;&lt;br /&gt;likes flowers.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;e.e. cummings&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110613858305629041?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110613858305629041/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110613858305629041' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110613858305629041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110613858305629041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/01/poema-de-ee-cummings.html' title='poema de e.e. cummings'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110563867517914228</id><published>2005-01-13T17:40:00.000Z</published><updated>2005-01-13T17:57:34.656Z</updated><title type='text'>Palavras sem sentido</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Apetece-me&lt;/strong&gt; correr&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;num desses caminhos de pedra&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;infinitos, ladeados por muros&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;onde escorregam musgos e líquenes,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;espreguiçando-se ao sol;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;até me perder no algo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;que me elucide sobre&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;mim,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;e que me diga porquê,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;porque gosto de ouvir&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;palavras sem sentido&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;debruadas pelo fino tacto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;de uns quaisqueres lábios&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;transeuntes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;a saudade desfrutava-se a si própria num banco de jardim, à sombra da serenidade de árvores de saber centenário; e enquanto isso, preso no meio de nada (bem parado como a estátua que erguia a sua monumental figura de mármore bem no centro do espaço), florindo no espectáculo de cores, de papoilas, de rosas, de camélias, enquanto isso, palavras, palavras e palavras brotavam-lhe da boca, palavras solitárias remetidas para a saudade, palavras que, ele sabia, ele sabe, têm significado,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;- Ora ouve-as outra vez.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110563867517914228?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110563867517914228/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110563867517914228' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110563867517914228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110563867517914228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/01/palavras-sem-sentido.html' title='Palavras sem sentido'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110545098544502091</id><published>2005-01-11T13:43:00.000Z</published><updated>2005-01-11T13:44:36.256Z</updated><title type='text'>O passado não mora mais aqui</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Esta&lt;/strong&gt; é uma noite antiga. É aquela noite. Lembras-te? Pois eu lembro-me; lembro-me de todos os aromas, de todos os canteiros floridos, de todas as cores. Lembro-me de todos os recantos, lembro-me das casas brancas refulgindo com o brilho etéreo do luar, lembro-me do caminho ermo, escuro e sinuoso que não ia dar a lado algum. Lembro-me do uivo dos lobos na montanha...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Não&lt;/strong&gt; havia lobos na montanha. Eu não me lembro do uivo dos lobos; mas lembro-me das ladainhas do vento. Não era um vento forte; era um desses que surge da inspiração voando numa noite de Verão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Não&lt;/strong&gt;, os lobos não pertencem a essa paisagem. E o vento não era forte, não. E houve um instante até, em que todos os movimentos cessaram. Não sobrou no ar nem o mais súbtil dos sopros outonais. Os olhos rolavam na tentativa de explicar o seu espanto. Lembras-te?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Eu&lt;/strong&gt; lembro-me, sim. E foi então que um pássaro cortou o céu em duas metades, e toda a vila estremeceu. No cenário bucólico, duas mãos humanas, pelo mero anseio de mudança, preparavam-se para quebrar a monotonia da forma mais violenta. Todos pressentiram um crime quando a melancolia da linha do horizonte se quebrou.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Sim&lt;/strong&gt;. E então eu corri e afastei o cano frio da arma. Os tiros abruptos perderam-se no ar e não feriram ninguém. A arma esgotou-se, a crueldade esgotou-se naquela noite, ali. Estranho. Não me lembro das mãos que seguravam a arma.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Não&lt;/strong&gt; estranhes. Fui eu que te pedi para esqueceres. Não te lembras? Era esta a arma. Era este o cano frio que afastaste e selaste. Mas hoje é uma daquelas noites. Será que vale a pena, a vida?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;---------------------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Por&lt;/strong&gt; um momento, o meu corpo arrefeceu gravemente. Ficou hirto. Eu lembro-me sim. Tudo quanto consigo agora é beber-lhe as amargas palavras, mas a minha boca esboça sons. Eu já não tenho mãos de poeta. Finalmente o som dos tiros, soam secamente no silêncio suspenso. Sãos sons ensurdecedores, que ficam a ecoar na minha cabeça como uma memória que eu quero esquecer. A minha boca esboça sons, mas de forma inútil: está completamente seca. De súbito apercebo-me de que todos os corações continuam a bater na mesma cadência. Era o álbum de fotografias que tinha sido desfeito. A minha boca está completamente seca. É a dele que fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt; passado não mora mais aqui. Talvez o caminho solitário, talvez a vila reluzindo sob a lua cheia, talvez as flores – o passado não mora mais aqui.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110545098544502091?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110545098544502091/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110545098544502091' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110545098544502091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110545098544502091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/01/o-passado-no-mora-mais-aqui.html' title='O passado não mora mais aqui'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110528088072313942</id><published>2005-01-09T14:25:00.000Z</published><updated>2005-01-09T14:28:00.723Z</updated><title type='text'>Entre muros</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;São&lt;/strong&gt; sete da manhã, já a seguir as notícias das sete com. Olhos preguiçosos – os meus? – olham o penoso despertar do mundo, um acordar taciturno e obscuro. Mas que razões tenho eu, temos nós, para nos deixarmos melancolicamente abandonados a sentimentos que caminham marginais pela vida, sombrios? Nós estamos deste lado do muro. Que sabemos nós? Que podemos saber. Os que constroem os muros sabem que o esquecimento não cura nenhum mal; apenas o esquece. Há sempre os que gritam. Mas enrouquecem antes que os que ouvem deixem de se fingir surdos.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Heródes&lt;/strong&gt;, o rei brutal, odiado por quase todos (ao que reza a história), decidiu criar um templo monumental que servisse as necessidades de oração do povo judaico. A sua morte chegou antes da conclusão do templo. Então, em 70 d.C. o imperador romano Tito, com o objectivo de controlar a rebeldia dos judeus face ao seu poder intrasingente, decidiu-se a destruir brutalmente o templo do brutal rei; e como que deixando o aviso, poupou um pequeno pedaço da muralha exterior. Esse pedaço de templo foi assim convertido num simples muro – o das lamentações –, passou a ser o local de adoração dos judeus nessa Jerusalém que é o símbolo do mundo: naquela cidade convergem as três maiores religiões que guardam entre si eternos rancores, sob a égide de um único Deus,  Deus em que todos acreditam, Aquele que prega mensagens de paz e amor entre os homens. Que hipocrisia pretextar assim ódios, mortes, guerras. Que hipocrisia, muros!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mesmo&lt;/strong&gt; a Europa, onde jaz o berço da democracia, onde se pronunciaram pela primeira vez valores de liberdade, onde se clamou civilização, mesmo a anciã Europa atravessou periodos sombrios, quer na escuridão dos bunkers, quer depois, quando se dividiu a cidade de Berlim por um muro, quando Kruschov decidiu demarcar bem de que lado estava na política. Mas esse era um muro maior que si próprio. O muro extrapolou-se para uma perspectiva mundial, e dividiu duas facções com muitas bocas mas sem quaisquer ouvidos. Os muros têm ouvidos mas não têm bocas. Porém esse facto em nada compensa tudo o resto, porque as bocas sem ouvidos de nada servem, e os ouvidos sem bocas são desnecessários. Separados por escassos metros, as bocas de uns não chegavam aos ouvidos de outros – e eram os olhos que choravam. Em 1989 finalmente há a importação de bocas e ouvidos e o muro deixa de ecoar as vozes de esperança, inúteis.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quem&lt;/strong&gt;, utopicamente, imaginou que todos aí entenderiam que os muros não servem de nada? Quem? São oito horas da manhã, já a seguir as notícias das oito com. Israel decidiu-se a aprisionar a Palestina entre os seus muros de cimento, com vedações electrificadas, com lugar à vigilância permanente nos dois lados da fronteira. É o novo muro da vergonha entre Israel e Faixa de Gaza. Na rádio, hoje, às oito, transmissão em directo de todas as hipocrisias que podem ser escritas no muro, enquanto duas crianças jogam fazem do muro baliza para um jogo de bola.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110528088072313942?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110528088072313942/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110528088072313942' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110528088072313942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110528088072313942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/01/entre-muros.html' title='Entre muros'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110511494523939512</id><published>2005-01-07T16:20:00.000Z</published><updated>2005-01-07T19:56:19.166Z</updated><title type='text'>Um lápis azul não pinta a cor vermelha</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Chama-se o réu a testemunhar;&lt;br /&gt;Declara-se culpado dos crimes&lt;br /&gt;Que lhe são imputados?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Um&lt;/strong&gt; silêncio pesado deformava a cara do advogado de defesa, pesado na sua silhueta bojuda. O advogado de acusação ajeitava a gravata, preparando as perguntas, com um sorriso confiante, &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;arrogante; &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;o cabelo que lhe sobrava ajeitava-se na forma de uma coroa de louros.As mãos, ocultas atrás das costas, remoiam-se em gestos nervosos que eram muito seus nestas ocasiões. A primeira pergunta começou num tom rouco, grave e baixo, que depressa se tornou alto, potente e aterrador.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;É verdade que defende,&lt;br /&gt;É verdade que apregoa,&lt;br /&gt;É verdade que crê tem fé na...&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Nesta&lt;/strong&gt; altura o advogado estremeceu, vacilou. À sua face parecia ter deixado de chegar o ar. Virou a cabeça para o excelentíssimo senhor juiz, e, sem uma palavra, utilizando apenas os olhos arregalados, pediu-lhe autorização para dizer o que se anunciava,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;liberdade?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt; réu, impenetrável, respondeu&lt;br /&gt;Vossa Excelência vai-me desculpar, mas não percebi bem,&lt;br /&gt;e a face do advogado fechou-se numa rubra expressão irada e repetiu num,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;É verdade que defende&lt;br /&gt;A liberdade?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;O &lt;/strong&gt;réu fez-se ouvir:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;É o que eu sou&lt;br /&gt;E o que você não tem.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;O &lt;/strong&gt;sorriso do advogado domou toda a sua face num gesto arrogante, e declarou que por si tudo tinha terminado naquela pergunta. Lançou ao excelentíssimo senhor juiz um olhar cúmplice, mas o magistrado mantia-se impávido. Então o juiz setenciou,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Declaro o réu culpado;&lt;br /&gt;Condeno-o à forca!&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt; então naquele dia o poema foi levado para ser enforcado. Subiu ao cadafalso sem medos e deixou que no segundo fatídico a corda se lhe apertasse sobre os versos e o esganasse. Seria declarado morto, mas do silêncio brutal brotaram palavras de poema que clamavam&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Liberdade!&lt;br /&gt;Liberdade!&lt;br /&gt;Liberdade!&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt; os guardas atónitos, esgazeados, deixaram em todo o estabelecimento prisional ecoarem aquelas palavras e versos, soltos, livres. Tentavam agarrar os prisioneiros fugidios estendendo as mãos como garras, mas nelas não sobrava mais que ar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;No&lt;/strong&gt; céu, de um azul lacinante, voava um pássaro muito branco, com as asas muito abertas, viajando num jeito harmonioso e fluído. E num repente desceu, quase a pique e fingiu cair ferida na terra castanha do jardim para que alguma criança desprevenida o levasse e tratasse.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110511494523939512?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110511494523939512/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110511494523939512' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110511494523939512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110511494523939512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/01/um-lpis-azul-no-pinta-cor-vermelha.html' title='Um lápis azul não pinta a cor vermelha'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110486544142251208</id><published>2005-01-04T18:58:00.000Z</published><updated>2005-01-04T19:04:01.423Z</updated><title type='text'>O sorriso</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt; cirurgião, de bisturi em punho, deu ínicio à operação. A sua equipa rodeava-o, atenta. A sala era, toda ela, um tremendo, brutal, silêncio. Se a experiência resultasse, seria um marco na história da estética mundial: um homem seco e arrogante teria sido adornado com um sorriso sincero, quase de criança. O paciente jazia na mesa de operações, anestesiado, prostrado, como nunca se ousaria mostrar perante qualquer outro; e se não fosse por desejar possuir um sorriso sincero, não se mostraria assim, frágil, aos olhos deste médico também. Na hora seguinte os médicos davam já por finda a sua obra. Sorriam entre si, e congratulavam-se pelo feito.&lt;br /&gt;O operado, esse, ficou de descansar mais três dias na clínica; e na manhã do quarto dia pediu, antes da partida, silêncio ao médico cirurgião que chefiara a operação. Ele argumentava. Era um acontecimento ciêntífico de excepcional importância! Mas ele não pensava de forma alguma ceder, porque nunca cedera a ninguém que não ele próprio. O médico enfim, de garganta rouca, lá cumpriu a sua vontade. Porém o sovina, de olhar desconfiado por cima de um sorriso sincero, não dava crédito a nenhuma palavra, que era muito vivido no mundo das desilusões e, ao jeito de mordaça, colou na boca do doutor, com um gesto arrogante, uma nota de muitos dólares. O cirurgião levantou-a e com um ar desapontado pediu-lhe que ele ao menos lhe satisfazesse a curiosidade:&lt;br /&gt;– Você nunca sorriu?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt; ele, sem palavras, com os mesmos olhos de desprezo reluzindo na face, retirou do bolso do seu elegante e caro casaco uma carteira que desdobrou em frente da cara do seu interlocutor: e lá aparecia, claramente, um homem a sorrir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110486544142251208?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110486544142251208/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110486544142251208' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110486544142251208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110486544142251208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/01/o-sorriso.html' title='O sorriso'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110470396807124801</id><published>2005-01-02T22:10:00.000Z</published><updated>2005-01-02T22:12:48.070Z</updated><title type='text'>Não tens palavras?</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Então&lt;/strong&gt;, não tens palavras?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;Vais ficar aí na soleira da porta à espera da lua, contando as estrelas no céu muito negro, escutando o som dos grilos no quintal, sons de uma noite bucólica, adormecida sobre si mesma? Que pouco interessa que não saibas o que dizes! Pois que o digas, porque é o que farás melhor. E nós beberemos as tuas palavras porque são belas, não porque queiram dizer alguma coisa; porque aqui, neste lugar recôndito, de tanta beleza que lhe perdemos a conta, nos esquecemos de achar todos os dias graça no orvalho ou na cor das flores ou nas serras em tons de aguarela. E nós beberemos as tuas palavras, não como água, mas como vinho.&lt;br /&gt;Então, não tens nada a dizer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu&lt;/strong&gt; trago a guitarra para ouvir da tua voz tuas palavras. Se a minha guitarra de canta, era para que lhe contes as tuas palavras. Não contes como números, conta como palavras. Lembra-nos os castelos de fadas, tão pouco importa que eles sejam sonho, lembra-nos um olhar cândido, tão pouco importa que eles estejam extintos, lembra-nos uma cidade em silêncio, adorando-se, tão pouco importa que não a saibamos imaginar, lembra-nos a neve. Quero que me lembres a neve. Sim, hoje a neve. Vou buscar a guitarra, e tu lembras-me a neve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Então&lt;/strong&gt; não nos lembras nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não&lt;/strong&gt; te abandones a esse silêncio. Não quero mais silêncios. Os silêncios são para quem fala, para quem ouve, para quem se envolveu na delícia ou no trauma dos sons quotidianos. Mas aqui esses sons não chegam a boatos. Não, não quero mais silêncios. Não nos deixes em silêncio, porque eu não sei imaginar sem a tua voz. Vou buscar a guitarra, sim?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110470396807124801?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110470396807124801/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110470396807124801' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110470396807124801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110470396807124801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2005/01/no-tens-palavras.html' title='Não tens palavras?'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110451274287606846</id><published>2004-12-31T17:07:00.000Z</published><updated>2004-12-31T17:07:55.906Z</updated><title type='text'>Sal, pimenta, alho, limão, salsa e oregãos</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Por&lt;/strong&gt; esta altura do ano, sob a luz, cor e som do fogo de artíficio, escutando com atenção e deleite uma música calma, dançando, cantando, festejando, ouvindo ritmos mais acelerados, com Deus, em paz e pela paz, com os amigos, com a família, com quem se desconhece, mesmo só, com um copo de champagne na mão, isolado, com a cara recortada contra o cheio luar do céu, enfim – todos se alegram pelo ano findo e pelo ano vindouro. Depois é a contagem decrescente, os olhos fitos no relógio, os ouvidos atentando na voz, enfim – chega-se ao momento crucial, abre-se o champagne, comem-se as doze passas, e tomam-se aquelas resoluções que (como muitas vezes o sabemos de antemão), não vamos seguir no ano que começa ali. Não é assim para todos, nada do que chega é para todos neste mundo. Mas é assim, muitas vezes, pelo menos para mim, que estou sempre convicto de que no ano seguinte porei em prática os meus projectos, as minhas metas, as minhas ideias, mas nunca tal acontece. Por isso este ano, decidi colocar doze perguntas na mesa, no lugar das tradicionais doze passas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Janeiro:&lt;/strong&gt; Para quê perguntar?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fevereiro:&lt;/strong&gt; Para quê responder?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Março:&lt;/strong&gt; O que é importante?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Abril:&lt;/strong&gt; O que é possível?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Maio:&lt;/strong&gt; O que é feito?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Junho:&lt;/strong&gt; O que é belo?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Julho:&lt;/strong&gt; O que é errado?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Agosto:&lt;/strong&gt; O que é mau?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Setembro:&lt;/strong&gt; Porquê a existência?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Outubro:&lt;/strong&gt; O que é a existência?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Novembro:&lt;/strong&gt; O que é a verdade?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dezembro&lt;/strong&gt;, e esta é, realmente a pergunta essencial: Porque não consegui eu responder a nenhuma destas perguntas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt; tudo e a todos um bom ano novo&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;– a velha frase está gasta e corroída pela insensatez do uso, e se alguma vez teve sabor e aroma é agora ínsipida, e por isso mesmo &lt;strong&gt;peço ao leitor que a salgue e tempere a seu gosto, para que seja realmente um ano suculento e que apeteça ao paladar.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110451274287606846?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110451274287606846/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110451274287606846' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110451274287606846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110451274287606846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2004/12/sal-pimenta-alho-limo-salsa-e-oregos.html' title='Sal, pimenta, alho, limão, salsa e oregãos'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110441042016987733</id><published>2004-12-30T13:13:00.000Z</published><updated>2004-12-30T17:03:53.993Z</updated><title type='text'>Coração</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt; coração era tido como o orgão que amava sobre todas as coisas. E aqueles que nunca amavam, com frieza exigiam e exibiam dos outros o coração, por não saberem que ele amava. Mas, séculos depois, um neurocirurgião, dono de muita razão, veio dizer que o coração não amava, era o cérebro que o fazia; o cérebro, que à primeira vista parecia dono de tanto siso, era posto assim a descoberto como sendo um desvairado, apaixonado. E porém, parece perigoso, misturar assim a razão e o sentimento! Mas tal não livrou os românticos de, em tardes em que o sol, langoroso, esticava pelo céu os seus raios luminosos, gravarem em troncos grossos e fortes, corações sem veias nem artérias. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;- Oh!&lt;/strong&gt; desenganem-se os iludidos!, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;vociferam os que, do alto do seu saber, contemplam com um sorriso irónico tais imagens. O coração é um músculo esforçado, é uma bomba de sangue. Uma bomba de sangue?! Então podia ser... Então é possível, ter coração e não ter sentimento, então é posssível que no mundo tanto sangue exploda, com estrondo, então são possíveis as bombas dispoletadas pelo rancor, pelo ódio. Então é possível, que falta de amor!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110441042016987733?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110441042016987733/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110441042016987733' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110441042016987733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110441042016987733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2004/12/corao.html' title='Coração'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110434788793028017</id><published>2004-12-29T19:18:00.000Z</published><updated>2004-12-29T19:22:08.916Z</updated><title type='text'>Imagens na retina</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/img/70/2797/1024/indonesia.1.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #ffffff 1px solid; BORDER-TOP: #ffffff 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #ffffff 1px solid; BORDER-BOTTOM: #ffffff 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/img/70/2797/400/indonesia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt; retina fixa as imagens a uma velocidade esmagadora, uma realidade inimaginável, tão íncrivel, tão demolidora, como só a realidade o é, como nenhuma mente humana sã pode conceber. No chão de madeira juntam-se centenas de corpos, o sangue dos feridos junta-se às lágrimas daqueles que desesperam, daqueles que ainda não acreditam, e que aos poucos vão aceitando o que inevitavelmente terão de aceitar. No meio do caos, envoltas pelo cheiro pútrido dos cadáveres à sua volta, pessoas procuram nos rostos desfigurados reconhecer traços de familiares perdidos, talvez com uma esperança de não encontrarem, talvez com esperança de esperança. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt; retina fixa as imagens a uma velocidade esmagadora, eu, aqui, a minha retina, pela televisão, os jornais, pela rádio, sentindo com estupefacção e impotência a dor que não consigo imaginar do outro lado do mundo. Sem água, sem luz, no meio das paisagens devastadas, o desespero humano conhece novos limites. Nestes momentos, em que nos apoiamos mutuamente, quase que descobrimos em nós um ser racional, quase nos compreendemos. Os mortos são contados e recontados, e dia a dia vamos perdendo as ilusões, vamos cancelando as viagens para o paraíso ídilico em que tanto tinhamos sonhado ir passar férias, vamos temendo mais e mais mortes; e nunca, como agora, se afigurou a morte como uma coisa tão arrasadora e prematura. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110434788793028017?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110434788793028017/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110434788793028017' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110434788793028017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110434788793028017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2004/12/imagens-na-retina.html' title='Imagens na retina'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110414882780363754</id><published>2004-12-27T01:00:00.000Z</published><updated>2004-12-27T16:39:21.020Z</updated><title type='text'>Despedida</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Uma&lt;/strong&gt; brisa fresca corria, suavemente, como uma música de embalar. Nem corria, voava, como palavras de um poema. O sol não se compadecia do corpo que, recortado na sombra, esperava o momento da despedida, como se mais que corpo não fosse. O sol não se compadecia e subia e subia. O corpo aquecia-se com uma caneca de leite quente, sentado no último degrau da escada, contemplando o céu como se fosse a última vez que o via. Depois uma mão amiga num ombro, mas uma mão amiga triste, uma mão amiga no dia de despedida.&lt;br /&gt;– É hoje, não é?&lt;br /&gt;Como se não o soubesse suficientemente bem,&lt;br /&gt;– Não podes ficar nem mais um dia?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt; corpo virou-se, a boca muda, os olhos falando na sua vez. Não eram precisas palavras. Sim, era hoje. Sim, podia ser para sempre. O corpo e a mão amiga concentraram-se no piar dos pássaros. Parecia tão triste naquela manhã!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Este &lt;/strong&gt;era o dia em que as palavras perdiam expressão, voando para longe, como corvos muito negros, recortados contra o claro azul do céu. Este era o dia em que as palavras se reduziam a silêncio e significado. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt; mão amiga voltou, segurando uma segunda caneca de leite fumegante. Bebiam aquele leite juntos, como se fosse por uma só caneca. Podia bem ser a última vez. Já se tinham despedido antes, mas nunca numa manhã como aquela, nunca por motivo semelhante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Quando&lt;/strong&gt; nas canecas não sobrou mais leite, quando o som das palavras deixou de ressoar nas paredes brancas da casa e quando cessou o piar dos pássaros, o corpo ergueu-se e a mão deixou cair-se, num gesto moroso e pesado. Era aquele o momento da despedida. Pode não ser a última, segredavam um ao outro em silêncios prolongados. Pode até não ser a última, talvez para se convencerem de que podia, realmente, não ser a última das despedidas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;A &lt;/strong&gt;mão ergueu-se num acenar melancólico, enquanto o corpo ao longe ia encolhendo cada vez mais, até que se esmoreceu completamente na paisagem de serras e vales e céu e Inverno. O corpo andava como se não soubesse para onde ia, mas era precisamente o conhecimento do destino que o atormentava. Olhou para trás, desejando toda a serenidade da aldeia que desaparecia, procurando o conforto da mão amiga acenando. Perdeu finalmente a serenidade e o conforto. Pode ser que não seja a última despedida. Pode ser que não seja a última,&lt;br /&gt;Despedida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110414882780363754?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110414882780363754/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110414882780363754' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110414882780363754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110414882780363754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2004/12/despedida.html' title='Despedida'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110330903347272862</id><published>2004-12-17T18:58:00.000Z</published><updated>2004-12-17T18:57:57.783Z</updated><title type='text'>A jarra</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Uma&lt;/strong&gt; jarra de porcelana, muito fina, muito branca, jazia sobre a mesa, evidenciava-se na sala, toda decorada com móveis escuros e pesados. Uma jarra, muito fina, muito branca, com uma pega dourada e talhada e um gargalo longo que se abria como o botão de uma flor. Pintados na jarra um homem e um rio. Um rio muito homem, que passava lambendo os humanos pés, e um homem muito rio, de corpo estirado sobre a relva, contemplando com olhar pensativo o exterior, ao mesmo tempo reflectindo o mundo e reflectindo sobre ele. Os olhos do homem são um mundo outro, o que dava à pintura nova dimensão. Era um mundo etéreo, acima da realidade. Naqueles olhos todos os rios confluiam num só. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt; jarra era um paradoxo. Um rio homem, um homem rio, um mundo imaginário dentro de um mundo real.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;E para se dar como insolucionável a pintura da jarra de porcelana, bastou que o homem pintura, tão real, tão rio, tão pouco pintura, ganhasse movimento, como se fosse homem sonho também. Não me espantei quando o homem se ergueu - mais me deliciei com a forma e poesia dos seus movimentos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Então&lt;/strong&gt; o homem mergulhou nas águas do rio, e o rio que era homem e o homem que era rio fundiram-se num só. A água do rio brotou da jarra e realizou-se no meu mundo, um mundo que, afinal, me parecia tão verdadeiro que tomei aquela água por água também ela verdadeira. A água do rio brotou da jarra e escorreu até formar o leito de um rio muito homem muito rio, que banhou e banha e banhará o meu mundo tão verdadeiro até ao dia em que o tempo não se lembre mais em que dia está.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110330903347272862?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110330903347272862/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110330903347272862' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110330903347272862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110330903347272862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2004/12/jarra.html' title='A jarra'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110321904296460055</id><published>2004-12-16T17:30:00.000Z</published><updated>2004-12-16T17:44:02.963Z</updated><title type='text'>Os olhos do diabo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Não&lt;/strong&gt; me tinha apercebido. Finda a leitura d'"O Retrato de Dorian Gray" descobri que a beleza da alma e a beleza do corpo não estão tão distantes uma da outra quanto isso; descobri que existem as marcas do tempo e as marcas do pecado, e que ambas se repercutem no corpo. Não me refiro às marcas do pecado segundo os cânones da Igreja Católica, nem aos pecados mortais. Refiro-me ao pecado como aquilo que sabemos estar errado. Quando fazemos, por convicção, algo que sabemos errado, tiramos dessa acção um prazer muito mordaz. Um prazer que nos é incutido no brilho dos olhos e no trejeito da boca, para todo o sempre, tal comos os sulcos que o tempo cava na nossa testa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Gosto&lt;/strong&gt; dos olhos. Não são sequer olhos se não forem mais que rostos. Olhem bem nos olhos. Verão nele representada toda a alma do opositor. O que se arrepende do seu grave erro terá nos seus olhos a marca eterna do seu arrependimento. São olhos baixos; ou olham o chão ou olham o alto de cabeça vergada. Os olhos dos que, errando, não mostram remorsos pelo seu delito,  têm então os olhos inundados de prazer. Parecem os olhos do diabo - e nem temos conhecimento de como tem o diabo os olhos. São olhos que brilham e luzem, são olhos que se riem, não com um riso alegre e cristalino mas com um riso de prazer sádico e mordaz.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110321904296460055?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110321904296460055/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110321904296460055' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110321904296460055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110321904296460055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2004/12/os-olhos-do-diabo.html' title='Os olhos do diabo'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110295668970475179</id><published>2004-12-13T16:51:00.000Z</published><updated>2004-12-13T16:51:29.703Z</updated><title type='text'>O meu espanto</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;"Ao menos têm os peixes duas boas qualidades de ouvintes: ouvem e não falam"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;Pe. António Vieira&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;-&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Este&lt;/strong&gt; blog já tem dois meses. É espantoso verificar como a efeméride não foi devidamente celebrada ou notada. É ainda mais espantoso constantar que o blog se mantêm. Isto porque, quando me surgem novas ideias de criação, também se gera em mim um impulso destrutivo. Nada de radical ou violento. Talvez por falta de espaço para criar algo novo, sinto a simples necessidade de desfazer o que é antigo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt; ano passado, na disciplina de Filosofia - um nome pomposo para uma área lectiva, como se houvesse espaço para o pensamento livre numa escola portuguesa - foi-me ensinado que um orador não dispensa o auditório, porque é do auditório orador que nasce nova oração no orador orador. Quero dizer, neste jeito propositadamente intrincado, que é da resposta do auditório que nasce o assunto para nova exposição do orador. É um diálogo&lt;strong&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Eu&lt;/strong&gt; dialogo com o mundo. Talvez por isso ainda não o tenha dispensado. Mantenho-o sempre junto de mim, como que vivendo nele, e de vez em quando ele fala comigo e eu respondo-lhe. Com este blog não conheço auditório. Talvez ele more do outro lado silencioso, como as árvores em dias parados e sem vento ou talvez do outro lado seja só o vento sem árvores. Mas mesmo assim não cedi a apetites devastadores. É só o que me espanta. Porque até realiza ter algo criado que se possa encerrar; ou algo criado em que se possa publicar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Gostaria &lt;/strong&gt;que expusessem neste "post" as vossas opiniões no competo geral sobre estes últimos dois meses. Que dêem sinal de que ouvem, mesmo que mais não seja, porque esse ouvir em silêncio já satisfazia o Padre António Vieira, grande senhor da língua portuguesa, e também com esse me terei que satisfazer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110295668970475179?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110295668970475179/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110295668970475179' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110295668970475179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110295668970475179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2004/12/o-meu-espanto.html' title='O meu espanto'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110261936626202800</id><published>2004-12-09T19:06:00.000Z</published><updated>2004-12-09T19:09:26.263Z</updated><title type='text'>Um croissant e um galão</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;A &lt;/strong&gt;opinião dos ortopedistas é consensual. Esta é uma má posição para estar sentado. Devíamos permanecer com as costas bem rectas. Não há problema, é só no Natal; se, na nossa sociedade isso desculpa o desvario consumista e a gula próprias da época, não vejo porque não há-de justificar a posição com que ocupo uma das cadeiras da esplanada. Na época natalícia a posição de observador, mesmo com uma postura incorrecta da coluna, e ainda para mais acompanhada de um galão e de um croissant é privilegiada. Tenho ouvido dizer que em tempos outros ninguém parava para observar porque poucos podiam parar e os que tinham esse direito muitas vezes se excusavam a olhar. Hoje em dia, porém, o problema é diverso: são muitos os que param, são muitos os que observam, não tantos os que param e observam e ainda menos os que param e observam o que não está detrás de uma montra ou não vem num catálogo.&lt;br /&gt;Não pretendo aqui monologar sobre o espírito de Natal ou acerca da obsessão consumista do nosso mundo globalizado. Estou certo de que já houve quem o tenha feito, com mais "engenho e saber" que eu. Nem tão pouco pretendo zombar dos grandes autores que sobre esses assuntos divagaram. Não me interessa sequer pretextar este texto que começou, aliás, por um acaso, um croissant e um galão.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não&lt;/strong&gt; quero abdicar das vantagens de ser observador cometendo apreciações parciais, mas inevitavelmente terminarei por o fazer, pelo que peço desculpa. Das lojas, vejo, entram e saem pessoas enterradas em sacos cheios de Natal. Por vezes apreciam o peso da carteira que não sentem decrescer - viva os cartões de crédito. Prosseguem. Entre outras coisas verificam se o Natal tem o tamanho certo para vestir, ou se não passou do prazo de validade. Desenganem-se os que, puros de alma - ingénuos, se preterirmos de eufemismos - acreditam que Natal é amor, paz, esperança. Natal é presentes. As pessoas é que podem ter amor, paz, esperança - ou não. É uma questão de escolha. É como diz a senhora que se debruça com olhar de dúvida sobre a montra em frente:&lt;br /&gt;– Levo a branca ou a vermelha?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Desde&lt;/strong&gt; que, por ocasião do nascimento de Cristo, os Reis Magos descobriram na oferta de presentes uma gratificação, um sinal, mais que um suborno, que esta ideia de Natal se tornou legítima. Porque se Cristo é amor, paz, esperança, é Cristo que o é, não o Natal. Porque não é às datas que pertencem os sentimentos, mas aos Homens. Sim, se o Homem tanta vez se autocognominou de racional, que por uma vez faça valer tal apelido. Séculos depois chegou São Nicolau, figura lendária, cheio de verdades perdidas no nevoeiro do tempo. Diz-se que este santo distribuia presentes pelas crianças, e sorria adivinhando sorrisos nas suas caras miúdas. As pessoas começaram então a perceber que o Natal, em si, se resume a presentes. E como todas os dão, todas recebem – todas sorriem.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Porque&lt;/strong&gt; as pessoas sentem sempre necessidade das suas invenções, deleitaram-se inventando a imagem de um velho gorducho, de cachimbo, para explicar os presentes que misteriosamente apareciam às crianças como um milagre, esse sim, de amor, paz e esperança: estavam lá presentes. Hoje, inundados pelos anúncios televisivos, mais depressa sentimos a necessidade de sermos criteriosos na nossa escolha, mas enquanto criança pura, um presente é sempre um presente. O Pai Natal teve direito a inúmeros consultores da imagem, o que demonstra que ele é um produto de uma sociedade crescentemente globalizada. Um artista contratado pela Coca-Cola, num Inverno dos anos 30, decidiu emprestar-lhe a sua própria cara. Talvez inspirado por uma imagem de uma revista datada de 1866, que mostrava um Pai Natal semelhante ao que hoje conhecemos, ou simplesmente para espalhar as cores da Coca-Cola pelo mundo, esse mesmo artista pintou de vermelho e branco o velhinho de barbas. No Natal de 1939, o Pai Natal recebe de presente um auxiliar: a rena Rudolph, foi criada para ser oferecida sob a forma de letras aos clientes da Montgomery Ward, uma loja americana.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt; eis que, de geração em geração, adornando as palavras com outras palavras, a celebração do nascimento de Jesus se traduz nos tempos como um acontecimento comercial singular, em que todos dão e todos recebem presentes. Eis como tudo flui no sentido de tornar as renas, os duendes, os pais natais e as mães natais em estrelas de anúncios televisivos, levando-nos a esta imparável busca de presentes. Dou assim por terminado o croissant. Se me dão licença, tenho de ir comprar os presentes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110261936626202800?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110261936626202800/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110261936626202800' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110261936626202800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110261936626202800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2004/12/um-croissant-e-um-galo.html' title='Um croissant e um galão'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110089308678229491</id><published>2004-11-19T19:36:00.000Z</published><updated>2004-11-19T19:38:06.783Z</updated><title type='text'>Ver, ler, ouvir</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;A &lt;/strong&gt;diferença do momento é apregoada naquilo que sentimos quando vemos, lemos, ouvimos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Tudo&lt;/strong&gt; o que recebemos das experiências vividas torna-nos diferentes, sem dúvida. Mas também tudo o que somos torna diferente a nossa maneira de ver, ler, ouvir. Porque em constante mudança, todos os momentos são bons para ganharmos uma percepção singular do que experenciamos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Como&lt;/strong&gt; ler um livro, um dia, e nele não ver vestígios de interesse, e noutro descobrir que fomos ludibriados porque o lemos num momento, num lugar emocional totalmente distinto. Porque estávamos constrangidos a um plano de emoções que não cabia naquela leitura, nem tão pouco a extravasava – que simplesmente se distanciava.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Quando&lt;/strong&gt; o acaso nos junta a um livro que já segurámos nas mãos, ou a um filme já testemunhado pelos nossos olhos, ou a uma música já escutada pelos nossos ouvidos, descobrimos subitamente, talvez a culpa não seja do objecto, mas do que esperamos ver nele. Como se em todos os objectos esperássemos assitir ao reflexo dos nossos sentimentos naquele momento específico.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110089308678229491?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110089308678229491/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110089308678229491' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110089308678229491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110089308678229491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2004/11/ver-ler-ouvir.html' title='Ver, ler, ouvir'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-110089138660454200</id><published>2004-11-19T19:06:00.000Z</published><updated>2004-11-19T19:09:46.603Z</updated><title type='text'>Teoria da Ordem</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;“São os eleitos para quem as coisas belas apenas significam Beleza”&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi&lt;/strong&gt; num raio de sol. O Homem tinha passado dias, noites, tinha passado semanas, meses, anos, tinha dedicado toda a sua vida à construção daquela Teoria, e a resposta morava naquele único raio de sol. Pelas lentes dos óculos olhou os números, as letras, encavalitadas, deitadas sobre traços de fracções, agachadas sob raízes quadradas. Tanto desperdício de pensamento, e a resposta estava naquele singelo,  raio de sol. Tinha descoberto o motivo matemático das coisas, a ordem sequencial de tudo o que era gerado. Apelidou as suas descobertas de Teoria da Ordem.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Foi&lt;/strong&gt; num raio de sol. Dispensara muitos almoços e jantares, esquecera muitos livros sobre a mesa de cabeceira, descurara a saúde, tudo à espera daquele raio de sol, que sabia que viria. Quando ele chegou, porém, não reparou na sua doçura, pousando quente sobre a maciça mesa de madeira. Não percebera nele a sua secreta dança, a sua poética beleza. Apenas inferira nele a sua Teoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Diz-nos &lt;/strong&gt;a História que foi uma maçã que segredou a Newton as leis da gravidade. Não nos diz se ele pegou na maçã e a comeu, saboreou, se se demorou nela, se apreciou as suas cores, se se deixou preencher da cor do céu ao cair do sol, do chilrear dos pássaros. Mas agora o Homem sabia que tudo tinha a sua ordem o seu destino. Sabia que a beleza era uma variável equacional, fruto da Ordem do tempo, do espaço, das coisas, estabelecida por aquela Teoria. Perdido isso, perdido até o acaso de formas, esgotava-se a beleza do mundo, por falta de argumentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Enquanto&lt;/strong&gt; prosseguia a sua fúria científica, de definição da totalidade do Universo, o Homem viu o seu olhar escapulir-se do seu pensar e encontrar um livro. Não desses livros em que se inundavava, cheios de variáveis, números, cheios de constantes, expressões, derivadas. Não, aquele era belo. Fútil portanto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os&lt;/strong&gt; olhos do Homem perderam-se naquela capa. Cheirou o livro, como se houvesse cheiro para cheirar. Abriu lentamente as páginas. Os sentimentos revolviam-se enquanto as suas mãos abriam o livro lentamente. Tudo o que não era belo perdia ali importância; também o tempo perdeu a sua. Tudo era lento, tudo era rápido. O Homem deixou-se consumir pela harmonia pecaminosa do livro. Inclinou a cabeça para trás e entregou-se a reflexões proibidas. Entregou-se à pureza das frases, que conferiam novos significados a mesmas palavras. Entregou-se.&lt;br /&gt;Esqueceu por momentos o apelo da ciência. Deixou-se submerso pela cor do texto, perdeu a conta ao mundo. Esquecimentos desses são fatais – se a História não se lembra do paraíso das maçãs, mas apenas das maçãs do paraíso, também é verdade que são nessa mesma História muito presentes e muito recordadas as fatalidades. Desde que o homem sente, o homem erra. Desde que o Homem sente, o Homem erra. Agora caminhava o Homem errante pelo sabor doce de um bom livro, e já lhe parecia um erro a sua Teoria.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Seria&lt;/strong&gt; a sua ruína, sim, mas uma bela ruína. Seria votado ao desprezo pela comunidade científica? Quem o sabe? Apetecia-lhe agora o caos, mas não um qualquer caos; apetecia-lhe as coisas dispostas de forma pura, singular. Apetecia-lhe forma, luz, cor. Apetecia-lhe arte. Para elem as linhas endiabradas rasgando quadros de arte moderna, ou os rostos angelicais das esculturas renascentistas ganhavam agora novo significado. Desvendava-se a solução do sorriso, do olhar de Mona Lisa, entendia-se a força de um quadro de Van Gogh, percebia-se a obsessão geométrica de Mondrian.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em&lt;/strong&gt; última instância, a sua natureza revelara-se na opção: preferiu ver o pôr-do-sol do que ser por ele iluminado. Agradava-lhe sem dúvida. Observou tudo o que pode até adormecer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-110089138660454200?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/110089138660454200/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=110089138660454200' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110089138660454200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/110089138660454200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2004/11/teoria-da-ordem.html' title='Teoria da Ordem'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-109959115755562524</id><published>2004-11-04T17:59:00.000Z</published><updated>2004-11-04T18:06:50.463Z</updated><title type='text'>Uma imagem, mil palavras...</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Há&lt;/strong&gt; qualquer coisa de palavra nesta imagem, talvez o nada de urbano que ela tem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/img/220/2245/1024/PIC_0124.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #ffffff 2px solid; BORDER-TOP: #ffffff 2px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #ffffff 2px solid; BORDER-BOTTOM: #ffffff 2px solid" src="http://photos1.blogger.com/img/220/2245/480/PIC_0124.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-109959115755562524?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/109959115755562524/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=109959115755562524' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/109959115755562524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/109959115755562524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2004/11/uma-imagem-mil-palavras.html' title='Uma imagem, mil palavras...'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-109931025771955486</id><published>2004-11-01T11:33:00.000Z</published><updated>2004-11-02T14:05:30.863Z</updated><title type='text'>Desabafos contra o governo do Mundo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;O &lt;/strong&gt;Mundo é governado por uma minoria autoritária. Uma minoria que usa o poder militar sem escrúpulos, como se os cidadãos do mundo se reduzissem a personagens virtuais de um qualquer jogo de estratégia militar, jogado no computador por uns quantos seres irreflectidos. Tais seres dão-se ao trabalho de dar vida aos seus fantoches, de os programar, de os armar, para depois se lançarem em supostas cruzadas de bravura contra os inimigos do Mundo, seus amigos de longa data. Dão-se ao trabalho de descobrir falsas evidências da necessidade de invadir um outro país, para depois, sem convencerem ninguém de que dizem a verdade, sem o consentimento da maior parte do Mundo, tornarem a invasão um facto consumado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Para&lt;/strong&gt; mais, aqueles que mais sofrem com a exploração dos que governam o Mundo como seu não elegem os governantes, o que torna este sistema de sujeição do Mundo ao poder externo imperial norte-americano uma autêntica ditadura. Aos que se insurgem contra esse poder desproporcionado sobre o Mundo e que não têm qualquer peso na decisão de quem o irá exercer, resta-lhes olhar com estupefacção os resultados das sondagens pela televisão, entalados entre a história de mais mortos no Iraque (banalidades!) e outra sobre o último atentado ocorrido em Israel (trivialidades), e esperar que mais não seja que uma mentira, uma partida de mau gosto, que não seja possível que um país inteiro se revele tão indulgente para com o modo opressivo que o seu presidente escolheu para comandar o país que anda a moldar os destinos deste Mundo que julga ser sua possessão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Resta-me&lt;/strong&gt; a mim também esperar que terça ou quarta-feira, sem escândalos, seja cantada aos ventos a boa notícia de uma mudança, e esperar depois que Kerry saiba realmente distinguir o certo do errado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-109931025771955486?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/109931025771955486/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=109931025771955486' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/109931025771955486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/109931025771955486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2004/11/desabafos-contra-o-governo-do-mundo.html' title='Desabafos contra o governo do Mundo'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-109915168658486927</id><published>2004-10-30T15:49:00.000+01:00</published><updated>2004-10-30T16:54:46.583+01:00</updated><title type='text'>Liberdade!</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Dou &lt;/strong&gt;por mim, por vezes a pensar como se não fosse livre quanto baste. Agrada-me pensar que neste presente que corre e neste país em que vivo eu sou, realmente, livre o suficiente. Porque a liberdade é uma coisa pessoal e unívoca - cada um tem uma e só uma, que é sua e só sua. Claro, estou preso ao chão, preso aos olhares, preso aos desamores, preso aos ódios, preso às invejas, mas ainda assim, sinto-me como se fosse afinal, realmente livre. Quase me sei livre, sei totalmente que não o sou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Mas&lt;/strong&gt; quando, quase que pela ciência do pensamento, me sinto livre, é como se o fosse de facto. Assim que cessa este exercício do pensamento, dou-me finalmente como livre para pensar na liberdade dos outros. Ela não me pertence nem tão pouco me diz respeito, mas como pessoa suficientemente livre que me penso, tenho a liberdade de pensar a liberdade dos outros. Ela não me diz respeito porque não beneficio dela, e porque iniciando uma saga solitária para a aumentar acabarei por me aperceber que, sozinho, pouco a posso mudar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Mas&lt;/strong&gt; se eu tenho a liberdade de me pensar livre, porque não hão-de os outros de ter tanta liberdade como eu de se julgarem livres? Não é uma questão de nos sujeitarmos às ordens ou ovirmos as ordens dos "outros" que extingue a nossa liberdade. É o facto de fazermos das ordens e opiniões dos "outros" o padrão de comportamento da nossa vida que nos estrangula os movimentos. Deixarmo-nos obcecar, hipnotizar, deixar o nosso comportamento ser escravizado pelas palavras alheias, isso sim, é o que nos limita as opções. Sem escolhas é tudo sempre mais simples. Talvez seja por isso que as pessoas se deixam dominar, invadir por palavras.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-109915168658486927?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/109915168658486927/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=109915168658486927' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/109915168658486927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/109915168658486927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2004/10/liberdade.html' title='Liberdade!'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-109881407776920990</id><published>2004-10-26T19:07:00.000+01:00</published><updated>2004-10-26T19:07:57.770+01:00</updated><title type='text'>Momentos</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Há &lt;/strong&gt;momentos em que me apetece decorar as cores do céu, ou os cheiros da cozinha, ou as luzes da cidade. Há momentos em que me apetece deitar na areia da praia, na relva do campo, na cama, há alturas em que me apetece deitar e observar, ouvir, cheirar. Há momentos em que os meus sentidos despertam, como se súbitamente assaltados pela lembrança de vida. E o significado das coisas é diferente nesses momentos. A sua importância quase nenhuma é levada a tocar o extremo oposto. E é precisamente a não necessidade que temos de sentir o mundo que torna esses momentos preciosos. O não necessário é, necessariamente, precioso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Ouvir&lt;/strong&gt; o silêncio nem sempre é compensador. Mas é-o nesses momentos. Ouvir o silêncio nunca é necessário. É um prazer supérfluo, como todos os prazeres e é isso que o torna precioso. Outros silêncios são tristes, pesados, deprimidos, mas não nesses momentos. Porque, em boa verdade, o silêncio é nosso, somos nós que o lemos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-109881407776920990?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/109881407776920990/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=109881407776920990' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/109881407776920990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/109881407776920990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2004/10/momentos.html' title='Momentos'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-109861101602940510</id><published>2004-10-24T10:38:00.000+01:00</published><updated>2004-11-21T09:50:12.983Z</updated><title type='text'>Lost in the City</title><content type='html'>&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;I'm &lt;/strong&gt;lost in the city,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;not feeling anything,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;as if I'm not a person&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;but a thing.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;I'm&lt;/strong&gt; lost in the city&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;away from home,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;away from me,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;just lost in the city, alone.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;I've &lt;/strong&gt;forgotten my name,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;I've forgotten me,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;I've closed my eyes,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;there's nothing I want to see.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;I'm &lt;/strong&gt;lost in the city,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;waiting to be found,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;but the silence is scary&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;and I don't listen to my heart's sound.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-109861101602940510?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/109861101602940510/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=109861101602940510' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/109861101602940510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/109861101602940510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2004/10/lost-in-city.html' title='Lost in the City'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-109811607948025179</id><published>2004-10-18T17:07:00.000+01:00</published><updated>2004-10-18T17:14:39.496+01:00</updated><title type='text'>Não há tempo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Às&lt;/strong&gt; vezes sentimo-nos perdidos nesta cidade, é uma cidade tão grande mas com tão pouco espaço, parece, porque às vezes sentimo-nos perdidos nela, e não é perdidos de não saber o caminho mas de não ver o caminho, porque estamos perdidos na essência da cidade, na sua crescente entropia, porque estamos perdidos de loucura, estamos perdidos de nervos, porque queremos parar e não podemos, porque entramos no metro, no autocarro, no carro, trabalhamos, estudamos, trabalhamos e depois metemo-nos no metro, no autocarro, no carro, chegamos a casa e trabalhamos, estudamos, e estamos perdidos, estamos perdidos, perdemos a noção de tempo, perdemos a noção de espaço, perdemo-nos na essência da cidade, e não apreciamos a textura do papel, nem a beleza do conteúdo, não apreciamos a beleza das coisas, porque não há tempo, nem sequer a sua importância, porque não há tempo, apreendemos e seguimos em frente, porque para nada mais há tempo e estamos perdidos na essência da cidade, nas suas pressas, nos seus nervos, no seu stress, porque estamos perdidos dentro de nós próprios e só vemos pontos finais no fim do texto, porque não há tempo e quando vemos esses pontos finais nem temos tempo de derramar uma lágrima por tudo o que não fizemos por falta de tempo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-109811607948025179?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/109811607948025179/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=109811607948025179' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/109811607948025179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/109811607948025179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2004/10/no-h-tempo.html' title='Não há tempo'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-109786602865739079</id><published>2004-10-15T19:35:00.000+01:00</published><updated>2004-10-15T20:24:19.696+01:00</updated><title type='text'>Sentimentos: O Céu (contemplação)</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Os&lt;/strong&gt; céus de fim de tarde surpreendem-me sempre. O de hoje vinha dourado, rosa, azul. Vinha recheado de uma beleza como a que os homens imaginaram para os anjos. Encheu-me de memórias de coisas que eu nunca vivi.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Os&lt;/strong&gt; meus sentimentos trazem sempre uma banda sonora a acompanhar, como nos filmes. E, como nos filmes, cria-se magia, e o ímpossível torna-se possível, e, portanto, tenho que conter o meu ímpeto de saltar e voar, e planar, e abrir os braços, abrir as asas, tornar-me num pássaro, branco, puro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Sob&lt;/strong&gt; tal céu a cidade, mesmo com os seus prédios pintados com cores desarmoniosas, mesmo com as suas estradas esburacadas, mesmo com as suas ruas sujas, mesmo com todos os seus defeitos a cidade ganha uma beleza ímpar, que escapa à dimensão do que o homem pode criar. Debaixo deste céu até o mais repulsivo dos corações se torna puro, até o ódio se torna amor. Debaixo deste céu até se torna rosa qualquer erva daninha aspirante a flor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-109786602865739079?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/109786602865739079/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=109786602865739079' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/109786602865739079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/109786602865739079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2004/10/sentimentos-o-cu-contemplao.html' title='Sentimentos: O Céu (contemplação)'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-109785403796004763</id><published>2004-10-15T15:51:00.000+01:00</published><updated>2004-10-15T20:20:30.993+01:00</updated><title type='text'>Pensamentos: Antes de Tudo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;De&lt;/strong&gt; vez em quando sinto-me perdido num acaso, num erro. Porque antes do tudo imagino o nada, o infinitamente grande e impossivelmente pequeno nada de que surgiu a primeira de todas as coisas criadas. E porque do nada brotar alguma coisa, parece-me, só pode ser um erro do destino, do tempo (que, no nada, ainda não existe), pois nada existe no nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt;, mesmo que Deus exista - o perfeito criador para tudo o que precisava de ser criado -, não posso evitar que, por vezes, me questione: e antes d'Ele? Parece-me impossível o tempo no Seu universo ou qualquer que seja o universo do que chegou antes da criação, parece-me impossível o tempo porque com ele há sempre um antes e um depois e um agora.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Parece-me&lt;/strong&gt; que o tempo abusa de nós e do nosso bom senso. Parece-me que, após milhões e milhões de anos, pensarmos em horas, minutos, segundos, não faz sentido, é um uso excessivo da nossa paciência. E depois, o tempo ainda me leva a perguntar "e antes disso?" e assim a questionar tudo o que sei e aprendi e sou e vejo e toco.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-109785403796004763?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/109785403796004763/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=109785403796004763' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/109785403796004763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/109785403796004763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2004/10/pensamentos-antes-de-tudo.html' title='Pensamentos: Antes de Tudo'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-109777117902903912</id><published>2004-10-14T17:09:00.000+01:00</published><updated>2004-10-15T15:50:45.106+01:00</updated><title type='text'>Sentimentos: Dias de Chuva</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Há&lt;/strong&gt; chuvas e chuvas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há&lt;/strong&gt; chuvas em que chove chuva. Há chuvas imensamente tristes porque supérfluas. São apenas as nuvens deixando cair o seu ar cinzento. São chuvas que servem somente para que do céu tombe água. São chuvas frias e despojadas de sentimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas&lt;/strong&gt; por vezes o céu precisa de chorar todas as coisas que nunca ninguém se lembrou de chorar. Sente-se no ar a melancolia do céu, sente-se a sua solidão, querendo falar ao sol e à lua e ao mundo e não podendo. E sente-se a sua frustração por dar importância a coisas que mais ninguém dá, por querer chorar coisas cuja existência já todos esqueceram há muito tempo. Por vezes o céu deixa cair sobre nós palavras salgadas e desencontradas, palavras soltas, todas as palavras que nunca pode dizer. Por vezes chove poesia do céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt; se houver arco-íris, foi porque o sol o fez rir.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-109777117902903912?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/109777117902903912/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=109777117902903912' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/109777117902903912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/109777117902903912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2004/10/sentimentos-dias-de-chuva.html' title='Sentimentos: Dias de Chuva'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-109769478242932969</id><published>2004-10-13T19:42:00.000+01:00</published><updated>2004-10-13T20:13:02.430+01:00</updated><title type='text'>Pensamentos: A Vida Sem Morte </title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;"Portanto eu tinha um problema: justificar a vida em face da inverosimilhança da morte."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Vergílio Ferreira in &lt;em&gt;Aparição&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Quanto&lt;/strong&gt; mais insistentemente busco uma razão para o ser, mais me parece que, a existir alguma, só existe pela existência da morte. Não vejo na vida outro sentido que não a necessidade de cumprir a nossa obra num prazo estabelecido... Um prazo cuja data não podemos prever e uma obra que não conhecemos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Não&lt;/strong&gt; vejo sentido na face enrugada de um velho que um dia foi novo e que nunca se levantou do seu assento, certo que o dia seguinte virá, e nascerá e morrerá como todos os outros dias, e que depois dele nascerá outro e que também esse morrerá. Só ele sabe que não vai morrer. Vai continuar ali, na sua cadeira, olhando com o mesmo ar cansado com que nasceu, o céu e o horizonte infinitos que, sabe, tem muito tempo para descobrir. Não vejo sentido no seu corpo sem vida por ausência de morte. Não vejo sentido na sua inércia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;E &lt;/strong&gt;assim me parece que sendo a morte improvável a vida sê-lo-á também.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-109769478242932969?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/109769478242932969/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=109769478242932969' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/109769478242932969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/109769478242932969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2004/10/pensamentos-vida-sem-morte.html' title='Pensamentos: A Vida Sem Morte '/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-109759773511552487</id><published>2004-10-12T17:05:00.000+01:00</published><updated>2004-10-12T17:31:34.206+01:00</updated><title type='text'>Pensamentos: Dejá Vu</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Parado&lt;/strong&gt;, encostado a uma parede, olhando o vazio, participo activamente num momento único mas que em nada me parece exclusivo daquele tempo. Encontro, escondida no meu cérebro, outra imagem sonhada em sonos antigos que é em tudo igual ao meu momento presente. Respiro o mesmo ar, oiço os mesmos sons e cheiro os mesmos odores. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;É &lt;/strong&gt;um momento ínfinitamente pequeno, mas de tal forma paranormal que se distingue pela sua natureza paradoxal. Serei eu apenas o reflexo sonhado daquilo que sonho quando adormeço?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Saboreio&lt;/strong&gt; a incompreensão como um bom entendedor da matéria, e por minutos desejo que ninguém tenha para esse momento uma explicação esclarecedoramente científica - de tão mágico, de tão irreal, não merece explicação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-109759773511552487?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/109759773511552487/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=109759773511552487' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/109759773511552487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/109759773511552487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2004/10/pensamentos-dej-vu.html' title='Pensamentos: Dejá Vu'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-109758878194384391</id><published>2004-10-12T14:46:00.000+01:00</published><updated>2004-10-15T20:25:23.290+01:00</updated><title type='text'>Pensamentos: Perguntas e Respostas</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;À &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;velocidade a que crescemos e a que pensamos, a que perguntamos e respondemos, o que acontecerá se um dia o homem, se esgote de questões, porque as vê a todas respondidas, bem argumentadas e de tal forma provadas que nem se poderião por em causa? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Como&lt;/strong&gt; se sentirá então a humanidade, sem nada para perguntar, nada que exercitasse aquilo que afinal os tornava diferentes e por isso mesmo, tornando-se animais, seres de tal forma ignorantes que nem sabem o que perguntar?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Penso&lt;/strong&gt; num homem habitando esse futuro apocalíptico, olhando o céu com ar de enfado, sabendo da verdade sobre Deus como sobre todas as coisas, sabendo da verdade de cada átomo, de cada molécula, e privado do prazer da descoberta própria, do raciocínio único do seu ser... Penso num homem assim e sorrio perante este mundo ignorante em que vivo, fértil em perguntas e sedento das respostas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-109758878194384391?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/109758878194384391/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=109758878194384391' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/109758878194384391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/109758878194384391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2004/10/pensamentos-perguntas-e-respostas.html' title='Pensamentos: Perguntas e Respostas'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-109751981514424470</id><published>2004-10-11T19:33:00.000+01:00</published><updated>2004-10-11T19:36:55.143+01:00</updated><title type='text'>Pensamentos: </title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Às&lt;/strong&gt; vezes caio neste vício de pensar. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt; quando estou a caminhar numa rua, sozinho, tenho tendência a pensar sobre como pensarão as pessoas que, como eu, caminham sozinhas. E se elas estiverem a pensar sobre como eu penso quando caminho sozinho? Estarei realmente a caminhar sozinho, ou será que não?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Não&lt;/strong&gt; seria mais fácil, chegar-me ao pé das pessoas que são afinal outras e perguntar directamente, sem rodeios:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;- Em&lt;/strong&gt; que é que estás a pensar?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt; no fim deixo-me a caminhar sozinho, encolhido na pequenez do meu eu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-109751981514424470?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/109751981514424470/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=109751981514424470' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/109751981514424470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/109751981514424470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2004/10/pensamentos_11.html' title='Pensamentos: '/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-109750519013054216</id><published>2004-10-11T15:31:00.000+01:00</published><updated>2004-10-11T15:33:10.130+01:00</updated><title type='text'>Tarde Demais</title><content type='html'>          &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;  &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Ontem&lt;/strong&gt; a noite aparecia em pano de fundo (as estrelas, a lua, uma garrafa de cerveja no chão, a estrada ainda húmida). Eu estava na varanda, a saborear a brisa fresca que corria e a cidade passeava a meus pés, vivia, e eu, tenho de confessar, tinha um certo gosto em ver a cidade viver.&lt;br /&gt;            &lt;strong&gt;Até&lt;/strong&gt; aqui, nada podia ser mais banal: eu, depois do jantar, esperando na varanda ser bafejado pelo perfume romântico de uma cidade nocturna. Mas, ontem, ontem deu-se um caso curioso. Reparei que não estava só. Reparei, e senti um equílibrio estranho em todo o mundo, em todas as vidas, em todas as mortes, em todas as palavras sem sentido, em todos os paradoxos insolúveis que são as pessoas que (reparei ontem) vivem ali em baixo, na cidade, e a fazem viver.&lt;br /&gt;            &lt;strong&gt;Subitamente&lt;/strong&gt;, aquela noite e aquela varanda pareceram-me insignificantes; subitamente, senti o desejo egocêntrico de ser também mais um, e não apenas eu. Fiquei abandonado à cidade e nela confiei para me guiar. Porque talvez, afinal, em todas as luzes que se acendem, em todas as almas que vivem, haja ainda uma em que restem as palavras que quase viram o seu sentido exterminado pela vontade dos homens que ainda não repararam que não estão sós.&lt;br /&gt;            &lt;strong&gt;Estava&lt;/strong&gt; tão enleado com os meus pensamentos que nem senti o céu rebentar por cima de mim, nem senti a roupa molhada colar-se ao corpo, nem senti a chuva acelerar, nem senti o frio enregelar-me os ossos, nem senti a fome, nem senti a sede, nem senti o esquecimento. Nem senti sequer o meu corpo cair para trás e a minha cabeça bater na pedra branca da calçada, e o sangue escorrer, e a minha mente enlouquecer. E, finalmente, o sol raiou.&lt;br /&gt;           &lt;strong&gt; A&lt;/strong&gt; manhã veio aquecer-me o corpo, e notei que estava dorido, e cansado, e morto. E que a minha cara estava molhada não de chuva mas de lágrimas. Tentei levantar-me, mas a dor levou a melhor. Tentei olhar, mas perdi contra as minhas pesadas pálpebras. Os meus gritos de socorro sufocavam na minha garganta arranhada. Derrotado, deixei o sol da manhã lavar de mim a minha vida e a minha esperança.&lt;br /&gt;            – Não estás só...&lt;br /&gt;            &lt;strong&gt;Vi&lt;/strong&gt; tocarem o meu corpo, como se eu me fosse estranho, uma mão e um olhar desconhecidos. E ouvi palavras que já não ouvia há tanto tempo, que já nem sabia como soavam. E aquele momento era tudo – tudo! – o que eu queria sentir.&lt;br /&gt;            &lt;strong&gt;Tarde &lt;/strong&gt;demais.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-109750519013054216?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/109750519013054216/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=109750519013054216' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/109750519013054216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/109750519013054216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2004/10/tarde-demais.html' title='Tarde Demais'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8673615.post-109750063628181519</id><published>2004-10-11T14:07:00.000+01:00</published><updated>2004-10-11T14:17:45.563+01:00</updated><title type='text'>Palavras Urbanas</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;Gosto &lt;/strong&gt;de palavras. Gosto de sonhar as luzes da cidade negra de noite, e de contar as luzes sonhadas. Gosto de escrever palavras ao acaso e com elas construir cidades e noites e dias só meus. Gosto de escrever "manhãs frias de Inverno" e "noites quentes de Verão" e "tardes de Primavera" ou "fins de tarde de Outono". Gosto de sons, de palavras, de imagens, de sentidos perdidos, sem tempo nem espaço próprios, à deriva no nada. Gosto de repetir as palavras de que gosto.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;E &lt;/strong&gt;gosto de escrever palavras urbanas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8673615-109750063628181519?l=palavrasurbanas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/feeds/109750063628181519/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8673615&amp;postID=109750063628181519' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/109750063628181519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8673615/posts/default/109750063628181519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasurbanas.blogspot.com/2004/10/palavras-urbanas.html' title='Palavras Urbanas'/><author><name>André Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
